A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2010-07-31

Não acredito ser Deus um carrasco!


Das muitas questões me confidenciadas por pessoas com quem tenho tido contato ultimamente, muitas delas sinalizam para a crise da relação com Deus. Não diria que estejam perto de perderem completamente a fé, ameaçadas ao ateísmo, não! No entanto, quase todas reclamam do silêncio de Deus, de uma possível indiferença de Sua parte providencial e ainda do cruel esquecimento para consigo. Culpam-no até pelos próprios males! O que mais impressiona é que as perdas afetivas, religiosas e profissionais quase sempre tendem a provocar estranheza na nossa relação com Deus, o que não deveriam.
Em dias como os nossos em que a liberdade encontra sempre uma causa fora de nós para explicar as intempéries, não é de estranhar que Deus continua sendo o maior de todos os culpados. Talvez seja pelo fato de tudo o que é bom, o que produz felicidade, o que traz a natureza do verdadeiro amor sempre se identificar com Deus, então, consequentemente, vivemos dentro de uma lógica injusta: estou bem, logo minha relação com Deus é estável; estou mal, logo minha relação com Deus fica abalada. Estou sempre numa insustentabilidade emocional e espiritual, ou talvez, marcado pela regra do negócio: faço para Deus, portanto, Ele tem o dever de me corresponder! Se Deus se cala, logo duvido; logo ele não existe!
Nas relações humanas o drama da troca de acusação entre Adão e Eva continua. Alguém é responsável pela minha infelicidade; alguém é o culpado por eu estar ferido; alguém deve pagar por esta traição, por esta difamação e acusação! Reconhecer-se pecador e assumir o próprio pecado, ser o publicano no Templo ou David diante de Natan, tudo é graça de Deus. Eu mesmo venho aprendendo isto como nunca antes. Hoje mesmo vivo isto de forma surpreendente! Essa capacidade que temos para o mal é algo que nos espanta. Realmente, dizia-me a pouco tempo uma amiga, não sabemos o que as pessoas escondem nas intenções do coração.  
O certo é que Deus não é o culpado de nossas mazelas, sombras e pecados. Deus não pode sentar no banco dos réus do tribunal do nosso coração quando a nossa liberdade mal vivida é a responsável pelos danos. Também é verdade que podemos sofrer pelo mau uso da liberdade dos outros, pelas suas más ações e que podem nos atingir, especialmente quando estão ligadas a nós pelos laços afetivos. Deus é sempre o primeiro a se importar com nossas dores e fracassos, porque não é o autor deles, mas é amor (I Jo 4,8). Não há em Deus nenhuma sombra de trevas e nenhuma intenção de nos fazer sofrer. Não acredito ser “Deus um carrasco! Se estamos sofrendo ou sendo injustiçados temos de recorrer a Deus e suplicar a sua força, a sua graça, e não culpá-Lo por nossas chagas. Na verdade, Deus é o único justo na história. “No Seu Filho foi esmagado por nossas iniquidades!” Quando Deus parece calado, na verdade, é porque estamos ocupados demais com nossas coisas e questões, sejam as alegrias ou dores!
Antonio Marcos 

2010-07-29

A dor e perda também fazem parte do amor!


Há poucos dias atrás meditamos no Evangelho da Santa Missa, o texto bíblico do cap. 10 do Evangelho de S. Lucas (Jesus acolhido na casa de Marta e Maria). Hoje a Igreja, mais especificamente através do Evangelista João (11, 19-27), nos oferece a feliz oportunidade de nos determos sobre a figura de Santa Marta, irmã de Maria e Lázaro. É surpreendente a personalidade de Marta e uma grande lição se pode extrair com sua vida e com sua amizade com o Senhor. Seu ímpeto e ousadia dentro da relação com o amigo Jesus me falam muito da missão e dos desafios que comporta o amor. Só quem ama sabe exigir sem sufocar, sem se desesperar, sem perder a fé e a confiança.

O que vemos então? Numa primeira situação Marta cobra de Jesus que não permita que ela faça as coisas de casa sozinha enquanto Maria parece não se importar, pois se encontra aos pés do Senhor a escutá-Lo. Jesus faz entender que as duas coisas são importantes, a oração e a ação, conjugam-se, mas quer falar sobre as preocupações excessivas de Marta que podem roubar dela a paz e não ajudá-la a contemplar o Senhor, mesmo nos seus afazeres.

Agora, numa situação ímpar, de dor e sofrimento por causa da morte do seu irmão Lázaro, Marta reclama a Jesus que “se tivesse estado ali, seu irmão não teria morrido” (cf. Jo 11,21). Ora, Marta era testemunha da amizade entre Jesus e seu irmão. Não entendia o fato d’Ele não ter chegado a tempo, já que o amor se apressa para amar, cuidar e salvar. A amizade verdadeira se revela exatamente nas adversidades. Será que Jesus não amava Lázaro e não era amigo de verdade? Inconcebível pensar assim, não é? Também Marta não queria dizer isto! Sua reação era muito mais de confiança. Marta tem a liberdade de “cobrar” do amigo porque Ele conhece a Deus. Quando cobramos de quem recebeu muito da parte de Deus não estamos incomodando, mas acreditando que ele pode fazer algo a mais. Quando Deus é vivo no outro, este outro não pertence mais a si mesmo, mas aos dramas da humanidade. Jesus “não só recebeu muito”, mas Ele era Deus, e Marta fez esta confissão: “(...) sei que o que pedires a Deus, ele te concederá (...), creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo” (cf. Jo 11, 24.27).

