2010-09-28

As horas em que a fé é provada


Não é tão difícil escutar alguém dizer - quase que batendo no peito - que se orgulha de ter fé, que “não é como aquele publicano” ou, quem sabe, como os tantos infelizes ateus ou ainda como os que desanimaram na fé. Alguns mais sarcásticos e provocadores, inclusive alguns que creem, agem como o tentador ao dizer ao Senhor, fazendo referência a Jó: “Ele te louva porque abençoastes seus empreendimentos, mas, retira o que ele tem e verás que sua fé será abalada e ainda te lançará no rosto as maldições!” (cf. Jó 1,10-12).  
Para a surpresa dos “sarcásticos crentes” a frustração é tamanha ao contemplarem àqueles que resistem à prova, e se assim se comportam não o fazem por si mesmos, mas porque “Aquele que está neles é maior do que Aquele que está no mundo” (cf. I Jo 4,4); porque fazem uso da graça e sabem que o Médico é para os doentes, e porque sabem reconhecer que a dor e as consequências deixadas pelo pecado podem ser oportunidades de conversão, de uma mudança de vida, de um retorno e reencontro, que o diga o filho pródigo.
Não há nenhuma derrota pelo fato de deixarmos transparecer que estamos como vasos quebrados dentro de nós, que há lágrimas e dores tantas vezes, mas que não podemos deixar que sufoquem em nós a esperança e a fé. É exatamente nessa hora que a fé deve ganhar um sentido ímpar e uma força incalculável. Nessas horas vemos que a fé está para além do ato litúrgico e para além, inclusive, das expectativas frustradas que nós e os outros lançamos sobre nós mesmos. Existe uma dimensão da fé que se manifesta incomparavelmente na hora da prova, da dor, da solidão e da purificação. Importa se interrogar em Deus, nunca sozinho, se esta ou aquela prova, este ou aquele erro serviu para o meu crescimento. “Só por ouvir dizer, te conhecia; mas agora, viram-te meus olhos” (Jó 42,5). Recomecemos tudo de novo quantas vezes for preciso! Isto é fé provada!
Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário