2010-09-12

O outro é parte de mim, ainda que esteja nas trevas do pecado e perdido


Compartilho neste texto um pouco da minha meditação e compreensão acerca da rica Liturgia da Palavra deste XXIV Domingo do Tempo Comum (Ex 32,7-11.13-14; Sl 50/51; I Tm 1,12-17; Lc 15,1-32).  - Primeira Parte -

O Povo de Israel, depois de receber tanto do Senhor, de provar do seu amor e da sua providência, de ser chamado e cuidado por sua ternura, agora se encontra desviado, adorando os ídolos, corrompido pelos próprios pecados.  Deus diz a Moisés que vai destruí-lo, mas preservará a vida de Moisés, fazendo dele uma grande nação. Significativa a atitude de Moisés a suplicar a Deus que não destrua o seu povo, que se recorde do que fez outrora por ele, das suas promessas e aliança com os Patriarcas. Então Deus desiste de sua ameaça. A linguagem é  “antropomórfica”, ou seja, Deus se utiliza de termos humanos para expressar os seus sentimentos de ira e compaixão. No entanto, o mais importante é que atende a oração e a súplica de Moisés pelo seu povo. Deus acolhe o propósito sincero de quem decide recomeçar.

A intercessão...
A intercessão tem um grande significado e força para quem crê e confia realmente na misericórdia de Deus. Ora, é interessante perceber que Moisés poderia concordar com Deus, quem era ele para ainda pedir o contrário, mas o faz corajosamente porque ama os que foram confiados a ele e porque confia em Deus. Deus não ama o seu povo? Claro que sim, e o amor dos homens não se compara ao de Deus! Aqui entra a centralidade de nunca desistirmos de rezar pela conversão de alguém. O outro é parte de mim, ainda que esteja nas trevas do pecado e perdido. Lembro aqui do pedido da rainha Ester diante do Rei: “Peço, por compaixão, não destrua o meu povo!” Madre Teresa de Calcutá teria dito aos Chefes de Estado, membros da ONU: “Não legislem contra a vida dos inocentes, pois, se vocês que têm dinheiro não podem, pela graça de Deus, eu posso criá-las, pois são meus irmãos e irmãs, membros do Povo de Deus”. Quem ama sempre entende que não está sozinho e que os outros lhe dizem respeito, estejam na vida ou mortos pelo pecado, alegres ou na dor, protegidos ou indefesos.

Deus acolhe os propósitos sinceros de quem se arrepende...
O apóstolo São Paulo é um exemplo desta experiência. Outrora era um blasfemador e perseguidor e insultador dos cristãos, fazia tudo porque estava na ignorância, não conhecia a verdade. Uma vez alcançado pelo amor de Deus, através da vida ressuscitada de Jesus Cristo, arrepende-se e é recriado, nasce para uma vida nova. Deus o alcançou pela misericórdia.

Antonio Marcos  

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