É bela a Cristologia através das verdades de fé que o evangelista João coloca na boca de Marta. No entanto, um detalhe que faz a grande diferença e nos ajuda a compreender a atitude de Jesus: Ele vive sempre conosco os nossos dramas porque "os viveu na cruz" e sabe que eles podem nos ajudar a crescer, inclusive quando se trata da perda de quem amamos. Daí que Marta precisava aprender com outra escola, a da dor e do sofrimento. Estes dramas existenciais nunca são impostos por Deus, mas pela própria condição limitada da vida humana. Nossa liberdade está sempre situada na fronteira das opções e renúncias pelo bem ou pelo mal.

“Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido” (Jo 11,21). Marta ama demais Jesus e por isso sabe que pode “exigir”. Ela sabe o que é o sacrifício para servir e amar. No entanto, Jesus não foi negligente para com seu amigo Lázaro e nem insensível para com Marta, mas sabia que não há acidente na vida de quem tem fé, de quem ama a Deus e confia sempre. Os desígnios de Deus continuam em processo nas nossas vidas, mesmo quando a perda, a decepção e as frustrações cruzam o nosso caminho. Jesus sabia que a dor e o sofrimento também fazem parte do amor, e dessa escola Marta aprendeu com Jesus, e como aprendeu!

A fé não é um amuleto para nós, uma fuga, um consolo para o amanhã. “A fé é certeza de já possuir o que esperamos”, não simplesmente o que julgamos ser o melhor, mas o que Deus pensa ser o melhor para nós. A fé é ressurreição hoje, se não da carne - o que será um dia na parusia final -, mas da absoluta confiança de que Deus não nos abandona quando nos chegam a solidão e as lágrimas. Precisamos da ressurreição da certeza de que “foi Deus que nos amou primeiro e este amor é irrevogável, não passará jamais” (cf. I Jo 4, 10). Marta, somos gratos a ti que tiveste a coragem de nos ensinar, através da tua amizade com o Senhor, que a dor, a perda e o sofrimento não têm a última palavra nas nossas vidas. “Contemplai a sua face e alegrai-vos, e vosso rosto não se cubra de vergonha!” (Sl 33/34). Santa Marta, rogai por nós!


Antonio Marcos   

2010-07-27

O Mal tem raízes mais profundas que apenas encontrar os culpados pelas barbáries!


Quando as notícias trágicas são estampadas na mídia, o que acontece quase que diariamente, e chegam até nós, deve sim, nos chocar, sempre nos chocar! Também constitui uma tragédia nos acostumarmos com a barbárie, e isto já acontece com um número grande de pessoas. Sabemos que não podemos isentar o Estado e apenas culpar o bandido ou o policial, mas também não podemos esquecer de fazer aquela apelação à consciência humana que faz do homem, em primeira instância, responsável pelos seus atos.

Aqui no Ceará as informações veiculadas é que um policial “fica pronto” em seis meses. Apenas seis meses e o Estado já o considera preparado para enfrentar a criminalidade e para o tamanho da barbárie provocada pela violência. Será mesmo que um policial está pronto em seis meses? Sem comentário! Talvez o disparo pelas costas, feita por um desses policiais ao adolescente de 14 anos, que ia na garupa da motocicleta com o seu pai, possa explicar melhor a natureza fadada dessa formação, sem falar dos aspectos psicológicos e emocional.

Já a questão da sedução da “propina” virou vício em todo o país. Um jovem no seu tempo justo de lazer é surpreendido por um atropelamento provocado por um irresponsável, não é socorrido e quando chega a polícia tudo se resolve pela propina. Por outro lado o cidadão também se acostuma com o “jeitinho brasileiro”, quando já decorou a fórmula: “Ô seu guarda, deixa pra lá, eu te pago um bom dinheiro!”. Afinal, por que estamos tão desencantados com o bem, com a verdade e com a ética? Será que estes valores são hoje apenas discursos nos púlpitos da igreja, nas aulas de religião e teologia ou nas academias, inclusive, para formar o homem da lei e o cidadão profissional? Tragicamente parece que os valores de dissolvem diante da possibilidade de ter um pouco mais de dinheiro no meu bolso, ou, quando se trata da violência, ao menos pela sensação de vingança cumprida ou do simples extrapolar dos sentimentos de raiva.

O que sei é que Auschwitz tem hoje outras facetas, talvez aquelas percebidas pelo grande Viktor Frankl (pai da Logoterapaia), quando percebeu que “os homens de hoje estão correndo ao encontro de outras cercas elétricas”, não simplesmente para se suicidarem como acontecia nos campos de concentração pelo alto nível de desespero, mas pelo simples prazer de se aventurar para morrer ou para matar, não importa. Se a Máxima Filosófica de que “o agir segue o ser” é ainda verdade, então este “Ser” se encontra na maior de todas as suas crises. Quem somos afinal? Quem é outro? Respondam-nos os filósofos existencialistas cristãos da alteridade! Estamos quase desesperados!

