A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2010-08-31

Sozinho eu não posso mais!


Bem sabemos que não precisamos fazer grandes coisas para que nossas trevas sejam iluminadas, mas somente permitir que a ação do Espírito Santo aconteça no nosso coração. A espiritualidade chama de ser dócil ao Espírito Santo. Porém, perguntamo-nos: e isto é fácil? Nem sempre como deveria ser! Já não falo dos que estão “distantes da vida cristã”, mas dos que, pelos menos, acreditam estar a caminho.
Para nós, os católicos, o Espírito Santo além de ter sido nos dado no ato do Batismo, é renovado em nós pela vida Sacramental, graças à Igreja, Corpo Místico de Cristo, dispensadora das graças da Salvação. No entanto, tudo implica a nossa colaboração, a ação deliberada de nossa vontade. Deus não pode forçar quem não quer mudar; e quem não quer mudar acaba encontrando desculpa em tudo ou culpando os outros e as circunstâncias. O certo é que não somos capazes por nós mesmos de perscrutar nossos abismos, trevas e pecados, mas somente a graça de Deus pode realizar isto em nós, não há outro caminho. E bem sabemos que enxergar a nossa fraqueza sem os olhos de Deus é nos autocondenarmos. O fato é que nem mesmo a nossa permanência na Igreja, as nossas obrigações religiosas, as nossas funções e ministérios podem, por eles mesmos, nos converter. Tudo é um processo que requer a indispensável comunhão que se vai dando entre vida e graça de Deus.
O que aconteceu na Sinagoga em Cafarnaum (cf. Lc 4, 31-37) expressa bem essa realidade. Aquele homem estava ali presente e, quem sabe, era assíduo, cumpria suas obrigações religiosas corretamente, mas estava, ao mesmo tempo, possuído de um espírito impuro, se sabe lá desde quando. Narra o evangelista que a presença de Jesus e o seu ensinamento com autoridade provocaram uma manifestação do espírito impuro e sua expulsão da vida daquele homem. A luz havia alcançado aquele coração. A simples presença de Jesus foi o suficiente para a libertação porque as trevas já não podem coabitar com a luz. Quando verdadeiramente Jesus alcança nossa vida queremos mudar, as coisas em nós reagem, as nossas trevas se manifestam. O ensinamento com autoridade foi capaz de comunicar o poder da graça, da cura e da libertação.   
Estamos, de fato, vivendo um tempo de muitas informações e até formações religiosas. Hoje não nos faltam tantos conteúdos sobre a fé e até podemos dispor de leituras e do dom para escrever, pregar, ensinar, no entanto, nem sempre significa que estão nos libertando o tanto quanto deveriam. O que nos falta? Talvez, em grande parte, falta-nos um ensinamento com autoridade. Não acredito ser culpa da formação em si, levando em conta os excessos, mas a falta de convicção e coerência de vida de quem ensina, como também, da parte de quem recebe a formação, a abertura do coração para se deixar alcançar pela graça de Deus, livrando-se do engano de que o Espírito Santo – que age como quer e quando quer -, realiza em nós uma ação mágica, o que não o é, mas nos liberta e santifica. Vem Espírito Santo e me ajuda a tornar disponível o meu coração para que o Sangue de Jesus expulse meus espíritos impuros! Vem Espírito, Vem Espírito, sozinho eu não posso mais! 

Antonio Marcos

2010-08-30

A Mulher, a Maternidade e o Progresso


A maternidade é constitutiva do ser feminino, está inserida no processo natural-biológico-psíquico da mulher como em toda a sua personalidade. Toda mulher traz essa marca maravilhosa, nobilíssima no seu ser, que é o dom da maternidade. Evidentemente são muitas as razões que fazem com que muitas mulheres não concretizem a maternidade biológica. Mesmo assim não estão destinadas à infelicidade e a não realização mais profunda. Portanto, não é justo dizer que a “identidade da mulher como mãe passou”. Ser Mãe é um dom de Deus, missão confiada à mulher, vocacionada a participar juntamente com o homem, do plano co-criador de Deus. Nesse sentido compreende-se que também ser dona de casa não é uma escravidão, mas motivo de alegria para uma finitude de mulheres.

Infelizmente o percurso da história tem registrado não poucos abusos e a deturpação da identidade e missão da mulher, identificados unicamente com a procriação, com a vida doméstica por considerar a mulher inferior e não digna de uma participação na vida civil e científica ou mesmo religiosa. Isso tem manchado a vocação da mulher à maternidade. O certo é que há uma missão para o homem e para a mulher, como casal, junto à Família e junto ao lar. Não podemos considerar a “economia doméstica” fora do contexto do cultivo e da atuação de uma “Igreja Doméstica” onde os pais educam seus filhos no amor, onde os cônjuges se acolhem e se amam, onde a maternidade e a paternidade expressam uma dimensão do amor e da comunhão vivida na Santíssima Trindade, à qual todos são chamados a viver.

É incontável o número de mulheres que se dedicam aos seus lares e não por falta de capacitação para o mercado e, portanto, não se sentem escravas do marido, rebaixadas e ridicularizadas, “menos mulher” e “menos colaboradora” do progresso por viverem assim. Temos que saber separar as coisas quando queremos exaltar a conquista da mulher na modernidade e na contemporaneidade.

O que a mulher, Igreja e a cultura moderna denunciam é o machismo e essa banalização dos altíssimos valores da mulher. Não se trata de querer agora uma mulher sem lar, sem seus filhos, sem o esposo, sem a alegria gratificante e a missão insubstituível da mulher no lar e na família. O progresso é bom e são louváveis as conquistas na promoção e missão da mulher, o que é possível ver as inúmeras coisas boas e, ao mesmo tempo, as conseqüências devido às ideologias, os interesses econômicos, hedonistas e utilitaristas que se escondem por trás do chamado “novo papel da mulher”, mas que na verdade não querem exaltar a dignidade da mulher, mas outros fins. É lamentável o que vemos hoje acontecer quanto à tentativa de manipulação dos valores da mulher como pessoa e como feminino, usando assim a mulher para interesses egoístas e promoção de questões ideológicas.

Quando for preciso exaltar e defender o novo papel feminino, evitemos fazer reducionismos prejudiciais para a própria mulher, para o matrimônio, para a família e para a sociedade. E aqui nós poderíamos falar do direito fundamental à vida e o dever incondicional da mulher em protegê-la. O matrimônio, os filhos e o lar nunca podem ser considerados coisas do passado, mas são também direitos fundamentais e não podem ser violados, pois isso sim, seria escravidão à modernidade e ferida na dignidade da mulher. Esta não é uma máquina produtiva, mas uma pessoa que ama e precisa ser amada.

Antonio Marcos

2010-08-28

Tocaste-me o coração com tua palavra, e comecei a amar-te!


