2010-08-18

Ter “ficha limpa” não é o suficiente para a escolha política


A filosofia e a teologia têm discutido amplamente as contradições do pensamento moderno quando tentou resgatar o individual, a subjetividade sustentada na grande base da racionalidade. Por outro lado esse pensamento moderno pendeu para o outro extremo: esqueceu o social, o coletivo, o bem comum. Agora o social está subordinado ao individual. Aqui não se nega as deficiências da lei que acaba sendo flexível demais quando esse individual está assegurado pelo poder econômico. Quem não escuta tanto: “Aqui no Brasil só vai para a cadeia quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado?” Temos visto um pouco de mudanças nessa realidade, mas ainda permanece muito tímida.

A “Lei da Ficha Limpa” tem sido uma vitória do povo brasileiro, sem dúvida, e com forte colaboração da iniciativa da Igreja. No entanto, a pessoa de má intenção se articula para sempre driblar a lei ou, simplesmente, usa de má fé para se promover em nome dos “sujos na justiça”, tendo assim a oportunidade de vender o seu peixe, só que os resultados favorecem os cofres pessoais, o benefício individual ou de uma minoria. Não nos enganemos: o termo “Ficha Limpa” se tornou requisito no discurso dos políticos, no marketing e, o pior, muitos não têm propostas coerentes e nem histórico junto às causas do povo, no entanto, estão ai se proclamando “limpos” na justiça. A Lei da Ficha Limpa é muito importante, mas precisa ser acoplada a outros requisitos para a escolha do candidato. É impressionante quando se ouve a pessoa dizer simplesmente: “Sou ficha limpa, votem em mim!”. Atenção: Ter ficha limpa na justiça não é o suficiente para a escolha do candidato.

Em cada período de campanha política ficamos sempre numa encruzilhada quando temos de escolher candidatos opostos em suas ideias evidentemente, mas que deixam transparecer suas propostas deficientes e suas mentalidades incompatíveis com os valores do bem comum e que comprometem a integralidade da pessoa. E é bom que já consigamos hoje captar essas deficiências de forma mais nítida, porém, muitos se perguntam: será que teremos sempre que escolher “a opção menos ruim?” É lamentável! No entanto, que se saiba: quando a questão da política participa mais da nossa cotidianidade, ainda que seja lendo, pensando, refletindo, participando no diálogo e na troca de ideias com as pessoas, certamente já colaboramos muito para que novas pessoas despertem o carisma à política e também conheçamos mais as ideias dos outros. Daí fica mais fácil identificar os que são doutores em driblar a lei e se autopromoverem.

Escolher um bom candidato pede alguns requisitos fundamentais não simplesmente o estar limpo na justiça, o que já é muita coisa, uma grande conquista do povo brasileiro, mas não pode responder por tudo quando se pensa num representante político para quatro ou mais anos. As coisas estão mudando, graças a Deus, graças à atuação da nossa consciência e responsabilidade de filho de Deus e de cidadão. Assim como já contemplamos as mudanças na justiça brasileira, vendo aos poucos a cadeia sendo ocupada também pelos que têm dinheiro, precisamos também acreditar que podemos reverter a situação dos cargos políticos ocupados por tantos que deveriam estar em qualquer outro lugar, menos como representantes dos direitos do povo, de cada indivíduo, da sociedade. Se a ficha limpa não é suficiente, mas apenas um dos importantes requisitos para a escolha, o voto sim, será sempre a consumação da boa junção dos requisitos para a escolha política e assim construirmos a mudança definitiva.

Antonio Marcos

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