É lamentável que os confortos, o consumo, os diplomas pendurados na vitrine do Ego, apenas sirvam como fachadas de que somos bons cidadãos. Não quero acreditar que estejamos apodrecendo no nosso comodismo e paralisados para as ações que construam o bem. Jamais quero generalizar minhas percepções, seria também uma tragédia, talvez a maior. Os homens de bem existem, os cidadãos, os bons e os cristãos também. Ah, preciso dizer que também muita gente não crê, mas se sente horrorizada com a barbárie dos que se dizem crer, e elas têm razão! Não, não estou desesperado, não perdi a esperança! Mas hoje, exatamente hoje, eu me lembrei tanto  do profeta Jeremias quando parecia desconsolado ao dizer: “Esperávamos a paz, e não veio a felicidade”. O profeta se livrou do desespero quando fez a feliz afirmação: “Senhor, nós pecamos contra ti, mas, lembra-te, não quebres a tua aliança conosco” (cf. Jr 14, 17-22). O profeta não isentou a responsabilidade de cada um e do seu povo, mas reconheceu que o mal tem raízes mais profundas que simplesmente encontrar os culpados pelas barbáries. 
 
Antonio Marcos

2010-07-26

Eu me maravilhei com o Halleluya!


O Halleluya foi encerrado na noite de ontem, Domingo, 25 de julho, com show do Pe. Fábio de Melo e participação de especial do cantor cearense Fagner. Milhares de pessoas cantaram as canções deste sacerdote de Deus, tão querido pelo povo, como também meditaram e rezaram com a profundidade de suas palavras. No entanto, fica uma pergunta: o Halleluya chega concretamente ao fim quando acabam as apresentações de cada noite? A resposta é que não! O Halleluya tem as entrelinhas da ação de Deus antes, durante e depois que acabam as cinco noites.

Neste ano, participando pela 10ª vez do Halleluya e, não mais como membro da comunidade de Vida Shalom, pude fazer muitas percepções e me maravilhar com a ação de Deus neste misterioso e eficaz evento de evangelização. A minha parte no reino foi estar presente e acompanhar duas pessoas amigas, uma da Bahia e a outra representando os Amigos do Shalom de Manaus. Ambas ficaram encantadas com tudo o que viram e viveram aqui. No entanto, Deus me possibilitou ver o Halleluya mais de perto nas suas ações concretas e nas entrelinhas da salvação.

O Halleluya aconteceu através de um número grande de pessoas que estiveram por trás do som, do palco, dos camarins, da sala de imprensa (este ano teve uma vasta cobertura da imprensa cearense), as fotografias, os camarotes, as entrevistas, o vídeo, a internet, os artistas, as hospedagens, etc. O halleluya aconteceu através de outro número grande de pessoas voluntárias ao serviço. Os caixas, as cozinhas, as comidas, o estoque, as pessoas que quase não veem o evento. Estive lá, visitando as cozinhas e encontrei gente cansada, de poucas horas de descanso, mas alegres, felizes, comprometidas, tão felizes quanto as que estavam na intercessão na Capela do Halleluya ou servindo no Palco, e eu me maravilhei também com esta dimensão do halleluya. Ah, lembrando que a vigilância sanitária considerou o serviço de cozinha e alimentação do halleluya exemplar na sua organização e higiene, um modelo para outros eventos.

O Halleluya contou com a presença de novos artistas, inovando com a riqueza da nossa música nordestina, algo de grande alegria e elogio à organização. Quem teve a oportunidade de visitar os stands com uma variedade enorme de novidades, seja dos trabalhos da Comunidade Católica Shalom ou de outras Comunidades, também se maravilhou. Estive por várias vezes no “Espaço Radical”, olhando as exibições dos atletas do Skate, conversando com alguns jovens e vendo aquele trabalho de evangelização. Quando vi o Serginho (cara fera no Skate), membro da CV Shalom, no meio da quadra com centenas de jovens skatistas escutando seu testemunho de vida, fiquei maravilhado. Um jovem do meu lado comentou ao amigo: “Que doideira, esse cara é de Deus véi! E eu aproveitei a oportunidade e falei àqueles jovens o que fez com que ele se tornasse um “cara de Deus!”. Eu me maravilhei com este Halleluya!

Queria contar aqui o que vi lá no estacionamento, na segurança, no Halleluya Kids (O cuidado com as crianças, a evangelização e ainda os trabalhos após o término, que se dava às 10 horas), nos Cursos, na fila para Confissão..., mas, ficaria muito longa a minha partilha. O Halleluya é uma dimensão da Igreja viva e jovem, um coração onde corre o sangue de Cristo, um grande espaço de misericórdia. Outra coisa me maravilhou: Diversos padres da Arquidiocese de Fortaleza passaram pelo evento, confessaram, assistiram as apresentações musicais. Lembro ter visto, praticamente todos os dias, o reitor do Seminário de Teologia São José, Arquidiocese de Fortaleza, como também vi vários seminaristas. Vi pessoas responsáveis pela organização de outros grandes eventos de evangelização em Fortaleza, visitando e olhando as estruturas do halleluya para usarem como modelo, e tudo isto me maravilhou!

Bendito seja Deus pelo Halleluya! Bendito seja Deus pelo “Halleluya quero Mais”, que é uma das dimensões de continuidade do Halleluya, porque ele continua de várias formas: nas paróquias, nas cidades, no coração e na alma de milhares de pessoas que participam do Halleluya. Deus seja louvado por tudo o que vivemos no halleluya. Certamente a alegria do amor de Deus que faz viver, foi muito concreta na vida de muitas pessoas. Que Nossa Senhora interceda para que todas as sementes de salvação lançadas no coração dos que foram ao Halleluya, germine cem vezes mais. Por tudo isto e por muito mais, só posso concluir que me maravilhei com o Halleluya!

