2010-07-21

Um amigo verdadeiro, quem pode descrevê-lo?


Depois de chorarem por ocasião da distância, inesquecíveis ficaram as palavras de Jônatan ao seu amigo David, como um selo indelével da amizade: “Que o Senhor esteja para sempre entre mim e ti” (I Sm 20, 42).  Assim, no dia de ontem, os amigos celebraram o dom da amizade, o carinho e a gratidão dos vínculos cativados e cultivados. De fato, quando temos amigos verdadeiros, mesmo distantes, nunca estamos sozinhos, porque o amor destrói as fronteiras e mantém o outro vivo dentro de nós, ainda que não tenhamos o prazer e o calor de sua convivência por ocasião da separação.

Não é por acaso que a figura do amigo está associada nas Sagradas Escrituras ao tesouro. “Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro” (Eclo 6,14).  Este “achar o amigo” não é fruto simplesmente de uma procura humana, mas da abertura do coração para viver as relações nos proporcionadas por Deus. Não escolhemos as pessoas que cruzam nossa história, mas quando sabemos descobri-las, cativá-las e conquistá-las, então achamos aqueles a quem podemos escolher como amigos. “Quem teme o Senhor encontra o amigo fiel” (v. 16). Para nós que cremos há sempre a necessidade de rezar pelas pessoas que entram na nossa história. Não deveríamos pedir a Deus somente o namorado, mas também os amigos. Uma má amizade pode acarretar nas nossas vidas grandes prejuízos.

Lembremo-nos que a amizade não nos fecha nela mesma, mas nos lança para outras convivências. A Amizade é uma preciosa escola de sabedoria e de vida. Dizem os filósofos que infeliz de quem não tem um amigo com quem possa contar e a quem possa amar. A amizade tem um nível de compromissos e responsabilidade, mas os amigos permanecem livres, não nos pertencem. Portanto, saibamos fazer a nossa parte sempre na liberdade do amor. A Reciprocidade nunca deve ser forçada, mas fruto de um reconhecimento da escolha por amor. Quando os amigos sumirem ou se calarem, não deixemos que a dor gere desconfiança, julgamentos e indiferença. Há um tempo para cada coisa, inclusive para deixar que o nosso amigo não queira mais nos escolher. Para a surpresa de muitos, o amor comporta essa liberdade incondicional de sempre deixar o outro livre, mas também o amor na amizade tem a força de cativar outra vez, de dar vida aos cansados e desanimados. Um amigo verdadeiro, quem pode descrevê-lo? Um mistério do amor de Deus nas nossas vidas! “Que o Senhor esteja para sempre entre mim e ti” (I Sm 20, 42)

Antonio Marcos


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