Estamos concluindo o mês das vocações e, providencialmente, a Igreja celebra Santo Agostinho no dia 28 de agosto. Eis um dos grandes testemunhos de conversão, fruto da ação de Deus, que é “fonte de toda misericórdia e que converte os homens pelos caminhos mais estranhos” (Confissões, 9ª Ed. Livro IV,4,7). Foi no seu “caminho estranho” que a verdade o procurava por toda parte (L. VIII,1,1). Deus se antecipa sempre porque Ele é o primeiro interessado na nossa felicidade. Ao nos criar, colocou em nós uma vocação e no tempo certo cuidará de despertá-la. Deus pede sempre aquilo que já nos concedeu. As inspirações de Deus têm origem na Sua própria graça e iniciativa. Tudo o que precisa é que o homem se deixe alcançar, conquistar, seduzir e amar. Ah, se te deixares amar pelo Senhor, também farás o maior de todos os elogios da literatura cristã: “Ó Beleza tão antiga e tão nova! (...) Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!” (cf. L. X,27,38).
Retorna sempre nesta feliz ocasião a reflexão sobre os desígnios de Deus quanto à vocação de uma pessoa. Desígnios esses misteriosos, mas concretos e felizes! Quando imaginamos a vida do jovem Agostinho com sua extraordinária capacidade intelectual, suas habilidades com o pensamento e com a oratória, ao mesmo tempo, suas vicissitudes e sombras nos aspectos morais, como ainda as experiências obscuras com as ideologias e filosofias religiosas, ficamos a nos admirar com a eleição divina. Ela vai ai onde estamos! Não dá pra fugir da voz de Deus, e Ele sabe que  a nossa liberdade deve ser sempre respeitada de forma incondicional. Mas Deus interpela e vai a procura quando marca uma pessoa para uma vocação específica. Os fatos, as circunstâncias, as pessoas, os relacionamentos, a oração, o cotidiano da vida, as dores e contradições, os planos e até mesmo o sucesso profissional e familiar, nada disto ofusca a voz de Deus quando ele chama! Isso acontece porque “a luz já se encontra no nosso interior” (L. VIII, 7,11).
E como se dá a resposta? Dá-se mediante a experiência com o amor de Deus. Só o amor explica a missão, a entrega, a oferta, o deixar tudo e a todos para seguir adiante. Ainda que pareça loucura aos olhos de todos, só o amor nos convence de que vale a pena. “Que exulte e prefira encontrar-te, não te compreendendo, a não te encontrar, compreendo” (L. I,6,10). Foi isso que aconteceu dentro do coração, da razão e da alma de Agostinho. Não tinha a presunção de compreender os desígnios de Deus pra sua vida, mas o que lhe importava era encontrar a vontade de Deus. Embora muito inteligente, soube se render diante do mistério da eleição. Amar a Deus para Agostinho era a verdade mais fundamental e o que lhe sustentaria até o fim. Belíssima e profunda a sua confissão: “Estou seguro, Senhor, de que te amo; disso não tenho dúvidas. Tocaste-me o coração com a tua palavra, e comecei a amar-te” (L. X, 6,8). Não tenha medo meu caríssimo jovem em responder ao chamado de Deus na sua vida. Se realmente provaste e te deixaste possuir pelo Seu amor, absolutamente, nada te impedirá de seguir o Senhor, pois, “inquieto estará sempre o teu coração, enquanto não repousares na vontade de Deus pra tua vida” (cf. L.I,1,1). Coragem!
Antonio Marcos

2010-08-27

Mamães, nunca desistam de rezar e de acreditar na mudança de vossos filhos!


Tenho a necessidade de aqui partilhar, por ocasião da memória de Santa Mônica (África, 331-387), sobre o ideal da vida cristã e da maternidade. É extraordinário o testemunho das virtudes desta mulher, desta filha de Deus, católica, casada e mãe de vários filhos, dentre eles um que lhe causara, por muitos anos, abundantes e doloridas lágrimas. Ele, o filho Agostinho, foi quem incluiu de forma feliz a memória de sua querida mãe Mônica na história, deixando o registro das suas lágrimas e orações, sobretudo de sua fé, na sua mais preciosa obra, Confissões (9ª Edição, Livro IX, 8-13).
Certamente as concepções de Freud no que diz respeito ao determinismo das circunstâncias amargas na história de vida pessoal, não puderam se confirmar com a vida de Mônica. Esta é mais uma mulher que teria tudo para ser a pessoa mais infeliz, quer na vida cristã e matrimonial, quer na sua maternidade, e não pelas decepções em si, mas pela desistência de acreditar em seus ideais quando foram provados e levados às lagrimas. Ao contrário, Mônica respondeu aos seus desafios se valendo da fé, que não lhe era amuleto, mas vínculo que a mantinha em relação íntima com o Deus providente.
É o próprio Agostinho que fala da severa educação que teve sua mãe, do sofrimento de ter sido entregue a um marido que, embora de coração bom, tinha um temperamento colérico. Embora fosse bem sucedido economicamente, Patrício era infiel à Mônica e não se pode negar que, possivelmente, em alguma circunstância tenha agredido-a. No entanto – relata Agostinho -, Mônica preferiu sempre proteger o temperamento do esposo, não expondo o marido a falatórios, como também não vivia passivamente, mas trabalhava incansavelmente a conversão do marido, tanto pelas palavras  quanto pela oração incansável. Depois que o filho Agostinho enveredou pelos caminhos tortuosos, pois, sendo ele de grandes paixões humanas, dado às mulheres e aventuras que o tornavam desregrado na conduta moral, começou então o maior de todos os calvários de Mônica. Ela se decidiu arriscar toda a sua vida para ganhar o marido e o filho para Deus.
Depois de rezar quase 20 anos pela conversão do filho, onde dia e noite derramou suas lágrimas, Mônica teve a alegria de morrer em paz  após contemplar a vida fútil do filho se tornar um fruto de salvação para os homens. Agostinho encontrou a verdade, foi conquistado pela fé, recebeu o batismo, ordenou-se sacerdote, eleito para o episcopado e tornou-se um dos maiores intelectuais e teólogos que a humanidade e a Igreja já conheceram. Depois da conversão de Agostinho, Mônica fez esta confissão: “Meu filho, nada mais me atrai nesta vida; não sei o que estou ainda fazendo aqui, nem por que estou ainda aqui. (...) Por um só motivo eu desejava prolongar a vida nesta terra: ver-te católico antes de morrer. Deus me satisfez amplamente, porque te vejo desprezar a felicidade terrena para servi-Lo. Por isso, o que é que estou fazendo aqui?” (Confissões, 9ª Edição, Livro IX, 10,26).
Mônica teve ainda a felicidade, antes de morrer, de contemplar também a conversão do esposo. Ela foi para Agostinho um instrumento de Deus,  mãe fiel em todas as horas, âncora, sustento, amizade, confiança, perseverança em acreditar que Deus pode atrair e tocar o coração de um filho, por mais que se encontre na miséria do pecado e das escravidões deste mundo. Mônica viveu de modo virtuoso e exemplar o ideal da mãe cristã. “Ela ligou a terra ao céu, o profano ao sagrado” quando nunca desistiu de rezar e quando se decidiu  doar-se plenamente pela conversão do esposo e do filho. Mamães, nunca desistam de rezar e acreditar na mudança de vossos filhos. Nunca percam de vista a autoridade que vocês receberam de Deus. Vós sois representantes de Deus, juntamente com os papais, na vida dos vossos filhos. Não desistam deles, ainda que a dor e as lágrimas dilacerem seus corações. Rezo para que cada mamãe aprenda com a vida de Santa Mônica, pois ela fora uma mulher comum como qualquer outra, com um histórico de vida marcada por dores e sofrimentos, mas que contemplou a mudança pela força da fé e da oração. Um bonito testemunho de vida cristã, um modelo a ser seguido! 
Antonio Marcos 

