2010-08-30

A Mulher, a Maternidade e o Progresso


A maternidade é constitutiva do ser feminino, está inserida no processo natural-biológico-psíquico da mulher como em toda a sua personalidade. Toda mulher traz essa marca maravilhosa, nobilíssima no seu ser, que é o dom da maternidade. Evidentemente são muitas as razões que fazem com que muitas mulheres não concretizem a maternidade biológica. Mesmo assim não estão destinadas à infelicidade e a não realização mais profunda. Portanto, não é justo dizer que a “identidade da mulher como mãe passou”. Ser Mãe é um dom de Deus, missão confiada à mulher, vocacionada a participar juntamente com o homem, do plano co-criador de Deus. Nesse sentido compreende-se que também ser dona de casa não é uma escravidão, mas motivo de alegria para uma finitude de mulheres.

Infelizmente o percurso da história tem registrado não poucos abusos e a deturpação da identidade e missão da mulher, identificados unicamente com a procriação, com a vida doméstica por considerar a mulher inferior e não digna de uma participação na vida civil e científica ou mesmo religiosa. Isso tem manchado a vocação da mulher à maternidade. O certo é que há uma missão para o homem e para a mulher, como casal, junto à Família e junto ao lar. Não podemos considerar a “economia doméstica” fora do contexto do cultivo e da atuação de uma “Igreja Doméstica” onde os pais educam seus filhos no amor, onde os cônjuges se acolhem e se amam, onde a maternidade e a paternidade expressam uma dimensão do amor e da comunhão vivida na Santíssima Trindade, à qual todos são chamados a viver.

É incontável o número de mulheres que se dedicam aos seus lares e não por falta de capacitação para o mercado e, portanto, não se sentem escravas do marido, rebaixadas e ridicularizadas, “menos mulher” e “menos colaboradora” do progresso por viverem assim. Temos que saber separar as coisas quando queremos exaltar a conquista da mulher na modernidade e na contemporaneidade.

O que a mulher, Igreja e a cultura moderna denunciam é o machismo e essa banalização dos altíssimos valores da mulher. Não se trata de querer agora uma mulher sem lar, sem seus filhos, sem o esposo, sem a alegria gratificante e a missão insubstituível da mulher no lar e na família. O progresso é bom e são louváveis as conquistas na promoção e missão da mulher, o que é possível ver as inúmeras coisas boas e, ao mesmo tempo, as conseqüências devido às ideologias, os interesses econômicos, hedonistas e utilitaristas que se escondem por trás do chamado “novo papel da mulher”, mas que na verdade não querem exaltar a dignidade da mulher, mas outros fins. É lamentável o que vemos hoje acontecer quanto à tentativa de manipulação dos valores da mulher como pessoa e como feminino, usando assim a mulher para interesses egoístas e promoção de questões ideológicas.

Quando for preciso exaltar e defender o novo papel feminino, evitemos fazer reducionismos prejudiciais para a própria mulher, para o matrimônio, para a família e para a sociedade. E aqui nós poderíamos falar do direito fundamental à vida e o dever incondicional da mulher em protegê-la. O matrimônio, os filhos e o lar nunca podem ser considerados coisas do passado, mas são também direitos fundamentais e não podem ser violados, pois isso sim, seria escravidão à modernidade e ferida na dignidade da mulher. Esta não é uma máquina produtiva, mas uma pessoa que ama e precisa ser amada.

Antonio Marcos

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