Mamães, nunca desistam de rezar e de acreditar na mudança de vossos filhos!

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, agosto 27, 2010 Sem Comentários

Tenho a necessidade de aqui partilhar, por ocasião da memória de Santa Mônica (África, 331-387), sobre o ideal da vida cristã e da maternidade. É extraordinário o testemunho das virtudes desta mulher, desta filha de Deus, católica, casada e mãe de vários filhos, dentre eles um que lhe causara, por muitos anos, abundantes e doloridas lágrimas. Ele, o filho Agostinho, foi quem incluiu de forma feliz a memória de sua querida mãe Mônica na história, deixando o registro das suas lágrimas e orações, sobretudo de sua fé, na sua mais preciosa obra, Confissões (9ª Edição, Livro IX, 8-13).
Certamente as concepções de Freud no que diz respeito ao determinismo das circunstâncias amargas na história de vida pessoal, não puderam se confirmar com a vida de Mônica. Esta é mais uma mulher que teria tudo para ser a pessoa mais infeliz, quer na vida cristã e matrimonial, quer na sua maternidade, e não pelas decepções em si, mas pela desistência de acreditar em seus ideais quando foram provados e levados às lagrimas. Ao contrário, Mônica respondeu aos seus desafios se valendo da fé, que não lhe era amuleto, mas vínculo que a mantinha em relação íntima com o Deus providente.
É o próprio Agostinho que fala da severa educação que teve sua mãe, do sofrimento de ter sido entregue a um marido que, embora de coração bom, tinha um temperamento colérico. Embora fosse bem sucedido economicamente, Patrício era infiel à Mônica e não se pode negar que, possivelmente, em alguma circunstância tenha agredido-a. No entanto – relata Agostinho -, Mônica preferiu sempre proteger o temperamento do esposo, não expondo o marido a falatórios, como também não vivia passivamente, mas trabalhava incansavelmente a conversão do marido, tanto pelas palavras  quanto pela oração incansável. Depois que o filho Agostinho enveredou pelos caminhos tortuosos, pois, sendo ele de grandes paixões humanas, dado às mulheres e aventuras que o tornavam desregrado na conduta moral, começou então o maior de todos os calvários de Mônica. Ela se decidiu arriscar toda a sua vida para ganhar o marido e o filho para Deus.
Depois de rezar quase 20 anos pela conversão do filho, onde dia e noite derramou suas lágrimas, Mônica teve a alegria de morrer em paz  após contemplar a vida fútil do filho se tornar um fruto de salvação para os homens. Agostinho encontrou a verdade, foi conquistado pela fé, recebeu o batismo, ordenou-se sacerdote, eleito para o episcopado e tornou-se um dos maiores intelectuais e teólogos que a humanidade e a Igreja já conheceram. Depois da conversão de Agostinho, Mônica fez esta confissão: “Meu filho, nada mais me atrai nesta vida; não sei o que estou ainda fazendo aqui, nem por que estou ainda aqui. (...) Por um só motivo eu desejava prolongar a vida nesta terra: ver-te católico antes de morrer. Deus me satisfez amplamente, porque te vejo desprezar a felicidade terrena para servi-Lo. Por isso, o que é que estou fazendo aqui?” (Confissões, 9ª Edição, Livro IX, 10,26).
Mônica teve ainda a felicidade, antes de morrer, de contemplar também a conversão do esposo. Ela foi para Agostinho um instrumento de Deus,  mãe fiel em todas as horas, âncora, sustento, amizade, confiança, perseverança em acreditar que Deus pode atrair e tocar o coração de um filho, por mais que se encontre na miséria do pecado e das escravidões deste mundo. Mônica viveu de modo virtuoso e exemplar o ideal da mãe cristã. “Ela ligou a terra ao céu, o profano ao sagrado” quando nunca desistiu de rezar e quando se decidiu  doar-se plenamente pela conversão do esposo e do filho. Mamães, nunca desistam de rezar e acreditar na mudança de vossos filhos. Nunca percam de vista a autoridade que vocês receberam de Deus. Vós sois representantes de Deus, juntamente com os papais, na vida dos vossos filhos. Não desistam deles, ainda que a dor e as lágrimas dilacerem seus corações. Rezo para que cada mamãe aprenda com a vida de Santa Mônica, pois ela fora uma mulher comum como qualquer outra, com um histórico de vida marcada por dores e sofrimentos, mas que contemplou a mudança pela força da fé e da oração. Um bonito testemunho de vida cristã, um modelo a ser seguido! 
Antonio Marcos