2010-08-26

Só a misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto


Um padre professor de Moral Sexual relatava nesses dias, em sala de aula, que a carga de sentimento de culpa que permanece na maioria das mulheres que praticam o aborto é assustadora. Por mais que se oriente a esta mulher que, independente das circunstâncias que a levaram ao pecado de matar uma vida inocente, se verdadeiramente houve um arrependimento sincero, a confissão sacramental e o propósito de recomeçar, este pecado foi apagado, Deus já não lembra mais dos nossos pecados. No entanto – dizia o professor -, vocês não têm ideia do quanto um aborto prejudica emocionalmente e psiquicamente uma mulher. Pesquisas mostram que muitas delas procuram, mesmo depois de confessado o pecado, uma orientação espiritual e até tratamento terapêutico, ainda que os fatores circunstanciais para o ato do aborto tenham tornado o crime de menor gravidade.
A comunhão biológica e psíquica que tem a mãe com o filho é algo muito profundo. Quando vemos uma mulher gestante conversando com o filho que traz dentro de si, isto é significativo e esta relação é verdadeira e de fato uma comunicação com o filho. O bebê sente tais estímulos, sejam os que provêm do amor ou da rejeição da mãe. Não somente as drogas, o álcool, o cigarro e outros fatores prejudicam o bebê, mas também o emocional e o psíquico da mãe. Claro, não falo de determinismo freudiano, mas das comprovadas influências da genitora para com a sua prole. Quanto à decisão para o aborto, sabemos que muitas mulheres são induzidas e forçadas a tal ato. Este acontece nas situações mais diversificadas que possamos imaginar e, é claro, para a fé católica e para a lei natural, um aborto nunca pode ser justificado. A Igreja compreende o sofrimento da mãe, mas a Igreja defende, incondicionalmente, a vida, principalmente a vida indefesa. E isto não se dá por princípios doutrinários ou morais, mas unicamente por causa do Evangelho e do valor absoluto e universal da vida.
A Igreja sabe perfeitamente que após o aborto a maioria das mulheres se vê atormentada pela culpa. A mamãe que aborta, quase sempre, vive um grande arrependimento ao ponto que, se pudesse voltar atrás, especialmente depois que passou a situação que a levou a tal decisão, jamais faria a mesma coisa, mas preferiria arriscar a própria vida, a imagem pessoal, o prestígio familiar, o trabalho e o corpo para escolher o filho. Algumas mulheres, além das sequelas na saúde, vivem um martírio na consciência por não perdoarem a si mesmas no tocante à decisão feita pelo aborto. É de considerar que muitas mulheres não tinham a plena consciência da gravidade do ato quando o praticaram.       
Sabemos que ninguém melhor faz um trabalho de orientação a uma mãe aflita quando pensa no aborto, do que a Igreja. Quando ela pede para que mulher evite o aborto, que nunca opte pela morte do bebê, não o faz de forma irresponsável, mas dá as devidas razões e ampara esta mulher no consolo espiritual e humano para que escolha sempre a vida, ainda que comprometa a sua, inclusive, orienta a medicina quando em situações de risco de morte para a mãe, que procure o máximo salvar a vida da mamãe e da criança, mas nunca interromper a vida, dom de Deus. No entanto, se isto não foi possível, seja lá por qual motivo, a Igreja concede a graça do sacramento da confissão para que esta filha de Deus seja perdoada e recomece a sua vida. A Igreja nunca será a favor do aborto, mas não desampara quem o praticou, pois sabe que somente misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto.
A Igreja é mãe e sabe que o pecado é menor que o Sacrifício de Cristo na Cruz, por mais que tenha sido um crime contra uma vida inocente. O homem pecador, lançado nas mãos de Deus e de sua misericórdia, é capaz de recomeçar de novo. Sim, repito, só a misericórdia de Deus pode curar a dor deixada pelo aborto. “Mulher, ninguém te condenou? Disse ela: Ninguém, Senhor. Eu também não te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais!” (cf. Jo 8,10-11). Peço a ti, Santa Diana Beretta Molla, que intercedas por todas essas mulheres que sofrem a dor deixada pelo aborto. Com a graça do perdão de Deus, sejam curadas, recomeçem e escolham sempre a vida!  
Antonio Marcos

Sou profundamente feliz pela oportunidade de escolher o que é eterno


Na celebração eucarística, na qual Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Católica Shalom, fez as suas promessas definitivas e os votos perpétuos no Celibato pelo Reino dos Céus, terça, 24 de agosto, no Shalom da Paz, o mesmo dirigiu no final uma palavra à assembléia. Como era esperado, suas palavras foram breves, mas de uma riqueza extraordinária na sua mensagem.

O centro foi mesmo a gratidão e, por essa razão, encheu de alegria a todos nós que estávamos presentes. Gratidão é uma marca da personalidade do Moysés, pois, sempre o ouvimos falar que se sente inocente quanto à fundação da Comunidade, deixando claro que esta foi iniciativa de Deus, não sua. Transcrevo aqui parte das suas palavras na certeza de que são pérolas para nós.

Meus queridos irmãos e irmãs, este é um momento de gratidão para mim. Gratidão a Deus por causa do meu chamado à vocação shalom. Vocação esta que quando tomava forma nos primeiros anos foi também uma grande surpresa para mim. Gratidão, de forma particular, à minha família que me deu o dom mais precioso da vida, a fé. Gratidão ao meu pai e à minha querida mãe, a quem tenho como um ícone da Virgem Maria na minha vida. Minha gratidão sincera aos irmãos da primeira hora, especialmente aos que perseveram até aqui. Faço isto nas pessoas de Madalena e Jacqueline. Gratidão a todos vocês, minha família shalom: Comunidade de Vida, Comunidade de Aliança e Obra Shalom. Eu não estaria aqui se não fosse o apoio e as orações de vocês, muito obrigado! Agradeço à Igreja, minha amada Mãe que tanto admiro, respeito e me submeto.

Agradeço de todo o meu coração a vocês, meus irmãos jovens, pelo grito de dor e amor que me fez ouvir o grito do próprio Deus. Agradeço ainda a todos os consagrados, com vocês eu vi o rosto de Deus. Apesar de todas as minhas fraquezas sou profundamente feliz pela oportunidade de escolher o que é eterno. Para sempre shalom, para sempre celibatário! Apoiado pela graça de Deus quero viver e morrer desta forma. Como Shalom e Celibatário irei viver na eternidade de Deus. Assim seja!

Por: Antonio Marcos

2010-08-25

Moysés, que possas ver atrás de ti a ponte cair para nunca mais voltares!


