2010-09-13

"Boca de Ouro": padroeiro dos pregadores!


A Igreja celebra hoje a memória do bispo São João Crisóstomo (349-407). Nasceu em Antioquia, hoje Turquia. Tendo sido ordenado sacerdote, consagrou-se com grande fruto no ministério da pregação. Eleito bispo, tornou-se patriarca de Constantinopla no ano de 397. Foi perseguido e exilado por causa da defesa da fé. Era notável a sua diligência e competência na arte de falar e escrever no tocante à exposição nítida e fiel da Doutrina Católica. Dedicou-se brilhantemente na formação dos fiéis na vida cristã. Depois de sua morte passou a ser chamado de “boca de ouro” por ter sido um grande pregador. Doutor da Igreja, São Crisóstomo foi proclamado pelo papa São Pio X, padroeiro dos pregadores. É o mais conhecido dos Padres da Igreja grega.

A pregação e o testemunho

Nenhum de nós que já experimentou a força transformadora de uma pregação ungida é capaz de dizer que ela perdeu o seu sentido. Não pode perder e não há de perder porque a “fé vem pela pregação” (cf. Rm 10,17). Afirma o apóstolo Paulo. “Como crerão em Jesus se ninguém lhes anuncia?” (cf. Rm 10,14). A pregação do Evangelho é constitutiva do mandato do Senhor para que seja a Boa Nova anunciada a todos os homens, e assim está contida no tesouro da “tradição oral” da Igreja, a primeira forma de se passar os ensinamentos de Jesus antes mesmo dos primeiros livros inspirados. Hoje a pregação caminha paralela aos livros sagrados, melhor dizendo, ela continua a explicitá-los no anúncio do “Querigma”. Também a “tradição oral” é constitutiva da Religião Judaica onde o pai comunica ao filho os ensinamentos da Torá.

A pregação faz parte, sobretudo, da vocação de cada batizado, visto que nós somos os continuadores do processo de Salvação da humanidade, pois esta é uma teologia explicitada pelo Concílio Vaticano II. Todos somos chamados a anunciar a Palavra de Deus, não de qualquer modo, é claro, mas sob a orientação e interpretação do Magistério. Na Igreja a pregação sempre caminhou junto com o testemunho que a autêntica e, de fato, bem sabemos que pregar requer a comunhão entre conhecimento e vida, o que nunca foi fácil. Afirma o apóstolo Paulo: “E tu, depois de pregar a Boa Nova aos outros, cuida para que não sejas considerado indigno, reprovado” (cf. ICor 9,27) É célebre a expressão do papa Paulo VI: “O mundo precisa hoje mais de testemunhas do que de pregadores”. A máxima popular diz: “As palavras convencem. O testemunho arrasta!”

Bocas de ouro em nossos dias...

Temos necessidade de pregadores ungidos em nossos dias, pregadores ousados, mas que tenham conhecimento vivenciado e convicto da Palavra de Deus e da Doutrina da Igreja. Então poderíamos nos perguntar: quem é mesmo dentre nós que vive em plenitude o que sabe e o que crê? Acredito que ninguém ousa se acusar! Mas também é verdade que hoje sabemos muitas coisas, mas conhecemos pouco o tesouro de nossa fé, muito menos as Sagradas Escrituras. Eu me lembro que com a efervescência da RCC no Brasil, a efusão do Espírito Santo gerava nos corações dos “renovados” um desejo e amor à Palavra de Deus. Queríamos conhecê-la, amá-la e vivê-la para dar testemunho, anunciá-la, tornar Jesus conhecido. Eu me lembro dos papeis anotados com os versículos que tínhamos que lembrar na hora de “pregar a palavra” para alguém. Eu me lembro que tínhamos orgulho de andar com a Bíblia, por mais que nos identificássemos com os “protestantes”.

Sou imensamente grato a muitos irmãos padres e pregadores leigos que me fizeram apaixonar-me pela Palavra de Deus. Seja na Comunidade Católica Shalom ou em outros grupos da Igreja, impossível não lembrar com gratidão dos que sempre me deixaram extasiado com a beleza com que falavam das Sagradas Escrituras ou da Doutrina Católica. Costumo dizer para as pessoas que incalculável foi na minha vida a experiência dos “Cursos de Formação Básica” (FB) que fiz na Obra Shalom, quando era do grupo de oração. Tive a feliz oportunidade de estudar em módulos (cada um de duração de seis meses) todo o conteúdo do Credo Católico e mais a história da RCC no mundo e no Brasil.

Concluo consciente de que o desafio, o desejo e a necessidade maior são de viver a Palavra de Deus e os ensinamentos da nossa fé, belíssima fé, alegre fé. Encarná-la em nossa existência é se relacionar com a Pessoa de Jesus e Sua Igreja, portanto, não simplesmente com letras e histórias bonitas na Palavra e ainda com um conjunto de conceitos doutrinários e teológicos, mas fazer a contínua experiência de que nessa relação também o rosto de Deus vai sendo desenhado em nós. Não se trata de desanimar se estamos longe viver o que cremos, mas de perseverar na certeza de que nas Escrituras e na Sagrada Tradição está a vontade do Pai, o seu desígnio de felicidade para nós. Rezemos pelos pregadores do Evangelho, também por todos nós batizados, chamados à santidade e ao testemunho daquilo que cremos. A pregação da verdade é o que plenamente satisfaz o coração e a alma do homem. São Crisóstomo, “boca de ouro”, interceda para que os pregadores de hoje não tenham medo do ridículo para “anunciar dos telhados”. Interceda por todos nós batizados, evangelizadores com a palavra, sobretudo com a vida.

Antonio Marcos

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