Antonio Marcos

2010-07-25

Os olhos da misericórdia de Deus no Halleluya


Profundas são as palavras da Liturgia deste Domingo (XVII TC), especialmente da 2ª Leitura, quando diz: “(...) vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados” (cf. Cl 2, 12-14). Enquanto eu rezava e meditava esta Palavra, logo o Espírito Santo me fez lembrar uma proclamação de cura e perdão, na adoração Eucarística, feita pelo Pe. Antônio Furtado, no dia de ontem, no Halleluya.

Assim eram as palavras do Pe. Antônio, dirigidas a um jovem que ali, no meio a 250 mil pessoas, em profundo silêncio, contemplavam Jesus no Santíssimo Sacramento do altar: “O Senhor está visitando a um jovem que aqui se encontra e que matou o seu pai. Este fato trágico te marcou profundamente e te fez sofrer muito até hoje. Não és feliz, pois carregas o sofrimento da culpa. O Senhor te diz agora, filho: ‘O meu amor por ti é maior que o teu crime. Lavo os teus pecados com o meu sangue e te perdou. Torno-te livre deste sofrimento e te faço viver outra vez. O meu amor agora te salva!’”. Depois, o Pe. Antônio pediu para que aquele jovem procurasse o sacramento da confissão.

Confesso que fiquei emocionado e até deixei as lágrimas descerem do rosto pensando naquele jovem, em muitos outros ali e, também em mim. Lembrei de quando cheguei ao Encontro Renascer em 1998 e, encontrando-se machucado, vazio e sofrido, fui visitado pelo amor de Deus. Os olhos da misericórdia de Deus nos alcançam ai onde estamos, nos submundos de nossa dor, culpa, infelicidade e vazios. Aquele jovem, talvez, jamais imaginasse que Deus o via naquela multidão e que o havia atraído por causa do Seu amor e desígnio. Os homens colocam muitas barreiras, mas o olhar amoroso de Deus vai sempre além.

Naquela hora no Halleluya me senti aquele jovem, fui tão visitado quanto ele! Queria muito tê-lo encontrado, mas, não sendo possível, sei o que aconteceu dentro dele. Imagino que tenhas chorado muito, sentindo-se visto, visitado por Deus, amado e perdoado. Tenho certeza que hoje aquele jovem sente um alívio e uma paz em seu coração que nada pode descrevê-la. Hoje é o primeiro dia de vida nova para aquele jovem.

Obrigado, Senhor, por Teu olhar de misericórdia capaz de nos arrancar da desgraça e nos conduzir à felicidade. Realmente as palavras do Walmir Alencar são outra vez recordadas nesta hora: “O Halleluya só é a mesma coisa para quem não consegue vê-lo com os olhos da fé!”. Obrigado, Senhor, pois Tu também me salvaste quando ouvi aquela proclamação. Os olhos da Tua misericórdia também me visitaram!

Antonio Marcos

Sem o Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo!


“Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo”. Assim rezamos com a Igreja neste Domingo, na Oração do Dia. No caminho da fé, muitas vezes, demoramos muito para fazermos a experiência concreta de que sem Deus ninguém é forte. Não somente para quem não crê, quem não conhece o amor de Deus, mas, especialmente, para quem tocou de perto o mistério da salvação e, por questões diversas, confiou demais em si mesmo ou esqueceu que ninguém é santo sem a contínua ação da graça de Deus em nossas vidas.

A Igreja reza ainda que “o Senhor redobre sobre nós o Seu amor para que possamos usar os bens que passam, e abraçar os que não passam”. Geralmente nos encantamos demais com os bens terrenos, com nossas coisas e, especialmente, com as pessoas a quem dedicamos carinho, amizade, amor, tornando-as praticamente a “razão” de nossas vidas. Na verdade, elas também não podem preencher em plenitude o nosso vazio de Deus, o nosso desejo maior pela felicidade.  As próprias relações humanas são maravilhosas, mas, quando fora de Deus, fragilizam-nos e podem comprometer nossas melhores forças e sonhos, nossas decisões e esperanças.

O Senhor é a nossa fortaleza, o Seu amor é o nosso consolo e Sua graça é o que nos santifica. Obrigado meu Deus, por me ajudar a fazer o caminho de volta a esta certeza: sem o Teu amor, ninguém é forte, ninguém é feliz! Ajuda-me a desprender-me de mim mesmo, das coisas e pessoas, das quais, fiz mais importantes na minha vida que o Teu amor.

Antonio Marcos  

2010-07-24

De um amor estranho a uma presença constante!


Na noite de ontem no Halleluya, o momento forte da adoração a Jesus Eucarístico levou muitos a uma experiência com o amor de Deus. A primeira grande admiração foi contemplar aquelas milhares de pessoas, na sua maioria de jovens, fazerem silêncio diante do Senhor, dobrarem os joelhos e rezarem com fé, ainda que muitos nunca tenham feito aquilo antes. É bonito ver e rezar no meio deles, senti-los de perto, contemplar as lágrimas de vidas destruídas e reencontradas, visitadas pelo amor de Deus e por sua misericórdia naquele momento, de forma especial.