A celebração eucarística, na qual foram realizadas as promessas definitivas e votos perpétuos do Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Católica Shalom, terça, 24 de agosto, foi, de fato, um especial momento de ação de graças. Além da beleza do mistério de Cristo estampado na Liturgia, nas canções, no ícone com a imagem da Cruz como árvore da vida, tudo aconteceu diante de um sucessor dos apóstolos, nosso pastor Dom José Antônio e dos diversos padres concelebrantes. Transcrevo aqui trechos da homilia de Dom José Antônio, por sua vez, rica no seu conteúdo e mensagem para as nossas vidas.   
Meus queridos irmãos e irmãs, na primeira leitura de hoje, tirada do livro do Apocalipse (21,9b-14), está o relato no qual Deus mostra à João a cidade santa, Jerusalém celeste, com suas características, dentre elas estão as 12 portas da muralha que dão saída para todas as direções. Relacionamos este número aos 12 apóstolos e hoje a Igreja celebra São Bartolomeu, por isso se enche de alegria. Bartolomeu, chamado por Natanael no Evangelho de João (1, 45-51), é um escolhido do Senhor. Deus não escolhe por merecimento e valor que a pessoa possa ter, mas escolhe para dar merecimento e valor. Tais pessoas eleitas, chamadas, não estão prontas e nem perfeitas. Como aconteceu com Natanael, o acolhimento da sua parte fez a grande diferença. Não havia nele fingimento, era homem de coração sincero, por isso foi capaz de até mesmo questionar a origem de Jesus: “De onde me conheces?” Bartolomeu é um homem aberto a Deus.
A surpresa vem quando Jesus toca a fibra íntima ao dizer tê-lo visto debaixo da figueira. Natanael, sendo então conquistado para o seguimento de Cristo Cabeça, vai ser provado, mas a prova o fará crescer e também lhe será manifestada a vontade de Deus, ser apóstolo. Hoje, meus irmãos e minhas irmãs, celebramos e acolhemos uma outra dimensão da vida da Igreja que é a vida laical, os que são chamados não para encabeçar a Igreja, o que fez Jesus e seus apóstolos, mas para formarem o tecido da família de Deus. Maria, Mãe de Jesus, é a primeira referência da vida laical. E que se saiba, Maria não é menos que Natanael, apóstolo de Jesus Cristo. O mais importante é a lealdade e a disponibilidade em dizer sim à Deus e acolher a missão que desta opção provém.
Essas pessoas, os leigos que se ofertam no seguimento radical a Jesus, recebem carismas. Tudo é graça de Deus. Tudo vem de Deus. Basta olharmos a história da Igreja para contemplarmos homens e mulheres agraciados que se entregaram totalmente, a exemplo de Maria, na forma de vida dos conselhos evangélicos. Estes compreenderam que a luz não era para si mesmos, mas para os outros, para o mundo. Francisco de Assis assim rezou: “Meu Deus, Tu és tudo, eu não sou nada, mas age em mim”. Nesta oferta se reavivam os valores do Evangelho e se reanima a fraternidade no meio do povo de Deus. Hoje, este nosso irmão, Moysés, faz formalmente o que já o fez espiritualmente, entrega-se totalmente para sempre. Moysés, que você seja como São Natanael, tenha um coração sincero e sem fingimento.
Que a partir de hoje, deste ato solene, seja consumada a tua travessia para o outro lado do rio e possas ver atrás de ti a ponte cair para nunca mais voltares. Que o dom de tua oferta expresse o dom de uma juventude sempre constante na vida da Igreja. Seja colaborador da obra de Deus e, como é bonita a obra de Deus. Assim seja!

Por: Antonio Marcos   

Existe um louvor que só se dá da cruz


Cada um de nós, de alguma forma, já foi tocado e marcado por canções sacras que realizaram verdadeiras transformações dentro de nós. É assim quando nos lembramos de algo que vivemos com alguém, de um acontecimento ou de um processo vocacional. Às vezes podemos estar vivendo uma situação ou, quem sabe, já tenhamos passado por ela, especialmente quando dolorosa, e queríamos tanto expressar o que sentimos, mas as palavras não são suficientes, não fluem, não conseguem traduzir o coração. De repente escutamos uma canção ungida e nos maravilhamos por tocar o mais profundo do nosso ser, nos emocionar, nos induzir ao diálogo com Deus por conseguir expressar o que exatamente sentimos. É o mistério das canções ungidas, das letras que saem da alma, das melodias que, mais que fruto do talento, consiste numa verdadeira inspiração de Deus.

Fiz este artigo para vos partilhar sobre esta alegria por cada vez que chega aos meus ouvidos uma linda canção sacra. Elas parecem, muitas vezes, como se fossem “páginas do Evangelho”. Foi o que aconteceu comigo recentemente com a canção no novo Cd de David Silva (Tomé), que diz assim a sua letra: “Existe um louvor que só se dá da cruz, que só daqui se consegue ver. Existe um reconhecimento acerca de Deus que só se dá da cruz, daqui podemos ver“. Confesso que esta afirmação, mais do que uma verdade teológica, é fruto de quem conheceu de perto, como experiência pessoal, o mistério da cruz. Por mais que conheçamos teoricamente sobre Deus ou mesmo que a nossa oração nos leve para mais perto d’Ele, absolutamente nada nos faz conhecer tanto a Deus, reconhecer a Sua Face, a Sua presença que purifica e sustenta, se não o mistério da cruz quando acolhido no amor e na fé. A nossa fé católica não é e nunca será masoquista, mas caminho de liberdade que passa, necessariamente, pela cruz. Esta não é mais para nós que cremos sinal de escândalo, mas de salvação, passagem para a vida.

A vida venceu a morte. Cristo a derrotou no madeiro com o Seu sangue. Daí que tendo carregado sobre Si todas as nossas iniqüidades, pode agora nos fazer passar pela cruz na esperança de que “está a nos amar. Sim, é da cruz que queremos seguir e nos unir ao amado em louvor!” Somos testemunhas de tantos que se voltaram para Deus quando chegou a doença, a morte de um parente; quando chegou a decepção, o fracasso, a humilhação e a solidão; pessoas que conheceram de perto e na própria carne, o mistério da cruz quando tiveram que começar tudo de novo, quando ficaram tão parecidos como Maria na sua alma traspassada, como Pedro nas suas lágrimas de arrependimento, como Madalena na sua angústia de procurar e não encontrar o seu Senhor, como Tomé na sua solidão e falta de fé nas promessas de Deus.... Sim, existe um louvor que só se dá da cruz (...), existe um reconhecimento acerca de Deus que só daqui podemos ver. Nela provamos perfeitamente que “o amor de Deus é mais alto que as nuvens, a sua bondade é sempre fiel”. Por mais que as palavras tentem traduzir, nada pode realizar tanto em nós do que o mistério da Cruz de Cristo, passagem certa para a ressurreição. Obrigado, Senhor, por esta canção, ungida canção que me fez descobrir aqui dentro o louvor que só se dá da cruz. Ela me levou para mais perto de Ti.

Antonio Marcos

2010-08-24

Eu, porém, vos digo...


Muito concretas e ponderadas as colocações e os pontos de vista da candidata à presidência da república, Marina Silva, especialmente quando tenta mostrar uma possível conciliação entre política e princípios fundamentais, o que são constitutivos, primeiramente, do ser humano e ratificado pelo Evangelho de Jesus Cristo. A acusação do Sr. Plínio à candidata Marina Silva, de que faz um discurso conciliador e que “pensa que Jesus vem resolver tudo sozinho”, ilustrando assim que isto que faz a candidata não é política porque não há um confronto com a realidade, parece-me sem fundamento, como sem fundamento é sua oposição ao uso dos símbolos religiosos nas repartições públicas.

Ninguém é tão bobo para se pensar que os problemas do Brasil resolver-se-iam unicamente por ações religiosas ingênuas. Ora, a fé não é isto, não é ingênua, mas uma proposta concreta de transformação e ao mesmo tempo um confronto. Gostei quando a candidata se defendeu, dizendo que “não pensa que Jesus vá resolver tudo”, ou seja, em outras palavras, sozinho não, mas a partir do momento em que cada cidadão, católico ou não, juntamente com os nossos representantes, deixem-se plasmar pelos valores perenes, então ai estará agindo a Boa Nova. A proposta de Jesus era concreta e não um teatro. Jesus dizia: “Vocês aprenderam assim, a Lei diz assim. Eu, porém, vos digo...! “Fico pensando – disse Marina Silva – nas questões que Jesus diria hoje quando falasse “Eu, porém, vos digo!”. Concluiu a questão deixando claro que que não há contradição entre os fundamentos da política quanto ao bem comum e a justiça pregada por Jesus.

