2010-09-10

O Maquiavelismo Político e o Totalistarismo anticristão no Brasil


Recordo neste artigo um pouco do pensamento do filósofo humanista francês, Jacques Maritain (Séc. XX), quando exortava as consciências cristãs do seu tempo quanto ao “totalitarismo anticristão” proveniente de uma política avessa à religião. Afirmava então: “A autonomia da ordem temporal é um proveito adquirido no decorrer dos tempos modernos. A ordem política e as virtudes políticas, uma vez separadas da ordem espiritual também se distanciaram da realidade existencial das coletividades humanas” (Por um humanismo cristão, 1999).

Uso este pensamento não para defender a união Estado-Igreja, pois era necessário redefinir e valorizar as justas obrigações cabíveis a cada Instituição, porém, não deveríamos estar caminhando para uma autonomia absoluta, autoritária e totalitária de uma das partes: o Estado com sua Política e sua Ciência. Estamos vivendo também no Brasil essa reação de certos âmbitos da Política contra a Religião, especificamente a Igreja Católica. Vale lembrar que os tempos pós Império e o advento da República, a Igreja do Brasil teve importante colaboração no processo político sem se confundir com ela e com sua missão particular. Nos anos pós Ditadura a “Juventude Católica” teve sua salutar colaboração no processo político do país. Não se nega que a Igreja, através da sua militância católica, colaborou para a organização de uma esquerda política “não revolucionária”, mas capaz de cobrar os direitos do cidadão brasileiro, os direitos fundamentais e o funcionamento da máquina política. Alguns historiadores chegam a dizer que o PT nasceu das bases católicas, tendo assim sua força na consciência da dignidade humana. Afinal de contas a esquerda sempre se esforçou para lutar pelos direitos elementares. Não significa dizer que a Igreja tenha um partido político ou que tenha sido a criadora do PT. 

O povo simples tem apoiado largamente o governo do PT e, podemos dizer, foi o Nordeste que o elegeu, mas em todo o país cada cidadão teve a consciência de o Brasil daria passos e, de fato, como vemos, deu. Passos econômicos e sociais inegáveis, mas no campo moral as conseqüências foram drásticas. Não foram ainda piores por causa da louvável ação da Igreja. Muitos podem criticar, mas tenho me orgulhado das iniciativas da Igreja do Brasil no que concerne à luta em defesa dos direitos fundamentais da pessoa humana, seja católica, evangélica ou ateia. A Igreja do Brasil tem assumido a causa do Evangelho pelos mais indefesos e mais pobres, pela paz e pela justiça. A missão da Igreja é a evangelização e a salvação do homem na Pessoa de Jesus Cristo, mas é dever dela cobrar que a dignidade humana seja sempre salvaguardada e valorizada. Acontece que isto tem mudado drasticamente. A esquerda chegou ao poder, encantou-se com ele e também não resistiu à sujeira da corrupção. Foram tantos os escândalos neste governo, não obstante a sua administração social e econômica louváveis. Por outro lado, quantas investidas contra a vida e outros valores concernentes à dignidade humana. 

O que sei é que é maquiavélico o que vemos agora, certos partidos querendo impor uma lei de Estado - que é laico - que não tem mais validade: ditar as normas para Igreja, querer privá-la até do direito de conscientizar seus fiéis e de reclamar aquilo que não corresponde com a ética e a moral, fundamentadas no bem comum, alicerçadas no direito de ser pessoa social e religiosa. O candidato foge dos debates e manda o recado pra quem quiser entender que pode driblar a Igreja e a consciência de milhares de católicos. Agora o PT ameaça processar pastor que conscientizou seus crentes e cidadãos na web quanto ao perigo de se votar em candidatos de partidos com crescente ideologia que promovem o totalitarismo anticristão. Não podemos aceitar esse “maquiavelismo político”. A Democracia pedirá sempre a arte da liberdade. Essa liberdade diz respeito também a ser cristão e viver sua fé com coerência e compromisso político. Penso que essa liberdade ganha maior força e sentido quando chegamos ás urnas e votamos honestamente e conscientemente.

Antonio Marcos

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