A letra da música da canção título do Cd de Davidson Silva, já fala do choque da misericórdia de Deus: “Põe aqui tua mão, torna-te um homem de fé, toca o meu coração, e o medo se vai; Eu voltei para Ti, por tanto te amar, toca o meu coração, Eu sou a tua paz!” Foi isto que aconteceu na noite de ontem, sexta-feira, não somente na minha vida, mas na vida de milhares de pessoas que rezavam diante de Jesus Sacramentado. No silêncio de adoração escutávamos as lágrimas de jovens que redescobriam não valer a pena viver sem Deus e fazer da juventude um tempo vazio onde o corpo e as relações são, praticamente, vendidos a prazeres que destroem a vida.

As palavras de Gabriella Dias, CV (Resp. pela missão Shalom de Fortaleza)  penetraram fortemente na alma de tantas pessoas quando naquele momento rezavam: “Você que se encontra agora diante do Senhor Eucarístico, não tenha medo de acolher este amor. Saiba que jamais o amor de Deus te abandonou, atraiu-te aqui e agora te visita e te salva. Muitos fazem a experiência de tocarem a Deus e de sentirem o Seu amor depois de tanto tempo distantes. De um amor estranho, desconhecido, sentem agora a presença constante. Deixe-se amar pelo Senhor!”. Este momento de graça e salvação no Halleluya é mesmo de muita salvação porque é indescritível a ação de Deus, mas contemplamos, vivemos, somos testemunhas destes milagres que valem mais que qualquer outra coisa, como assim diz o cantor Cosme: “Não é por mim que vocês estão aqui ou por qualquer outra ação musical, mas pelo Senhor”.

Antonio Marcos

2010-07-23

Halleluya: não há privilegiados neste palco, mas ousados na fé!


Muito contagiante foi a 2ª noite do Halleluya 2010. Das muitas maravilhosas atrações musicais, dentre elas, destacou-se a apresentação do Ministério Adoração e Vida, encerrando a noite. Foram mais de 120 mil pessoas que, na alegria e em espírito de adoração a Deus, viveram esta forte comunhão com o Senhor, através da oração e da unção com a qual foram ministradas as canções. Dizia Walmir Alencar, vocalista: “Não queremos que este momento do Hallleluya seja um simples ajuntamento de pessoas, mas um encontro de fé e de adoração. Seja um adorador, ouse na fé, deixe que esta seja a hora do Halleluya na sua vida. Não existem privilegiados no palco do Halleluya, mas pessoas que ousaram na fé, ministérios que ousaram na fé, Comunidades que ousaram na fé; assim também desejamos isto pra sua vida. Vamos perder tempo para ganharmos a Deus!”

Ao viver e contemplar tão perto aquele momento de oração e de experiência com o amor de Deus, impossível descrever a ação da graça de Deus, o mistério com que Ele alcança a vida de muitos. Ao olhar o Povo de Deus ali no Halleluya, também me alegrei com as palavras do Walmir Alencar, citando o Catecismo da Igreja: “Deus está não somente na Capela, mas também no Povo de Deus reunido”. Daí o convite para que cada um fosse além de querer ver uma simples apresentação musical. “Não nos permitamos acreditar que o Halleluya seja sempre a mesma coisa, porque não é! O Halleluya só é igual para quem não sabe enxergar com a fé a diferença”, concluiu Walmir Alencar. Assim todos nós vivemos tamanho momento de graça, na certeza de que ela seja propagada aos lares, aos ambientes, às pessoas distantes, às mais infelizes e solitárias. Fica esta certeza: o amor de Deus não é privilégio para alguns, mas dom para todos. Deus ama a todos e nos convida a participarmos da Sua felicidade, precisamos do passo da fé. Ela é o segredo da ousadia do Halleluya e da sua proposta! Não há privilegiados, mas ousados na fé! Assim seja!

Antonio Marcos

2010-07-22

O Senhor Jesus é o segredo, a razão do Halleluya!



Na expectativa e alegria pelo início do Halleuya 2010, foi celebrado ontem, quarta-feira, Santa Missa presidida pelo Pe. Antônio Furtado. Em seguida aconteceu a adoração ao Santíssimo Sacramento que passou no meio do povo abençoando e consagrando aquele espaço. Nossa mãe Maria Emmir proclamava que o Senhor já estava dando a alguns jovens ali presentes a cura da auto-imagem, a cura do corpo, o sentido de o conservarem puros, limpos e castos para Deus. Depois o Senhor foi introduzido na belíssima Capela do Halleluya para ser adorado durante esses cinco dias. “O Senhor Jesus é o segredo, a razão do Halleluya”, dizia o ontem Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Católica Shalom.

Rico de sentido foi também o momento em que todos foram convidados a olharem para o ícone da Virgem Maria, rezar ao seu Imaculado Coração pedindo a Ela que intercedas por tudo o que será vivido ali. Que Maria conduza a todos, especialmente os mais necessitados, ao Coração Sagrado de seu Filho Jesus. Também todos cantamos a consagração a Nossa Senhora, na certeza de que Ela é a Mãe da Igreja, Mãe da Comunidade Shalom e Mãe do Halleuya, como assim rezávamos com o Moysés.

