“Viver ficando” nos esteriliza do amor!

Escrito Por Antonio Marcos na sexta-feira, julho 16, 2010 2 comments


Falar da experiência do “ficar” como um modo diferente de viver a relação amorosa e até visto por alguns como preparação para o namoro, parece dividir opiniões entre jovens e até pais. Falar o contrário, discordar de que seja algo bom parece ser digno de descrédito, exatamente por ser algo tão comum em nossos dias. No entanto, o que se precisa levar em consideração é mesmo o valor da pessoa e o tipo de vínculos que se pretende para a vida. Falo de alguém que tenha ou queira os valores concernentes à pessoa que se entende criada para ser feliz, e essa felicidade não é uma mágica, mas um processo de escolhas e renúncias, perdas e ganhos. 

O “ficar”, ou seja, essa relação amorosa, se é que podemos associá-la ao amor, quando completamente sem compromissos pode acarretar muitos problemas, se não a curto, mas em longo prazo para a vida dos jovens. Sabemos que o namoro é uma das coisas mais bonitas e importantes da juventude, principalmente. Portanto, o namoro é um compromisso que exige etapas responsáveis para que o processo do amadurecimento do vínculo leve a uma meta. A relação necessita de respeito e responsabilidade pela sacralidade da pessoa, do corpo, dos gestos de carinho e do próprio namoro. O “ficar” nos descompromete dessa responsabilidade pelo outro e pode tornar a relação uma ocasião de instrumentalização do outro. 
 
O “ficar” não permite o compromisso porque “este amor” não se compromete. Infelizmente boa parte das relações de hoje acaba sendo fruto de uma “ação predatória” dos rapazes principalmente, mas também das mulheres. A atitude de “caçar” alguém nos faz perder o foco e a consciência de quem nós somos e do que Deus designou para nós. Por outro lado, é preciso se dizer que a estética simplesmente, o corpo, o exterior de uma pessoa não é suficiente para sustentar um relacionamento, como também rosto bonito não é garantia de namoro e casamento feliz. O mais importante é desenvolver a convivência, a amizade, o amor, pois somente o amor purificado e equilibrado nos leva ao sentido real de uma relação, que é a espera, o cuidado, a promoção do outro, a capacidade de ser alguém para com quem queremos construir uma relação duradoura. Os jovens esquecem que o mais importante é o caráter e o conteúdo de vida.  

Evidentemente somos atraídos pela beleza, e quem não é? Um rapaz ou uma moça bonita é sempre agradável aos sentidos, mas isto não diz tudo da natureza de uma relação. Quando convivemos de perto com uma pessoa podemos até não desfrutar dos padrões de estética nos proposto pelos contextos culturais, no entanto, passamos a ter mais capacidade e sensibilidade de captarmos uma beleza exterior e interior segundo o valor que a relação toma no despertar da amizade e do amor, da escolha e da identificação do coração com o outro. Ora, “viver ficando” nos esteriliza do amor e de tudo isto porque não promete uma continuidade, uma convivência, mas simplesmente um experimentar o outro, o beijo, o corpo, o cheiro, depois tudo passa e espera-se outra pessoa. Isto nos esvazia e empobrece a nossa capacidade de construir uma relação frutuosa, que vocacione a um compromisso.  
Os homens vivem as mesmas aventuras que as mulheres, mas, necessário é dizer a vocês mulheres: não queiram ser mais uma na vida de um rapaz! Vocês são chamadas a amar, a construir o amor, a marcar a vida de alguém e não simplesmente ser mais uma que ficou com este ou aquele rapaz. Valorizem-se! Nós, os homens, precisamos muito redescobrir essa dimensão da conquista paciente e tranquila, sem forçar, sem apressar, sem exigir, sem acharmos que tudo é tão fácil. Infelizmente cada dia vemos um número crescente de jovens feridos, marcados muito cedo pelas feridas de escolhas apressadas e de um amor errado, impaciente e até desesperador. 

Bem sabemos que não é fácil estar sozinho. Muitos jovens ficam desesperados com a solidão e sentem vergonha de si mesmos diante dos outros pelo fato de estarem sozinhos. Estar sozinho não é sinônimo de infelicidade, solidão e desespero. Não fomos criados para nos vendermos, mas para colaborar com o desígnio de Deus em nossas vidas. “Ficar” fará com que coloquemos em risco o plano de Deus para nós e acabará nos expondo aos riscos de vivermos uma amizade e uma relação superficiais, sem contar com os riscos à nossa afetividade, ao corpo e à alma. Deus precisa ser o valor sublime de nossas vidas também quando pensamos nos nossos desejos e sonhos. A fé não torna as coisas mais fáceis, mas nos ensina o valor altíssimo do sacrifício e da renúncia, sobretudo, do sentido de nossas ações e esperanças. A razão nos foi dada para nos diferenciar dos que não podem esperar, os animais, ainda assim eles esperam, e a graça de Deus está à nossa disposição para que as nossas esperas sejam possíveis e dignas de um encontro que nos fale daquilo para o qual fomos criados, a felicidade. 

Antonio Marcos