2010-08-26

Só a misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto


Um padre professor de Moral Sexual relatava nesses dias, em sala de aula, que a carga de sentimento de culpa que permanece na maioria das mulheres que praticam o aborto é assustadora. Por mais que se oriente a esta mulher que, independente das circunstâncias que a levaram ao pecado de matar uma vida inocente, se verdadeiramente houve um arrependimento sincero, a confissão sacramental e o propósito de recomeçar, este pecado foi apagado, Deus já não lembra mais dos nossos pecados. No entanto – dizia o professor -, vocês não têm ideia do quanto um aborto prejudica emocionalmente e psiquicamente uma mulher. Pesquisas mostram que muitas delas procuram, mesmo depois de confessado o pecado, uma orientação espiritual e até tratamento terapêutico, ainda que os fatores circunstanciais para o ato do aborto tenham tornado o crime de menor gravidade.
A comunhão biológica e psíquica que tem a mãe com o filho é algo muito profundo. Quando vemos uma mulher gestante conversando com o filho que traz dentro de si, isto é significativo e esta relação é verdadeira e de fato uma comunicação com o filho. O bebê sente tais estímulos, sejam os que provêm do amor ou da rejeição da mãe. Não somente as drogas, o álcool, o cigarro e outros fatores prejudicam o bebê, mas também o emocional e o psíquico da mãe. Claro, não falo de determinismo freudiano, mas das comprovadas influências da genitora para com a sua prole. Quanto à decisão para o aborto, sabemos que muitas mulheres são induzidas e forçadas a tal ato. Este acontece nas situações mais diversificadas que possamos imaginar e, é claro, para a fé católica e para a lei natural, um aborto nunca pode ser justificado. A Igreja compreende o sofrimento da mãe, mas a Igreja defende, incondicionalmente, a vida, principalmente a vida indefesa. E isto não se dá por princípios doutrinários ou morais, mas unicamente por causa do Evangelho e do valor absoluto e universal da vida.
A Igreja sabe perfeitamente que após o aborto a maioria das mulheres se vê atormentada pela culpa. A mamãe que aborta, quase sempre, vive um grande arrependimento ao ponto que, se pudesse voltar atrás, especialmente depois que passou a situação que a levou a tal decisão, jamais faria a mesma coisa, mas preferiria arriscar a própria vida, a imagem pessoal, o prestígio familiar, o trabalho e o corpo para escolher o filho. Algumas mulheres, além das sequelas na saúde, vivem um martírio na consciência por não perdoarem a si mesmas no tocante à decisão feita pelo aborto. É de considerar que muitas mulheres não tinham a plena consciência da gravidade do ato quando o praticaram.       
Sabemos que ninguém melhor faz um trabalho de orientação a uma mãe aflita quando pensa no aborto, do que a Igreja. Quando ela pede para que mulher evite o aborto, que nunca opte pela morte do bebê, não o faz de forma irresponsável, mas dá as devidas razões e ampara esta mulher no consolo espiritual e humano para que escolha sempre a vida, ainda que comprometa a sua, inclusive, orienta a medicina quando em situações de risco de morte para a mãe, que procure o máximo salvar a vida da mamãe e da criança, mas nunca interromper a vida, dom de Deus. No entanto, se isto não foi possível, seja lá por qual motivo, a Igreja concede a graça do sacramento da confissão para que esta filha de Deus seja perdoada e recomece a sua vida. A Igreja nunca será a favor do aborto, mas não desampara quem o praticou, pois sabe que somente misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto.
A Igreja é mãe e sabe que o pecado é menor que o Sacrifício de Cristo na Cruz, por mais que tenha sido um crime contra uma vida inocente. O homem pecador, lançado nas mãos de Deus e de sua misericórdia, é capaz de recomeçar de novo. Sim, repito, só a misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto. “Mulher, ninguém te condenou? Disse ela: Ninguém, Senhor. Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais!” (cf. Jo 8,10-11). Peço a ti, Santa Diana Beretta Molla, que intercedas por todas essas mulheres que sofrem a dor deixada pelo aborto. Com a graça do perdão de Deus, sejam curadas, recomeçem e escolham sempre a vida!  
Antonio Marcos

Um comentário:

  1. O aborto é a exploração máxima da mulher!É algo tão vergonhoso e secreto,que muitas mulheres nunca dizem a ninguém que fizeram um aborto,elas ficam 20,30,40,55, anos sem nem dizer nada.Ficam tão traumatizadas que silenciam.
    Se soubéssemos sobre o que o aborto realmente faz nas mulheres,sem falar do bebê não nascido,nossos bebês mortos,tudo isso terminaria!


    belo artigo amigo!

    ResponderExcluir