Bastante louvável a iniciativa da TV Canção Nova e Aparecida em promover o debate entre os candidatos presidenciáveis. Só é lamentável que tenhamos sido privados da candidata do PT, Sra. Dilma, líder das pesquisas e que não justificou justamente a sua ausência. Que seja uma resposta para o povo brasileiro, especialmente para o povo católico. Fica a grande mensagam de que a Igreja está preocupada com a sociedade, com os problemas humanos porque ela leva em conta a integralidade da pessoa, visando o bem comum, é claro, mas, sobretudo, a salvaguarda dos direitos fundamentais em vista da vocação do homem à vida eterna. “Eu, porém, vos digo...”, com esta autoridade de Jesus podemos sim, fazer desta fé, não “uma revolução social”, mas um confronto por causa da verdade de que ai onde estiver uma pessoa humana estará sempre Jesus Cristo e Sua Igreja.

Antonio Marcos

Resposta coerente de um presidenciável a um problema grave!


O Sr. José Serra, candidato à presidência da república, comentou a respeito da situação carcerária e com bastante coerência, especialmente quando se referiu à super lotação nos nossos presídios. Tal situação é agravada pela exposição dos jovens às drogas. Cresce assustadoramente o número de adolescentes e jovens dependentes de drogas e que são induzidos ao roubo e à criminalidade por causa da dependência química. Esta, por sua vez, faz com que o jovem esteja nas mãos do traficante. Necessitado de uma pedra de crack, não podendo comprá-la, parte para as ações criminosas para poder alimentar o vício, tornando assim a sua vida um inferno, destruindo a si mesmo e à sua família. Esses jovens, quando não são assassinados, chegam mais cedo aos presídios. Esta é uma situação complicada que exige urgentemente uma ação concreta do nosso próximo presidente ou presidenta.

Infelizmente o governo atual parece ter feito vista grossa, indiferença mesma em relação à situação dos adolescentes e jovens que estão cada vez mais cedo no mundo das drogas e do crime. Pude fazer uma triste observação no fato ocorrido no Rio de Janeiro, nesta semana, onde um grupo de traficantes cruzou com a polícia e ambos se enfrentaram em plena luz do dia, trocando tiros com calibres pesados, colocando assim em risco a população: os traficantes eram praticamente todos bem jovens, inclusive o chefe do grupo. Algo chocante! Por outro lado, a prepotência da organização criminosa chega mesmo ao completo destemor de uma polícia incapaz de conter a situação. Temos que cobrar isto do nosso próximo chefe de estado, pois é uma questão fundamental. Importante o debate dos presidenciáveis na TV Canção Nova e Aparecida, para também ouvi-los quanto a essas questões. É hora de analisar e discernir. Os nossos jovens e adolescentes, juntamente com suas famílias e toda a sociedade, agradecem.

Antonio Marcos

2010-08-22

Ele mesmo nos ensinou que o caminho da porta estreita conduz à vida eterna


Continuo minha partilha neste novo artigo (que não ficou breve) sobre as palavras do Pe. Marcos Chagas, na homilia do sábado passado, no Shalom da Paz. Quando fez menção ao Evangelho, Lc 13, 22-30, ajudou-nos a refletir sobre as palavras de Jesus respondidas a quem lhe perguntara “se são poucos os que se salvam”: “Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão. Uma vez que o dono da casa se levantar e fechar a porta, vós, ao lado de fora, começareis a bater, dizendo: ‘Senhor, abre-nos a porta!’ Ele responderá: ‘Não sei de onde sois’. Então começareis a dizer: ‘Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças’ Ele, porém, responderá: ‘Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim todos vós que praticais a injustiça!’ (...)” (Lc 13,23-25).
“Senhor, eu fiz isto e aquilo...”, pois bem, nunca digam isto pra Jesus! Este tipo de contabilidade para a salvação não corresponde à gratuidade da misericórdia de Deus. As ações, embora necessárias e indispensáveis à vida cristã, não são suficientes para a salvação. Da mesma forma se dá com o conhecimento. Tem gente que sabe tanta coisa, que entende com mais facilidade esse nó de informações e saberes, entretanto, se isto não se torna vida, não se processa na existência, de nada vale. Cabe a você conhecer a vontade de Deus e corresponder a ela com generosidade. E esta vontade de Deus passa, necessariamente, pela pequenez, pela humildade, pelo amor capaz de altruísmo, de comunicar aos outros que há uma vida melhor, feliz, quando compreendemos e aderimos à porta estreita, dizia-nos Pe. Marcos. 
“Meus caros e minhas caras”, nós somos felizes! O que experimentamos da vida nova em Jesus Cristo não pode ser tragada por nossas fraquezas e pelas circunstâncias, mas precisa ser alimentada pela pequenez e abandono nas mãos de Deus, como também precisa ser levada ao outros. Conto-lhes uma história rica de sentido para vos fazer compreender que o que encontramos em Cristo supera todas as coisas, porque Ele porta em Si mesmo uma superabundância de bens e de felicidade. Ele é a nossa felicidade. Eis a história: Trata-se de um aquário onde habitavam alguns peixes pequenos e grandes, mas a água era turva e tornava aquela vida insuportável, triste, sem perspectiva, no entanto, os peixes se acomodaram àquele tipo de vida. Acontece que um dos peixes percebeu existir um buraco pequeno naquele aquário. Desejava entrar nele pra saber o que tinha do outro lado. Para isso teve que “fazer regime”, “perder muita coisa” para passar, até que conseguiu. Ao entrar pelo buraco encontrou muito lodo, mas perseverou, mexeu-se muito e desembocou num lago onde constavam outros tipos de peixes, mais oxigênio e já dava pra ver a natureza. Prosseguiu o desbravar e foi lançado no rio, maravilhoso rio: árvores, profundidade, natureza, comida, etc. O peixinho quis ir mais adiante e, para a sua imensa surpresa, o rio o levou para o oceano, que dispensa comentários quando se trata da chegada do peixe neste paraíso de habitat! 
O Peixinho pensou consigo: “Estou feliz, por isso vou voltar, enfrentar a correnteza e contar aos que estão naquele aquário que há uma vida feliz além daquelas águas turvas e daquele espaço, e assim o fez. Não foi fácil, mas valeria a pena passar por tudo para contar aos outros sobre a felicidade que encontrou. Acontece que quando chegou lá e deu a notícia aos amigos, eles não acreditaram e pensaram ser aquilo loucura. Acomodados com aquela vida e “importunados” por um desafio que exigiria deles “renúncias para entrar naquele buraco estreito”, resolveram matar o peixinho e o comeram. Pronto! E perguntava sorrindo, Pe. Marcos: Que história com fim trágico, não é minha gente? Por que não um final mais feliz? Coitado do peixinho e daqueles cabeça dura!
Agora vejam: o Peixe Eucarístico também morreu. Mas Deus o Ressuscitou para a nossa salvação! Jesus está vivo e vive conosco. Daí que, como já disse, somos felizes porque o encontramos e queremos conformar a nossa vida à dele! Vale a pena as renúncias, as purificações, as lágrimas, a espera, a paciência, o perdão, o recomeço quantas vezes for necessário e vale a pena todos os riscos para contar a outros o que Deus fez a nós, porque Ele mesmo nos ensinou que o caminho da porta estreita conduz à vida eterna. Concluo com o testemunho de Santo Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da história da Igreja, um homem de inteligência formidável e que deixou escritos preciosos na compreensão da fé católica e dos mistérios da vida humana. Um dia, já tendo feito tanto pela Igreja através dos escritos e do seu pastoreio, Tomás de Aquino teve uma experiência mística com o Senhor, na qual Ele disse a Tomás: “Filho, escreveste tão bem sobre mim e meus mistérios, o que queres que eu te dê? Tomás de Aquino respondeu: “Senhor, nada me interessa, nada quero, se não a Ti mesmo!” Cristo é o maior acontecimento e o maior tesouro de nossas vidas. Tudo vale a pena quando nos leva para mais perto dele. A porta estreita é o segredo! Não tenhamos medo de perder a nossa vida para encontrá-la no Senhor.  
Antonio Marcos

