2010-08-22

Ele mesmo nos ensinou que o caminho da porta estreita conduz à vida eterna


Continuo minha partilha neste novo artigo (que não ficou breve) sobre as palavras do Pe. Marcos Chagas, na homilia do sábado passado, no Shalom da Paz. Quando fez menção ao Evangelho, Lc 13, 22-30, ajudou-nos a refletir sobre as palavras de Jesus respondidas a quem lhe perguntara “se são poucos os que se salvam”: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, ao lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ (...)” (Lc 13,23-25).
“Senhor, eu fiz isto e aquilo...”, pois bem, nunca digam isto pra Jesus! Este tipo de contabilidade para a salvação não corresponde à gratuidade da misericórdia de Deus. As ações, embora necessárias e indispensáveis à vida cristã, não são suficientes para a salvação. Da mesma forma se dá com o conhecimento. Tem gente que sabe tanta coisa, que entende com mais facilidade esse nó de informações e saberes, entretanto, se isto não se torna vida, não se processa na existência, de nada vale. Cabe a você conhecer a vontade de Deus e corresponder a ela com generosidade. E esta vontade de Deus passa, necessariamente, pela pequenez, pela humildade, pelo amor capaz de altruísmo, de comunicar aos outros que há uma vida melhor, feliz, quando compreendemos e aderimos à porta estreita, dizia-nos Pe. Marcos. 
“Meus caros e minhas caras”, nós somos felizes! O que experimentamos da vida nova em Jesus Cristo não pode ser tragada por nossas fraquezas e pelas circunstâncias, mas precisa ser alimentada pela pequenez e abandono nas mãos de Deus, como também precisa ser levada ao outros. Conto-lhes uma história rica de sentido para vos fazer compreender que o que encontramos em Cristo supera todas as coisas, porque Ele porta em Si mesmo uma superabundância de bens e de felicidade. Ele é a nossa felicidade. Eis a história: Trata-se de um aquário onde habitavam alguns peixes pequenos e grandes, mas a água era turva e tornava aquela vida insuportável, triste, sem perspectiva, no entanto, os peixes se acomodaram àquele tipo de vida. Acontece que um dos peixes percebeu existir um buraco pequeno naquele aquário. Desejava entrar nele pra saber o que tinha do outro lado. Para isso teve que “fazer regime”, “perder muita coisa” para passar, até que conseguiu. Ao entrar pelo buraco encontrou muito lodo, mas perseverou, mexeu-se muito e desembocou num lago onde constavam outros tipos de peixes, mais oxigênio e já dava pra ver a natureza. Prosseguiu o desbravar e foi lançado no rio, maravilhoso rio: árvores, profundidade, natureza, comida, etc. O peixinho quis ir mais adiante e, para a sua imensa surpresa, o rio o levou para o oceano, que dispensa comentários quando se trata da chegada do peixe neste paraíso de habitat! 
O Peixinho pensou consigo: “Estou feliz, por isso vou voltar, enfrentar a correnteza e contar aos que estão naquele aquário que há uma vida feliz além daquelas águas turvas e daquele espaço, e assim o fez. Não foi fácil, mas valeria a pena passar por tudo para contar aos outros sobre a felicidade que encontrou. Acontece que quando chegou lá e deu a notícia aos amigos, eles não acreditaram e pensaram ser aquilo loucura. Acomodados com aquela vida e “importunados” por um desafio que exigiria deles “renúncias para entrar naquele buraco estreito”, resolveram matar o peixinho e o comeram. Pronto! E perguntava sorrindo, Pe. Marcos: Que história com fim trágico, não é minha gente? Por que não um final mais feliz? Coitado do peixinho e daqueles cabeça dura!
Agora vejam: o Peixe Eucarístico também morreu. Mas Deus o Ressuscitou para a nossa salvação! Jesus está vivo e vive conosco. Daí que, como já disse, somos felizes porque o encontramos e queremos conformar a nossa vida à dele! Vale a pena as renúncias, as purificações, as lágrimas, a espera, a paciência, o perdão, o recomeço quantas vezes for necessário e vale a pena todos os riscos para contar a outros o que Deus fez a nós, porque Ele mesmo nos ensinou que o caminho da porta estreita conduz à vida eterna. Concluo com o testemunho de Santo Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da história da Igreja, um homem de inteligência formidável e que deixou escritos preciosos na compreensão da fé católica e dos mistérios da vida humana. Um dia, já tendo feito tanto pela Igreja através dos escritos e do seu pastoreio, Tomás de Aquino teve uma experiência mística com o Senhor, na qual Ele disse a Tomás: “Filho, escreveste tão bem sobre mim e meus mistérios, o que queres que eu te dê? Tomás de Aquino respondeu: “Senhor, nada me interessa, nada quero, se não a Ti mesmo!” Cristo é o maior acontecimento e o maior tesouro de nossas vidas. Tudo vale a pena quando nos leva para mais perto dele. A porta estreita é o segredo! Não tenhamos medo de perder a nossa vida para encontrá-la no Senhor.  
Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário