2010-09-26

Dois extremos perigosos...


Uma pessoa me procurou aflita, após ouvir uma palestra sobre Falsas Doutrinas, e me confidenciou de sua angústia por considerar a Igreja omissa quando se trata de esclarecer as pessoas quanto às práticas de libertação, de exorcismo e cura interior. Os fieis – segundo ela – ficam expostos à sedução das seitas dissidentes do protestantismo, por sua vez tão numerosas no Brasil. Dei-lhe razão até certo sentido, mas lhe esclareci que a Igreja tem seus meios de tratar as questões, mas que não pode ceder às pressões de uma das formas errôneas de se viver hoje a relação com Deus.

E qual seria essa relação errônea de se viver a relação com Deus em nossos dias? Sem dúvida, a de espiritualizar todas as coisas e realidades, achando mesmo que isto ou aquilo ou vem de Deus ou de Satanás. Isto, evidentemente, toca a questão da responsabilidade da pessoa, inclusive em trabalhar as próprias fraquezas, as carências e os traumas. O que não pode é se deixar conduzir ao outro extremo de psicologizar todas as causas das ações humanas, ou seja, tudo considerando ser neurose ou psicose. Isto tem acarretado grandes prejuízos para o equilíbrio e maturidade espiritual na pessoa que crê.

Não nos faltam cristãos católicos bem intencionados, inclusive ministros ordenados, que agem desta forma, contando mais com os aspectos humanos e não ajudando a pessoa ao equilíbrio. Os escritores da espiritualidade moderna falam da crise da mística e também dos perigos de não se deixar ajudar pela ciência. Enfim, voltando para a responsabilidade da Igreja só posso lembrar com alegria que ela nos dá todos os meios de santificação: a vida de oração, a Palavra de Deus, os Sacramentos, de forma especial a Penitência e a Eucaristia, a orientação espiritual e todos os meios de esclarecimento e formação doutrinária.

Não considero que a Igreja esteja omissa quanto à questão me partilhada por esta pessoa, mas que ela deseja que o fiel católico faça uso consciente de todos os meios de santificação. Às vezes nossas missas de curas estão cheias na semana, mas quantos destes fieis vão à missa aos domingos, confessam-se, comungam, participam da comunidade? A vida cristã não é uma mágica ou uma seita, muito menos se concentra em apenas questões de “libertação”. Possessões existem porque Satanás existe; influências malignas existem porque Satanás continua a tentar os homens e a interferir nas suas decisões, mas o Sangue de Cristo é infinitamente mais poderoso e mais influente, sedutor e plenamente fonte de inteira libertação.

Sim, Jesus quer e está libertando por meio da Sua Igreja. A cura e o milagre não devem ser para o sensacionalismo e para a vanglória do pregador, muito menos para se tirar vantagens materiais. O que vemos na  televisão por parte das seitas é algo muito triste, mas, paciência! Vivamos a nossa fé, não buscando simplesmente “curas e milagres”, mas buscando a santidade na via da Igreja e, sobretudo, pela Caridade de Cristo. 

Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário