2010-10-03

Até quando, Senhor?


O profeta Habacuc faz eclodir o grito que corresponde ao maior de todos os dramas modernos no homem que crê: “Senhor, até quando chamarei, sem me atenderes?” (Hab 1,2). Vale lembrar que o contexto do profeta e do povo de Israel é de domínio por parte de um governo tirano e, para piorar, as injustiças também se estendem entre o povo de Deus. É o drama de contemplar a obscuridade da paz. Justos e injustos convivem juntos e o mal parece mais sedutor, eis as reais causas das interrogações do profeta a Deus.
Ao dirigir-se a Deus, Habacuc, de certa forma, protesta “a sua ausência” e o seu silêncio. Não o faz como quem perdeu a fé, porque os profetas são símbolos da fortaleza da fé, mas, como quem entende que esta mesma fé diz respeito a uma relação com o Deus vivo. Como resposta ao profeta, Deus fala de “uma visão que terá um desfecho, mas que para isso é preciso esperar, caso demore, pois ela virá com certeza, e não tardará. Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé” (cf. Hab 2,2-4). 
Quando Deus nos manda esperar diante de uma situação tão difícil, certamente nunca é para nós uma fácil consolação, mas uma prova, uma adesão que exige a absoluta fé. Também não consiste em alienação e subjugo a um contexto de morte, mas na compreensão de que o agir em nome de Deus comporta uma pedagogia fruto de quem primeiro escutou a Deus e não força dos instintos, dos apelos exteriores, das nossas fáceis soluções, mas tão sujeitas ao fracasso. Esperar em Deus é mais difícil que fazer justiça com as próprias mãos, mas somente a fé, fruto de uma relação com Deus, pode nos conduzir às melhores respostas, às ações certas e na hora certa, na certeza de que ela desmascara as falsas seguranças!
Antonio Marcos

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