A presença marcante e em massa dos jovens é muito característico do Halleluya. Já ontem não foi diferente! Impressiona-nos como eles chegam e se aglomeram no desejo de viverem a alegria das músicas, e o fazem cantando, pulando, dançando, marcando presença jovem e, é claro, estampam na face um desejo enorme de encontrarem ali a paz, o amor de Deus, a força que faz viver. O Halleluya somente deu início, portanto, abundantes surpresas e graças reserva o Senhor para todos que ali acorrerão nestes cinco dias. Entrego-Te, Senhor, pelo Coração Imaculado de Maria, também aqueles e aquelas por quem estou rezando nestes dias. Realiza a Tua obra na minha vida e na vida de todos os Teus filhos. Obrigado pelo Halleluya! Obrigado pelo Teu amor, Senhor, pois nele está a força que faz viver!

Antonio Marcos

Essa dor de procurar e não encontrar o amado!



Rezando e celebrando neste dia a memória litúrgica de Santa Maria Madalena, lembrei-me de uma amiga com quem conversei no dia de ontem pela Internet. Claro, esta lembrança é apenas por um aspecto da vida de Madalena: a dor sentida no coração e na alma pela solidão afetiva, por essa angústia dilacerante por estar sozinha e não ter alguém para amar e ser amada.

Compreendo que para algumas pessoas isto possa ser algo simples e que não se deixam abater, no entanto, as pessoas são diferentes e seus sentimentos, angústias e esperanças devem ser respeitadas. Não são poucas as pessoas, especialmente as mulheres, que sofrem por esta situação: o medo de nunca encontrarem alguém, de não amarem, de não serem felizes com uma pessoa que as escolham no amor e que queiram ficar somente com elas. Minha amiga que está distante se encontrava triste, cansada no coração e na alma e sei que ela é forte, muito forte, mas essa dor de não encontrar o amado a fragiliza.

A belíssima leitura do Canto dos Cânticos deste dia traduz essa angústia da busca pelo amado através da amada. “(...) busquei o amor de minha vida: procurei-o, e não o encontrei. Procurei-o pelas ruas e praças, e não o encontrei” (cf. Ct 3, 1-2). Essa simbologia bíblica de caráter sapiencial expressa também a natureza e o drama do amor humano, mas remete ao sentido mais profundo do amor: o amor de Deus, manifestado em plenitude pelo seu Filho Jesus.

O impressionante do texto é que a amada não desanima na sua procura e esta só se concretiza depois do encontro com os guardas. Significa que os perigos e os riscos da noite fazem parte da procura, ou seja, o amor tem um preço que implica a maturidade da fé, da esperança e da confiança no amado que me faz perseverante. Reinventar-se cada dia e recomeçar, não obstante nossos medos e angústias, são necessários. Não podemos desistir de nós mesmos, de Deus e nem de nossos sonhos. Se Deus é o nosso valor supremo teremos sempre motivos abundantes para louvá-Lo e agradecê-Lo. “Vosso amor vale mais do que a vida: e por isso meus lábios vos louvam”, canta o Salmista (Sl 62/63).

Também Madalena passou pelos riscos da noite, outrora pelo pecado, mas agora para buscar o Amado, ainda que levasse consigo a dor por sua morte, como assim havia presenciado. E quanta surpresa para este coração que encontrou o amor que realmente dá sentido a todos os outros, inclusive, ao amor humano. Naquela madrugada outra frustração para o seu coração: não encontrando o corpo do Senhor Jesus, Madalena permanece do lado de fora do túmulo, chorando (cf. Jo 20, 11).

O inesperado acontece. Madalena escuta alguém lhe dizer: Mulher, por que choras? (v. 15). Não é chamada de “prostituta”, mas de “mulher”, significando assim a sua identidade de filha de Deus, a dignidade de nova Eva, alcançada pela remissão dos pecados nos méritos de Cristo. Por excelência, a Virgem Maria é a “Nova Eva” e por isso é modelo não só para todas as mulheres, mas para toda a humanidade. Por fim, o Senhor, o Amado, chama Madalena de “Maria”, significando a sua missão pessoal, a sua participação no mistério da salvação. Somos únicos e irrepetíveis para Deus. O Seu desígnio para nós não se confunde com as vicissitudes da vida humana. Deus não nos trata como número, mas como filho e filha. Posso até esquecer e duvidar dos planos de Deus pra minha vida, o que não nos faz bem, mas Deus não nos esquece e nunca deixa de estar tecendo o seu plano a nosso respeito. Somos míopes muitas vezes quando precisamos enxergar este designo, mas Deus vê além.

Tamanha a alegria de Maria Madalena ao encontrar o seu Amado. Agora a sua necessidade fundamental primeira é dizer: “Eu vi o Senhor!” (Jo 20, 18). Ah, se todas as nossas procuras terminassem com esta certeza: Eu vi o Senhor! Certamente as nossas procuras pelo amor humano seriam mais pacíficas e jamais desesperadoras. Viveríamos a vida sorrindo mais e agradecendo mais, mesmo nas nossas ausências e solidão. Recomeçaríamos cada dia na alegria da esperança deste amor humano, na certeza de que, além dos nossos túmulos vazios, está o Amado de nossas vidas, Jesus Cristo. Amiga, essa dor e essa solidão não podem te dar o direito de desistir da procura! O amor, ele nunca se fadiga, nunca desiste de viver! 

Antonio Marcos 

2010-07-21

Halleluya: a semente em terra boa!