Não preciso me comparar aos outros, pois a vontade de Deus pra minha vida não se confunde!


Nesse sábado passado, fui à Santa Missa no Shalom da Paz (aqui em Fortaleza), Liturgia já do XXI Domingo do Tempo Comum e tivemos a alegria de ter o Pe. Marcos Chagas como presidente da celebração. A gente sabe que, pelo carisma dele de lhe dar com os jovens e pela piedade e alegria com que celebra a Eucaristia, como também pela sabedoria nas palavras dirigidas à assembléia em sua homilia, é sempre um grande prazer viver a Santa Missa com Pe. Marcos. Também era o dia do seu aniversário natalício, mas nós ganhamos o melhor presente. 
Fiquei pensando depois na grande providência de Deus em ter me proporcionado a oportunidade de ir à Missa no Shalom da Paz, por ocasião do encontro com uma amiga da CV, a qual veio à Fortaleza para participar de um retiro, e poder ouvir tudo aquilo que Pe. Marcos falou na homilia. Sabe aquele dia que você precisa estar no lugar certo, com a pessoa certa, ouvindo na homilia as palavras certas? Pois é, assim era eu naquele dia. Palavras certas não querem dizer só prazerosas, mas necessárias para a edificação, a correção, para o ânimo e a esperança se renovarem juntamente com o desejo de conversão. Pensei: Meu Deus, muito obrigado pelo sacerdócio do Pe. Marcos!Muito obrigado por essas homilias que, literalmente, “arrancam de dentro de nós o melhor daquilo que temos e somos”, como explicava o Pe. Marcos ser este o sentido da palavra “educação”, conforme narra o autor da Carta aos Hebreus: “Meu filho, não desprezes a educação do Senhor, não desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho” (Hb 12,5-6)
Pe. Marcos comentou o final da primeira leitura do profeta Isaías quando diz: “Escolherei dentre eles alguns para serem sacerdotes e levitas” (Is 66,21). Explicou-nos que se alegrava pelo seu reencontro com esta palavra que fez parte do seu processo vocacional ao sacerdócio ministerial. No entanto, ressaltou a importância do sacerdócio comum dos fiéis, o mais importante. Cada um é chamado à santidade e a viver a sua vocação. Não precisamos nos comparar aos outros. É como se Deus tivesse feito uma “estrada personalizada” para cada um. Na sua estrada só você pode seguir, responder, corresponder ao chamado de Deus. Dizia ainda o Pe. Marcos: Infelizmente nós nos preocupamos demais com esta ou aquela pessoa, com os fatos e acontecimentos, com as calúnias, as decepções e ficamos abatidos, impacientes, esquecendo assim a nossa via de santidade. Meus “caros e caras”, isso vai passar!
É preciso “paciência histórica” porque a vontade de Deus pra sua vida não se confunde. Quando falamos nas “demoras de Deus” é apenas um modo de falar, porque, na verdade, Deus chega com sua vontade na hora certa e no momento certo. Ele é quem decide. E saibam, a vontade de Deus se identifica com Ele mesmo. Há uma inseparável ligação entre o “que Deus quer e o que Ele é”. Portanto, liberte-se de estar comparando-se ao outros, pois, meus irmãos, quando descobri que não precisava me comparar aos outros, e que se eles têm esses dons e conseguem ser assim, que sejam, mas eu sou eu; Deus me fez único, sou amado pelo mesmo Amor, o qual me cumula com aquilo que é o melhor para mim, sim, quando fiz esta experiência – concluía Pe. Marcos – tornei-me verdadeiramente um homem livre! Deu pra perceber a riqueza da homilia não foi? Pois é, Pe. Marcos falou muitas outras coisas maravilhosas, mas o artigo já está grande e tentarei partilhar em outros dois mais breves. Obrigado, Senhor, pelo sacerdócio do Pe. Marcos e pela verdade de que não preciso me comparar aos outros. Tua vontade pra minha vida não se confunde!
Antonio Marcos

2010-08-21

Dois tipos de aborto silencioso e cruel


Quem de nós não tem na própria casa, entre os familiares ou na família de pessoas queridas, ligadas a nós, a triste situação das drogas? Minha família conheceu de perto este drama e o sofrimento foi incalculável para nós. Nos meus anos de vida missionária escutei muitas mães com esta dilacerante dor e sofrimento quase que sem fim, pelos seus filhos e até esposos. São famílias machucadas, feridas e sem esperança com seus parentes queridos, destruídos ou definhando lentamente pelo vício das drogas, como também do alcoolismo.
Como pessoa humana e como cristão católico, sou totalmente contra o aborto e qualquer atentado contra a vida, porém, às vezes, fico meio confuso a me perguntar sobre a vista grossa que se faz por um número considerável de pessoas e pelos setores do governo municipal, estadual e federal. Por causa das campanhas políticas não existe outro assunto na mídia, nos blogs, nas páginas da net, se não o aborto; entendam, é necessário porque é a maneira de conscientizarmos as pessoas para que não elejamos políticos abortistas e assim não venham a se unirem para um genocídio silencioso em massa, com a aprovação de leis abortistas. Entretanto, percebo que quase ninguém fala do alcoolismo e das drogas, praticamente. A criminalidade, aumentada em parte pelas drogas e pelo álcool, faz escorrer sangue do televisor com os nossos noticiários. As famílias estão, de forma quase que generalizada, agonizando com o aumento do uso de drogas por nossas crianças, adolescentes e jovens, principalmente pelo uso deste maldito Crack, mas ninguém fala nada e as iniciativas caminham a passos de tartaruga.
Seria muito bom que a crianças salvas do aborto, pudessem ir adiante e não morressem lá na frente abandonadas nas ruas, com uma lata de cola na boca, suja, dormindo em massa nas calçadas, desesperadas por uma pedra de crack e vendendo seus corpos e sonhos para sobreviverem. Este tipo de aborto silencioso e cruel como qualquer outro, “parece aceitável”, poucos falam dele, poucos o denunciam. Desculpem-me, mas não entendo tanta contradição. Quando tomo conhecimento que as crianças estão sendo abortadas, faz-me sofrer da mesma forma que as crianças indefesas morrendo lentamente pelas nossas ruas e praças. O pior é que passamos por elas tão indiferentes e muitos dos nossos políticos mais ainda.
Como muita gente, eu também não estou sem esperança. Desde quando vivi esta experiência na minha família e de quando trabalhei com dependentes químicos, esta realidade nua e crua passou a fazer parte da minha vida. Confesso, sinto-me impotente e omisso tantas vezes, mas tento levar a minha gotinha de água para apagar o incêndio. Acho que despertando para o problema é o começo da mudança porque nossa consciência muda e ficamos inquietos. Não faço ainda coisas muito concretas, mas o meu contato com as crianças de rua não é mais da mesma forma que antes: preconceituosa, indiferente, responsabilizando os outros e preocupado unicamente com meu mundinho. Agora, cada criança que vejo nessa situação, cada mamãe com quem falo, escuto e rezo, vendo-a chorar pelo filho, sinto-me parte e responsável de fazer alguma coisa, qualquer coisa, nem que aparente insignificante, ao menos tentar conscientizar aos outros que este tipo de aborto é também um genocídio tão cruel como o aborto de nossas clínicas clandestinas.    
Antonio Marcos

