Uma gota de mel e um barril de vinagre

Escrito Por Antonio Marcos na segunda-feira, julho 05, 2010 Sem Comentários

Estamos cada dia mais surpresos com os dramas da existência humana. Como dizia São Francisco de Sales: “Os homens insistem em trocar as poucas gotas de mel por barris de vinagre”. As antigas discussões sobre o Mal voltam outra vez para o imaginário e consciência das pessoas. Estamos perplexos com a precariedade das emoções do coração humano em dias como os nossos. Realmente o Papa Bento XVI é um profeta dos nossos tempos ao denunciar  que “o progresso surpreendente da técnica não trouxe paralelo a si o progresso do homem, dos valores, da ética e da fé”.
Mesmo levando em conta o sensacionalismo dos meios de comunicação e a consciência que temos da fraqueza da condição humana, ficamos e devemos sempre ficar, chocados com os acontecimentos ao nosso redor e no mundo.  Três filhos de famílias ricas e influentes se divertem estuprando uma adolescente; Eliza Samúdio pode estar morta e separada definitivamente de seu pequeno filhinho. Parece que a beleza, a influência e o desejo da fama acabaram se tornando uma armadilha e não oportunidade para a felicidade e realização; Um médico de prestígio é acusado de diversos crimes de estupro em várias de suas pacientes. Nunca o homem esteve tão entregue aos apetites da carne, seduzidos pelo sensualismo, tragado pela busca desordenada do prazer pelo prazer, na lama de uma vida moral decadente, não obstante a sabedoria, a fé, a opção religiosa, a profissão, o nome, o talento, o prestígio. E, detalhe, todos nós estamos sujeitos a isso. Absolutamente, ninguém está isento da queda, do escândalo, da decepção, do crime, dos enganos sutis do pecado, da sujeira de uma vida que não é compatível com o que sabemos do certo e do bom.  
Cheia de sentido a primeira Leitura da Missa deste dia, tirada do profeta Oséias (2,16-22): “Assim fala o Senhor: ‘Eis que eu a vou seduzir, levando-a à solidão, onde lhe falarei ao coração; e ela aí responderá ao compromisso, como nos dias de sua juventude”. Precisamos como nunca da tua sedução, Senhor, para que não mais chamemos a “Meu Baal”, mas a Ti chamemos de “Meu marido”. Somente conhecendo a Ti podemos conhecer a nós mesmos e o valor da vida, do corpo e da alma, o valor do homem. Tu, Senhor, nos desposaste na Cruz e te manténs fiel no amor até hoje, e é por isso que ainda acreditamos na bondade humana. Mas Senhor, dura é a verdade em reconhecermos que ainda não te conhecemos. O que um barril de vinagre não consegue, uma única gota do teu amor é capaz de saciar o coração do homem.
Antonio Marcos