2010-09-26

O confuso caminho dos maus


As Sagradas Escrituras falam muito claramente do mistério da impiedade (cf. IITs 2,7s) e não esconde que este tem na sua raiz a atividade de Satanás. Tal atividade é acompanhada por todo tipo de sedução à injustiça que nega o amor à verdade, única que pode salvar. Essa verdade é uma pessoa, Jesus Cristo.

Negar o amor à verdade parece mesmo uma das grandes seduções do nosso tempo. A pergunta de Pilatos a Jesus nunca esteve tanto em evidência: “o que é a verdade?" (Jo 18,38). Consequentemente dissimulamos a realidade pessoal e do contexto e simulamos ações que se aproximem da verdade. Ferir os outros, destruí-los fisicamente ou moralmente é para a consciência doentia de muitos apenas uma ação normal. Praticamos o mal como tomamos água quando estamos com muita sede e suspiramos aliviados, e até “dormimos em paz!”

Essa capacidade que temos de praticar o mal aos outros e a nós mesmos é assustadora. O mal que não quero, pratico; o bem que quero, não pratico, diz o apóstolo Paulo. É a dramaticidade da existência humana, a luta interior para não nos animalizarmos e cairmos na irracionalidade moral e ética. Por outro lado, mais assustadora é a nossa falta de espanto pelo fato de nos acostumarmos com o mal. Escutamos, falamos, queremos ver, saber, mas, fica somente nisto, plena curiosidade porque os sentidos e os sentimentos estão apodrecendo no conformismo com o mal. Sem dúvida, trata-se de uma cegueira seja espiritual, humana ou psíquica, mas é uma cegueira. O mal nunca pode ser para nós um aliado. Se assim acontece é porque estamos, de alguma forma, seduzidos por ele, seduzidos à injustiça e nesse sentido somente “o Senhor liberta os cativos e faz abrir os olhos aos cegos” (cf. Sl145/146).

Antonio Marcos 

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