2010-08-20

Uma das pessoas que mais admiro na vida da Igreja


Hoje, 20 de agosto, celebramos o aniversário natalício de nossa querida irmã e sempre mãe, Maria Emmir, Co-Fundadora da Comunidade Católica Shalom. Não poderia deixar de aqui dedicar-lhe minha singela homenagem como fruto do meu amor e gratidão pelo seu sim, pelo que Deus fez em mim através da sua generosa doação de vida na Igreja, de forma particular, no Carisma Shalom.

Providencialmente, a liturgia do Dia me inspira a falar sobre Emmir, quando assim relata o profeta Ezequiel as palavras de ordem lhes dada pelo Senhor: “Profetiza sobre estes ossos e dize: Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor!” Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: “Eu mesmo vou fazer entrar um espírito em vós e voltareis à vida. Porei nervos em vós, farei crescer carne e estenderei a pele por cima. Porei em vós um espírito, para que possais voltar à vida. Assim sabereis que eu sou o Senhor. Profetizei como me foi ordenado” (cf. Ez 37,4-7). Ora, foi exatamente isto que aconteceu com esta mulher que, embora vivendo sua vida bem sucedida,  já casada com o sr. Sérgio e seus lindos filhos, Deus havia escolhido-a para uma grande missão: ser profeta em tempos tão desafiantes, ordenar pela força de Cristo e pelos dons do Seu Espírito, que os ossos ressequidos de gerações voltassem à vida. Assim ela o fez corajosamente até hoje, desde quando fez a feliz experiência da efusão do Espírito Santo, RCC, vindo anos depois a juntar-se ao Moysés na continuidade do processo de fundação da Comunidade Shalom.

É incalculável a riqueza da graça concedida à Emmir, porque ela sempre foi muito generosa para com Deus. Deixou-se usar, purificar, lapidar, crescer pela graça de Deus, através, principalmente, da oração e da convivência com os irmãos e irmãs. É incalculável a riqueza com que os Carismas sempre operaram na vida de Emmir. Eu a conheço a quase 20 anos, ainda dos eventos da RCC aqui no Ceará, pois escutava seus K7 com palestras e rezava com as primeiras edições do Livro Enchei-vos. Nos eventos do “Renascer” foi que passei a vê-la de perto e sempre procurava seus cursos nas tendas ou nas palestras principais. Depois que me engajei na Obra Shalom e ingressei na Comunidade de Vida, na qual passei 10 anos, li todos os livros de Maria Emmir, praticamente. Tive a oportunidade de conviver com sua pessoa, de escutá-la em casa, de sentar à mesa para as refeições, de cuidar dos jardins ao seu lado, de vê-la trabalhando no serviço simples, de vê-la obedecendo, pedindo liberação, pedindo desculpas por suas fraquezas; tive a oportunidade de trabalhar na formação, de ajudá-la na elaboração do novo Enchei-vos e de outros livros da formação shalom, enfim, tive a feliz oportunidade de conhecer tão de perto uma das grandes mulheres profetas da minha geração. O mais impressionante de tudo é que Maria Emmir é a mesma pessoa: humilde, simples, acessível, generosa, amiga, mãe, formadora e, é claro, o dom shalom é o seu DNA mais profundo. Sinceramente, Maria Emmir é para mim uma das pessoas que mais admiro na vida da Igreja, e posso dizer que a amo muito!

Poderia aqui falar do seu reconhecimento e prestígio na RCC, na Igreja do Ceará, na Igreja do Brasil e do mundo, sobretudo, o que ela significa para a família Shalom. Ninguém nega a sua altíssima sensibilidade mística, doutrinária e teológica. Ninguém nega o seu profetismo de vida e de pregação. Mas, tudo isto só se tornou possível porque Maria Emmir é e sempre foi uma mulher amiga de Deus, que dobra os joelhos, o coração e a alma para rezar, escutar a Deus e se deixar amar e usar por Ele. Ninguém nega sua “parresia” na evangelização, na maneira como sempre falou da pessoa de Jesus e dos mistérios da fé. Ninguém nega a sua altíssima e coerente visão do homem segundo a antropologia católica, por fim, ninguém nega a relação de filiação que tem Emmir a Nossa Senhora. Somos todos gratos a você, nossa querida mãe na fé. Muitos tiveram a sua experiência de acolher a salvação de Cristo por meio da sua vida ofertada, quer na dor, quer na alegria. Feliz aniversário Emmir! Somos gratos a Deus porque tua vida é uma profecia viva, exatamente por teres obedecido ao Senhor que te mandou profetizar sobre os ossos ressequidos. Rezamos por ti! Deus a conserve viva por muitos anos! Parabéns!

Antonio Marcos

2010-08-19

A vocação pede inteireza de coração e de vida


Muito sugestiva esta passagem das Escrituras, Mateus 22, 1-14, parábola do Reino dos Céus sobre uma festa de casamento. O rei preparou uma festa de casamento e mandou chamar os convidados, mas eles recusaram. Numa nova oportunidade foi lhes feito o convite, porém, outra vez recusaram e foi cada um cuidar dos seus compromissos. O rei se indignou e mandou convidar a todos que encontrassem pelo caminho e, de fato, veio gente de toda espécie. Imagine, naquela época, ser convidado como uma pessoa comum e sem nenhum merecimento, para um casamento no palácio do rei, era algo extraordinário.
Apesar de todos agora poderem participar da festa de casamento, o rei não permitia que estes estivessem de qualquer jeito, mas deviam estar vestidos com os trajes apropriados da festa, como assim era tradição para os convidados. De repente o rei resolve dar uma olhada nos convidados e, para a sua surpresa, um convidado se encontra sem os trajes adequados. A pergunta do rei é significativa: “Amigo, como entraste aqui sem o traje de festa?” E o expulsou da festa. Conclui o evangelista: “Porque muitos são os chamados, e poucos são escolhidos”.
Santo Agostinho chega a dizer que esta veste é a do coração. Deus disponibiliza a graça para todos, convidando-os a participarem da Sua felicidade. Deus concede a cada um o seu chamado específico, uma vocação como fruto do seu desígnio de felicidade, mas não basta somente responder ao chamado, é preciso se dar por inteiro e não pela metade, quer na vida cristã, missionária, religiosa, sacerdotal, etc. É como no matrimônio: tem que se dar por inteiro na fidelidade do coração e na unidade de vida que gera o amor altruísta, o coração indiviso, a esponsalidade. Arriscar a vida num projeto de vida vocacional e não se entregar por completo é ser infeliz, fazer os outros infelizes e comprometer a nossa salvação. Não vale a pena!
“Amigo, como entraste aqui?” No seguimento de Cristo suas interrogações a nós são inevitáveis, porque Ele conhece cada um e pede comunhão, decisão, amor indiviso. A falta de comunhão gera divisão, quebra de vida e impossibilita a doação por completo. Ser retirado de uma festa é uma situação humilhante e dolorosa para qualquer um. Deus sabe que somos fracos, que é a Sua graça que nos sustenta cada dia e cada hora, mas pede que cada um não só tenha consciência de sua fraqueza, mas se coloque em Suas mãos e não queira, por suas próprias forças, por seus próprios trajes, participar da festa, viver uma alegria clandestina. A liberdade e a gratuidade do chamado pedem unidade na relação entre os amigos, entre o homem e Jesus, pede inteireza de coração e de vida. 
Antonio Marcos