Tudo pronto, dá início em Fortaleza o Halleluya 2010! Como dizia o lema da Seleção Brasileira: “Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro!” A expectativa é de 800 a 1 milhão de pessoas no Condomínio Espiritual Uirapuru (CEU). Não só o Brasil está representado no Halleluya, mas pessoas de outros países que vêm por intermédio dos membros e amigos da Comunidade Católica Shalom. Outros ainda se achegam de longe porque ficaram sabendo pela mídia ou por um amigo. O Halleluya é uma festa que contagia hoje os que estão próximos e os que estão distantes também. Na manhã deste dia, quarta, 21 de julho, um amigo que faz a cobertura jornalística do evento, Vanderlúcio, dizia-me ao telefone que houve uma adesão surpreendente da imprensa cearense ao Helleluya. Na verdade, não há outra notícia por aqui se não que todos querem ir ao Halleluya.

Esses “todos” são também pessoas simples, humildes, que chegam das periferias, alcançadas pela mídia, pelo boca a boca ou pela evangelização corpo a corpo, por um convite simples, mas decisivo para aquele coração. Hoje mesmo pela manhã eu entregava uns panfletos às pessoas dentro do ônibus e elas ficavam felizes pelo convite pessoal. Algumas me perguntaram: “Quando este ou aquele cantor vai estar?” Respondendo-lhes logo me confirmaram a presença ao Halleluya. A nossa música católica é um grande instrumento de atração porque ela também atinge os corações, conquista, evangeliza, leva para Deus e transforma. Além das músicas, tudo o mais proporcionado pelo Halleluya não significa outra coisa se não a semente em terra boa, como assim fala o Evangelho de hoje (Mt 13,1-9).

Vamos nessa! Vamos ao Halleluya! Uma grande multidão se reúne em volta do Senhor. Mas Ele precisa dos semeadores da vida, da salvação, do Evangelho, do amor, da acolhida e do sorriso. Há muitas formas de fazer com que nossa presença no Halleluya seja uma semente que dê frutos abundantes no coração de muitos. Perguntemos a Deus a nossa maneira de ser uma semente em terra boa. Que os anjos estejam no Halleluya e protejam a todos. Que a festa do amor de Deus chegue ao coração de muitos que ali acorrerão e que sejam também propagadores desta boa semente. Feliz Halleluya para todos nós! Já estou atrasado, deixa-me ir! Shalom!

Antonio Marcos

Um amigo verdadeiro, quem pode descrevê-lo?


Depois de chorarem por ocasião da distância, inesquecíveis ficaram as palavras de Jônatan ao seu amigo David, como um selo indelével da amizade: “Que o Senhor esteja para sempre entre mim e ti” (I Sm 20, 42).  Assim, no dia de ontem, os amigos celebraram o dom da amizade, o carinho e a gratidão dos vínculos cativados e cultivados. De fato, quando temos amigos verdadeiros, mesmo distantes, nunca estamos sozinhos, porque o amor destrói as fronteiras e mantém o outro vivo dentro de nós, ainda que não tenhamos o prazer e o calor de sua convivência por ocasião da separação.

Não é por acaso que a figura do amigo está associada nas Sagradas Escrituras ao tesouro. “Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro” (Eclo 6,14).  Este “achar o amigo” não é fruto simplesmente de uma procura humana, mas da abertura do coração para viver as relações nos proporcionadas por Deus. Não escolhemos as pessoas que cruzam nossa história, mas quando sabemos descobri-las, cativá-las e conquistá-las, então achamos aqueles a quem podemos escolher como amigos. “Quem teme o Senhor encontra o amigo fiel” (v. 16). Para nós que cremos há sempre a necessidade de rezar pelas pessoas que entram na nossa história. Não deveríamos pedir a Deus somente o namorado, mas também os amigos. Uma má amizade pode acarretar nas nossas vidas grandes prejuízos.

Lembremo-nos que a amizade não nos fecha nela mesma, mas nos lança para outras convivências. A Amizade é uma preciosa escola de sabedoria e de vida. Dizem os filósofos que infeliz de quem não tem um amigo com quem possa contar e a quem possa amar. A amizade tem um nível de compromissos e responsabilidade, mas os amigos permanecem livres, não nos pertencem. Portanto, saibamos fazer a nossa parte sempre na liberdade do amor. A Reciprocidade nunca deve ser forçada, mas fruto de um reconhecimento da escolha por amor. Quando os amigos sumirem ou se calarem, não deixemos que a dor gere desconfiança, julgamentos e indiferença. Há um tempo para cada coisa, inclusive para deixar que o nosso amigo não queira mais nos escolher. Para a surpresa de muitos, o amor comporta essa liberdade incondicional de sempre deixar o outro livre, mas também o amor na amizade tem a força de cativar outra vez, de dar vida aos cansados e desanimados. Um amigo verdadeiro, quem pode descrevê-lo? Um mistério do amor de Deus nas nossas vidas! “Que o Senhor esteja para sempre entre mim e ti” (I Sm 20, 42)

Antonio Marcos


2010-07-19

O Halleluya precisa dessas “Martas!”


Belíssimas as palavras do Pe. Antônio Furtado na homilia desse último Domingo, no Shalom da Paz. O Evangelho, como nos recordamos, era o de Lucas 10,38-42, que falava da presença de Jesus na casa de suas amigas, Marta e Maria. Quase sempre foi nossa tendência desprezar Marta por ela “não se encontrar” aos pés do Senhor, como Maria, e estar cuidando do serviço doméstico e da acolhida. Pelo fato de Jesus ter dito que “Maria escolheu a melhor parte”, estando-lhe aos pés na escuta dos Seus ensinamentos, achamos que se tratava de desprezo por parte de Jesus quanto ao trabalho de Marta, e isto é um grande equívoco, tão bem nos explicou o Pe. Antônio.

