2010-10-28

...batendo no peito dizia: Senhor, piedade, sou um pecador!


Vez em quando encontramos pessoas destruídas por causa da maldade dos outros. É assustador a sedução do mal nas nossas vidas! Evidentemente, esse mal tem outras facetas, na sua raiz, aquele espaço obscuro em nós que carece de amor. São desastrosas as conseqüências de quem se deixa dominar pelos apelos de vingança de um amor não correspondido, de uma paixão não controlada, de um sentimento de ciúme, inveja ou mesmo o próprio fracasso e ainda de uma ofensa nos causada.
O contraste nos confunde, pois somos David na conquista de nossos ideais, mas também somos Caim que articulamos friamente a queda dos nossos irmãos, simplesmente gastando o melhor de nossas energias para que os outros fracassem, não cresçam, não tenham outra chance de acertar. Sim, a maldade hoje é como uma pedra de Crack: de baixo valor, de prazer curtíssimo, que mata a nós e aqueles a quem dizemos amar, destrói a afeição que os outros têm a nós e nos deixa viciados a morrer lentamente e na solidão.  Uma alma vazia de Deus não é a que erra, simplesmente, mas a que permanece na lama, mente pra si mesma, aprisiona sua própria consciência porque se sente justa como a daquele Fariseu ao acusar o Publicano. Daí que essas pessoas nunca se julgam doentes, os outros são os doentes, “o inferno é o outro”, como diz a máxima Sartreana.
As horas de perdas e conflitos, inclusive as que nos deixam expostos e a mercê dos juízos dos outros, deveriam ser oportunidades de recomeçarmos, mas elas acabam revelando a maldade que habita em nós. Deixamos vir à tona o que possuímos de mais sujo: mentimos, caluniamos, denegrimos a imagem dos outros de forma irresponsável e, talvez, irreversíveis nas consequências. Talvez estejamos diariamente traçando o sinal da cruz sobre nós, sentindo-nos amigos de Jesus, alcançados pela verdade, mas, na verdade, estamos na mentira, perdidos e a banalizar não só a sagrada vida dos outros, mas os seus sonhos, o direito que eles têm de tentar de novo e a coragem neles de pedirem perdão e recomeçarem. Tenhamos a mesma coragem! Comecemos com a atitude sincera do Fariseu: “...batendo no peito, dizia: Senhor, tende piedade, pois sou um pecador!” Somente a misericórdia de Deus pode nos reconstruir!  
Antonio Marcos

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