2010-08-18

Ter “ficha limpa” não é o suficiente para a escolha política


A filosofia e a teologia têm discutido amplamente as contradições do pensamento moderno quando tentou resgatar o individual, a subjetividade sustentada na grande base da racionalidade. Por outro lado esse pensamento moderno pendeu para o outro extremo: esqueceu o social, o coletivo, o bem comum. Agora o social está subordinado ao individual. Aqui não se nega as deficiências da lei que acaba sendo flexível demais quando esse individual está assegurado pelo poder econômico. Quem não escuta tanto: “Aqui no Brasil só vai para a cadeia quem não tem dinheiro para pagar um bom advogado?” Temos visto um pouco de mudanças nessa realidade, mas ainda permanece muito tímida.

A “Lei da Ficha Limpa” tem sido uma vitória do povo brasileiro, sem dúvida, e com forte colaboração da iniciativa da Igreja. No entanto, a pessoa de má intenção se articula para sempre driblar a lei ou, simplesmente, usa de má fé para se promover em nome dos “sujos na justiça”, tendo assim a oportunidade de vender o seu peixe, só que os resultados favorecem os cofres pessoais, o benefício individual ou de uma minoria. Não nos enganemos: o termo “Ficha Limpa” se tornou requisito no discurso dos políticos, no marketing e, o pior, muitos não têm propostas coerentes e nem histórico junto às causas do povo, no entanto, estão ai se proclamando “limpos” na justiça. A Lei da Ficha Limpa é muito importante, mas precisa ser acoplada a outros requisitos para a escolha do candidato. É impressionante quando se ouve a pessoa dizer simplesmente: “Sou ficha limpa, votem em mim!”. Atenção: Ter ficha limpa na justiça não é o suficiente para a escolha do candidato.

Em cada período de campanha política ficamos sempre numa encruzilhada quando temos de escolher candidatos opostos em suas ideias evidentemente, mas que deixam transparecer suas propostas deficientes e suas mentalidades incompatíveis com os valores do bem comum e que comprometem a integralidade da pessoa. E é bom que já consigamos hoje captar essas deficiências de forma mais nítida, porém, muitos se perguntam: será que teremos sempre que escolher “a opção menos ruim?” É lamentável! No entanto, que se saiba: quando a questão da política participa mais da nossa cotidianidade, ainda que seja lendo, pensando, refletindo, participando no diálogo e na troca de ideias com as pessoas, certamente já colaboramos muito para que novas pessoas despertem o carisma à política e também conheçamos mais as ideias dos outros. Daí fica mais fácil identificar os que são doutores em driblar a lei e se autopromoverem.

Escolher um bom candidato pede alguns requisitos fundamentais não simplesmente o estar limpo na justiça, o que já é muita coisa, uma grande conquista do povo brasileiro, mas não pode responder por tudo quando se pensa num representante político para quatro ou mais anos. As coisas estão mudando, graças a Deus, graças à atuação da nossa consciência e responsabilidade de filho de Deus e de cidadão. Assim como já contemplamos as mudanças na justiça brasileira, vendo aos poucos a cadeia sendo ocupada também pelos que têm dinheiro, precisamos também acreditar que podemos reverter a situação dos cargos políticos ocupados por tantos que deveriam estar em qualquer outro lugar, menos como representantes dos direitos do povo, de cada indivíduo, da sociedade. Se a ficha limpa não é suficiente, mas apenas um dos importantes requisitos para a escolha, o voto sim, será sempre a consumação da boa junção dos requisitos para a escolha política e assim construirmos a mudança definitiva.

Antonio Marcos

2010-08-17

Como desejo ser assim com Deus...



No domingo, 15 de outubro, recebi um e-mail de uma amiga que mora distante, no qual me perguntava sobre um áudio que escutei de sua filhinha cantando e também contava sobre sua relação de aprendizado com ela. Embora o texto tenha sido breve, achei-o profundo e rico de sentido para as nossas vidas, visto que ensina muito sobre a relação de Deus conosco. Depois de ler várias vezes e rezar com o e-mail, senti que Deus queria que eu o publicasse aqui no Blog para que também pudesse ser útil a muitas pessoas. Que a reflexão das palavras desta mamãe, em convivência com sua filhinha, seja também uma escola para nós e assim descubramos que Deus é simples, que seu amor é misericordioso, é paciente, muito paciente conosco.

Eis o que conta essa mamãe: Amigo, deu para perceber um pouco como a suave voz dela é linda? Minha filhinha é uma criança muito sensível e observadora. A presença dela em minha vida é um constante aprendizado. Ao me fazer mãe, Deus vai me revelando aos poucos como é o amor de um Pai por um filho: quando peço à minha filha para ter paciência em relação às coisas; quando a vejo sem querer arrumar a bagunça quando ela mesma fez; sem querer comer aquilo que é bom; é como se fosse um diálogo meu com Deus. Ela tem uma frase que mexe muito comigo. Às vezes pergunto-lhe: “Filha, o que você quer comer?" E ela diz: "Ah, Mamãe, não sei, você que é a Mãe!" Como desejo ser assim com Deus... "Ah, Papai, eu não sei nada; Tu que és Deus é que sabe..."

É lindo o texto, não é verdade? Claro, entendamos: a relação de Deus conosco não isenta a nossa liberdade de escolha, mas a promove incondicionalmente, e o texto desta mamãe não quer contradizer isto, mas evidenciar a dimensão do abandono confiando que Deus tem sempre o melhor para as nossas vidas. Às vezes somos prepotentes demais e achamos que já sabemos de tudo na relação com os outros, especialmente com nossos filhos. As crianças são mestras em nos ensinar sobre valores que podemos ter perdidos, especialmente na relação com Deus. É verdade, quantas vezes nós mesmos bagunçamos nossas vidas e não queremos arrumá-la, mas responsabilizar os outros; quantas vezes, Deus oferece a nós o seu melhor alimento e preferimos o pecado. Sim, mamãe, é verdade, se deixássemos, livremente, Deus escolher o melhor para nós, seríamos mais felizes, plenamente felizes e muito mais agradecidos a Ele por seu cuidado a nosso respeito. Obrigado mamãe, por sua filhinha, pelo que vens aprendendo com ela e pelo que me ensinastes a partir da sua simples, mas fecunda partilha de vida. Como eu desejo ser assim também com Deus...

Antonio Marcos