2010-07-22

Essa dor de procurar e não encontrar o amado!



Rezando e celebrando neste dia a memória litúrgica de Santa Maria Madalena, lembrei-me de uma amiga com quem conversei no dia de ontem pela Internet. Claro, esta lembrança é apenas por um aspecto da vida de Madalena: a dor sentida no coração e na alma pela solidão afetiva, por essa angústia dilacerante por estar sozinha e não ter alguém para amar e ser amada.

Compreendo que para algumas pessoas isto possa ser algo simples e que não se deixam abater, no entanto, as pessoas são diferentes e seus sentimentos, angústias e esperanças devem ser respeitadas. Não são poucas as pessoas, especialmente as mulheres, que sofrem por esta situação: o medo de nunca encontrarem alguém, de não amarem, de não serem felizes com uma pessoa que as escolham no amor e que queiram ficar somente com elas. Minha amiga que está distante se encontrava triste, cansada no coração e na alma e sei que ela é forte, muito forte, mas essa dor de não encontrar o amado a fragiliza.

A belíssima leitura do Canto dos Cânticos deste dia traduz essa angústia da busca pelo amado através da amada. “(...) busquei o amor de minha vida: procurei-o, e não o encontrei. Procurei-o pelas ruas e praças, e não o encontrei” (cf. Ct 3, 1-2). Essa simbologia bíblica de caráter sapiencial expressa também a natureza e o drama do amor humano, mas remete ao sentido mais profundo do amor: o amor de Deus, manifestado em plenitude pelo seu Filho Jesus.

O impressionante do texto é que a amada não desanima na sua procura e esta só se concretiza depois do encontro com os guardas. Significa que os perigos e os riscos da noite fazem parte da procura, ou seja, o amor tem um preço que implica a maturidade da fé, da esperança e da confiança no amado que me faz perseverante. Reinventar-se cada dia e recomeçar, não obstante nossos medos e angústias, são necessários. Não podemos desistir de nós mesmos, de Deus e nem de nossos sonhos. Se Deus é o nosso valor supremo teremos sempre motivos abundantes para louvá-Lo e agradecê-Lo. “Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam”, canta o Salmista (Sl 62/63).

Também Madalena passou pelos riscos da noite, outrora pelo pecado, mas agora para buscar o Amado, ainda que levasse consigo a dor por sua morte, como assim havia presenciado. E quanta surpresa para este coração que encontrou o amor que realmente dá sentido a todos os outros, inclusive, ao amor humano. Naquela madrugada outra frustração para o seu coração: não encontrando o corpo do Senhor Jesus, Madalena permanece do lado de fora do túmulo, chorando (cf. Jo 20, 11).

O inesperado acontece. Madalena escuta alguém lhe dizer: Mulher, por que choras? (v. 15). Não é chamada de “prostituta”, mas de “mulher”, significando assim a sua identidade de filha de Deus, a dignidade de nova Eva, alcançada pela remissão dos pecados nos méritos de Cristo. Por excelência, a Virgem Maria é a “Nova Eva” e por isso é modelo não só para todas as mulheres, mas para toda a humanidade. Por fim, o Senhor, o Amado, chama Madalena de “Maria”, significando a sua missão pessoal, a sua participação no mistério da salvação. Somos únicos e irrepetíveis para Deus. O Seu desígnio para nós não se confunde com as vicissitudes da vida humana. Deus não nos trata como número, mas como filho e filha. Posso até esquecer e duvidar dos planos de Deus pra minha vida, o que não nos faz bem, mas Deus não nos esquece e nunca deixa de estar tecendo o seu plano a nosso respeito. Somos míopes muitas vezes quando precisamos enxergar este designo, mas Deus vê além.

Tamanha a alegria de Maria Madalena ao encontrar o seu Amado. Agora a sua necessidade fundamental primeira é dizer: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18). Ah, se todas as nossas procuras terminassem com esta certeza: Eu vi o Senhor! Certamente as nossas procuras pelo amor humano seriam mais pacíficas e jamais desesperadoras. Viveríamos a vida sorrindo mais e agradecendo mais, mesmo nas nossas ausências e solidão. Recomeçaríamos cada dia na alegria da esperança deste amor humano, na certeza de que, além dos nossos túmulos vazios, está o Amado de nossas vidas, Jesus Cristo. Amiga, essa dor e essa solidão não podem te dar o direito de desistir da procura! O amor, ele nunca se fadiga, nunca desiste de viver! 

Antonio Marcos 

2 comentários:

  1. Como ja disse uma vez, as suas palavras consolam o meu coração. Que belo é poder contemplar a experiência de Madalena ao encontrar seu Amado. Amado que simplesmente a olhou nos olhos e a perdoou e amou. Seria mais belo ainda se ao invés de tantas vezes ficarmos buscando amores aqui fora, buscassemos olhar para Aquele Eterno Amor que esta sempre a nos esperar e a nos amar de maneira gratuita. Como tenho sido grata pelo Amado em minha vida. Este jamais me decepciona.

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