2010-09-16

Deus nunca quer anular a liberdade do homem!


Sr. Cardeal Raztinger, muitos têm dúvidas quando pensam na ação de Deus e na ação do Homem no mundo: será que o mundo foi realmente redimido? Será que ainda se pode chamar anos de salvação aos anos depois de Cristo?

Julgo que em relação a essas questões, é preciso começar por dizer que a salvação, a salvação vem de Deus, não é nenhuma grandeza quantitativa e, por isso, nenhuma grandeza que se possa adicionar. No que diz respeito aos conhecimentos técnicos, poderá existir na humanidade um crescimento que talvez não seja contínuo, mas que, em geral, o é de fato. O que é meramente quantitativo pode-se medir, e então pode-se verificar se é mais ou menos. Pelo contrário, não pode existir um progresso do mesmo tipo, que seja quantificável, no que diz respeito à bondade do homem, porque há uma novidade em cada pessoa e porque, por isso, a História começa de novo, de certo modo, em cada nova pessoa.

É muito importante aprender a fazer essa distinção. A bondade do Homem, para usar esta expressão, não é quantificável. Não se pode partir do pressuposto de que um cristianismo que no ano zero começa como grão de mostarda no fim teria de ter forma de uma árvore enorme e que se poderia ver como foi melhorando de um século para outro; pode-se sempre desmoronar-se e interromper-se, porque a redenção está sempre confiada à liberdade do Homem e porque Deus nunca quer anular essa liberdade.

Fonte: Cardeal Raztinger. Sal da Terra,1997.

0 comentários:

Postar um comentário