2010-07-17

Os desígnios de Deus para a amizade


“O amor nasce de dentro para fora?” De certa forma sim, mas não que nós sejamos “a fonte” desse amor, mas como aqueles que são os rios provindos de uma única nascente, Deus. Deus é amor! (I Jo 4,8). Este amor passa, necessariamente, pela nossa acolhida, liberdade de refletir nele e de decidir vivê-lo.

 Se nossas decisões não forem coagidas, então significa dizer elas são fruto da nossa liberdade, da capacidade interior que temos de amar e de construirmos relacionamentos uns com os outros. Portanto, diz a Palavra de Deus: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Cremos e testemunhamos que quando o amor de Deus encheu de sentido as nossas vidas, nosso amor também se revestiu de outro sentido, quer seja para as alegrias, quer seja para as dores. Sim, amizade é também uma escolha, porque ela é antes de tudo um dom.

Quando duas pessoas vão crescendo dentro de um relacionamento, vai acontecendo indispensavelmente a escolha mútua. No entanto, se sabe que não se anula a individualidade do outro, como sua história, suas opções, inclusive, seus limites, fraquezas e ”condicionamentos…” O outro permanece quem ele é na sua identidade, história e condicionamentos. O relacionamento de amizade ou de fraternidade pode, futuramente ou no decorrer do seu caminhar, vir a provocar estímulos de mudanças um no outro através da amizade, mas isto é um processo natural e ação da graça, jamais como imposição ou cobrança. Não posso exigir que o outro mude imediatamente e seja aquilo que quero, pois isto não é amizade, mas escravidão, egoísmo.

Poucas pessoas sabem que nossos amigos continuam falhos e dispõem da capacidade de negarem o nosso amor, de o traírem e de nos desapontar. “Uma amizade é um selo que se coloca depois de um tempo de caminhada e de amor provado”. Quando aqueles a quem considerávamos nossos amigos, não permaneceram ao nosso lado na hora da dor ou na situação em que mais precisávamos deles, pode ser um sinal de que a amizade não seja autêntica, mas pode ser também outras realidades. Precisamos conhecer as pessoas antes de emitirmos juízos delas. Nem sempre uma atitude, um erro, uma fraqueza significa que aquela pessoa não é meu amigo, mas tal ocasião pode favorecer o crescimento mútuo.

Deve-se sempre ficar claro: as pessoas devem ser responsáveis por suas histórias de vida e suas opções. Quando ficamos próximos de alguém passamos a ver, como ninguém, seus limites, porém, isso exige de nós maturidade para não sufocarmos o outro e nem sermos juízes, controladores da vida dos outros ou mesmo possessivos. As crises e provas são também ocasiões de crescimento para o relacionamento. Algumas amizades – surpreendentemente – passam nas nossas vidas. Isto é um processo normal. Algumas pessoas participam das nossas vidas por um determinado tempo e seguem seus caminhos e opções e podem, de fato, terem sido nossos amigos. Isto não significa dizer que a amizade não aconteceu!

 As pessoas podem não saber expressarem o cultivo e a presença, mas elas nunca esquecem aqueles que imprimiram nelas experiências autênticas, quem as amaram de verdade. Por outro lado, construir relacionamentos é sempre um risco necessário e vital! Mas, uma vez vivendo suas consequências desconfortáveis, não queiramos resolver os problemas da vida dos amigos ou mesmo assumi-los para nós. Podemos e devemos ser luzes na vida dos nossos amigos e irmãos, mas cada um precisa superar os seus traumas, frustrações e limites. Deixemos que as pessoas possam crescer e prosseguir na vida.

Se elas não conseguiram amar aqui e hoje, que também possamos motivá-las a não desistirem. Não fiquemos acumulando nos nossos corações frustrações, ressentimentos e culpas. Isso atinge nossa autoestima e nos prejudica nos novos relacionamentos. Faz parte da escola dos relacionamentos o fracasso e a inconsistência, o desamor e a ingratidão de alguns a quem queríamos tão bem. Jesus que o diga… a “solidão” da cruz, com exceção da presença de Sua Mãe, de algumas mulheres e de João, os outros amigos desapareceram… um deles até o entregou… Que isso não gere desconfiança em nós para com os nossos amigos, mas preocupemo-nos em amar, fazer a nossa parte na dinâmica e no mistério da reciprocidade.

O amor de Deus em nós é maior que toda mesquinhez e ingratidão que alguém possa ter dedicado a nós. “As bondades do Senhor! Elas não terminaram! As suas ternuras não se esgotaram! Renovam-se a cada manhã. Grande é o teu amor, Senhor!” (cf. Lm 3,21-23). Os teus desígnios para amizade são sempre maravilhosos. Amizade é sempre um recomeço porque Deus nunca desiste de nós. Cada dia Ele recomeça no seu amor e na sua misericórdia para conosco!

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. Ás vezes por termos aquela pessoa como "amigo", passamos a super valorizá-la, a idealizá-la, a colocar mts expectativas nela,nisso, acabamos nos decepcionando, esquecendo q aquele nosso amigo tbm é humano,frágil, é capaz de ferir e magoar assim como nós!! Jesus Cristo nunca desistiu e nunca desistirá de nós, msm nós o traindo tantas e tantas vezes,ele sempre nos acolhe e acredita em nós. Q possamos assim como ele, ter sempre a esperança no amor q Deus nos proporciona através das amizades, pois é preferível se arriscar em um relacionamento do q nunca amar e se deixar ser amado!!

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