2010-09-22

O céu que começa quando a caridade é realidade nas nossas vidas.


As nossas novas gerações trazem impregnadas nas suas consciências, certo determinismo e uma tendência às projeções e culpabilização dos nos nossos insucessos e infelicidades. Claro que existem as influências culturais, sociais e familiares, devido “determinismos biológicos” e a convivência, mas não os determinismos escravizantes e paralisantes de que pensou Freud, compreendendo que  “um acontecimento traumático gera sempre uma pessoa traumatizada”, não é bem assim! As influências da psicanálise freudiana deixaram  – para o Ocidente – sequelas na nossa maneira de também conceber a relação com Deus! O nome de Deus nunca foi tão machucado como nos nossos dias! Se algo dá errado conosco geralmente é Ele acusado da culpa. A própria crise do ateísmo moderno – segundo Ratzinger – chega a culpar Deus pelos males do mundo: a AIDS, a fome, as guerras, os pobres, a violência, o pecado e até o inferno.

Vem-nos assim a sempre necessidade fundamental de rezarmos mais, não como fuga e medo, como pensaram os “filósofos da suspeita”, mas como “estado interior místico, único capaz de colocar o homem na condição de amigo de Deus e de adentrar no coração do homem deste mundo secularizado”, pensava o teólogo Von Balthasar. Evidentemente isto não desconsidera as neuroses e psicoses que requerem terapia, ajuda de um profissional, mas, também não significa dizer que elas sejam as únicas soluções como pensa até mesmo certos formadores católicos. Rezar faz com que conheçamos o coração de Deus e nos deixemos purificar nas nossas falsas imagens que temos d’Ele. Rezar nos faz entender o fio condutor da nossa história, situando-a dentro do fio de ouro condutor de  que não foi um acidente este ou aquele acontecimento.

Rezar inocenta Deus da culpa que lhe projetamos por causa dos nossos fracassos, sejam quais forem. Rezar nos faz amigos e não desconfiados de Deus. A oração nos faz viver a graça da necessidade essencial de crermos que não é Deus um carrasco a contar os meus pecados e erros, mas um Pai amoroso e amigo. Rezar não me faz ter medo do inferno, e sim, e encoraja-nos a não ter medo de amar e perdoar a nós mesmos e os outros. Rezar me faz viver de fé, a querer ser santo e a desejar o céu que começa quando a caridade é realidade nas nossas vidas.

Antonio Marcos

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