É preciso entender o chamado de Deus para a vida de cada pessoa. Tão importante quanto à vida dos que deixam tudo para seguir o Senhor na contemplação é, sem dúvida, aqueles que desempenham os trabalhos seculares. De forma maravilhosa Deus tem inspirado ao Moysés esta forma de vida onde é possível sermos contemplativos na ação, o que é próprio do Carisma Shalom. É importante não esquecer que rezando ou trabalhando, somos sempre de Deus. Na verdade, faltam muitas Martas em nossos dias! Faltam Martas que se disponham a cuidar dos mais necessitados, dos que estão doentes na família; Faltam Martas que se disponham a cozinhar num retiro, a organizar as cadeiras da Igreja, da Comunidade, a servir voluntariamente nas diversas frentes de evangelização; Muitas vezes faltam Martas que se disponham a “capinar” no Halleluya.

Hoje se encerrou mais um acampamento Shalom, 1200 jovens, e quantos ali foram Martas. Serviram a Deus, deram prova de amor ao Senhor no escondimento do serviço e isso é tão necessário quanto o trabalho dos que estão à frente. Este tipo de serviço oculto e nem sempre reconhecido, ofertado na alegria pela conversão dos que estão ali, pode operar mais que os méritos e a eficácia do pregador. Na Igreja é assim, quantos fizeram e fazem tanto por nós sem serem notados. Maravilhamo-nos pelas práticas de piedade pública, são importantes, mas não esqueçamos do que é fecundado em nossas vidas e que vem da doação oculta de vida de muitos. Dessas Martas temos tanta necessidade nos dias de hoje. O Halleluya é uma grande oportunidade para vivenciarmos bem este Evangelho através do engajamento, do serviço por amor, concluiu Pe. Antônio Furtado.

Antonio Marcos

2010-07-17

Halleluya 2010: "A força que faz viver!"


O tema do Halleluya 2010: “A força que faz viver!”, que tem início na próxima quarta-feira, 21 de julho e se estende até o Domingo, não quer falar evidentemente de uma força qualquer. Esta força não diz respeito unicamente ao volume de pessoas, talvez quase um milhão neste ano somente nos dias principais, sábado e Domingo, encerrando com show do Pe. Fábio de Melo. Também esta força que faz viver não quer fazer referência aos “decibéis”, ou seja, à potência do som da arena principal do Halleluya e ao nível de adrenalina provocado pelas belíssimas músicas que agitam o corpo e o coração dos que ali se encontram. 

Esta força que faz viver diz respeito ao amor de Deus que, misteriosamente, envolve aquele lugar e o torna um cenáculo vivo; diz respeito ao poder da graça de Deus que atrai tantas pessoas para este evento. A força que faz viver é a possibilidade do encontro com a Pessoa de Jesus Cristo, que pode se dá através das muitas oportunidades oferecidas pelo Halleluya para que nossas vidas sejam transformadas, especialmente de tantos jovens que ali chegam sem nenhum sentido de vida. E este encontro acontece, de fato, na vida de muitos, como assim eles têm testemunhado. A força que faz viver é a esperança de que estamos dando às crianças, aos jovens, aos adultos e às famílias de forma geral, o que gratuitamente recebemos de Deus: a Sua graça, o Seu amor, a Sua alegria. A força que faz viver é a acolhida e a entrega de vida de muitos que ali se encontram servindo por amor, trabalhando gratuitamente, porque se sentem devedores aos seus irmãos que ainda não experimentaram a força do amor de Deus, a única que faz viver verdadeiramente.

Antonio Marcos

Os desígnios de Deus para a amizade


“O amor nasce de dentro para fora?” De certa forma sim, mas não que nós sejamos “a fonte” desse amor, mas como aqueles que são os rios provindos de uma única nascente, Deus. Deus é amor! (I Jo 4,8). Este amor passa, necessariamente, pela nossa acolhida, liberdade de refletir nele e de decidir vivê-lo.

 Se nossas decisões não forem coagidas, então significa dizer elas são fruto da nossa liberdade, da capacidade interior que temos de amar e de construirmos relacionamentos uns com os outros. Portanto, diz a Palavra de Deus: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Cremos e testemunhamos que quando o amor de Deus encheu de sentido as nossas vidas, nosso amor também se revestiu de outro sentido, quer seja para as alegrias, quer seja para as dores. Sim, amizade é também uma escolha, porque ela é antes de tudo um dom.

Quando duas pessoas vão crescendo dentro de um relacionamento, vai acontecendo indispensavelmente a escolha mútua. No entanto, se sabe que não se anula a individualidade do outro, como sua história, suas opções, inclusive, seus limites, fraquezas e ”condicionamentos…” O outro permanece quem ele é na sua identidade, história e condicionamentos. O relacionamento de amizade ou de fraternidade pode, futuramente ou no decorrer do seu caminhar, vir a provocar estímulos de mudanças um no outro através da amizade, mas isto é um processo natural e ação da graça, jamais como imposição ou cobrança. Não posso exigir que o outro mude imediatamente e seja aquilo que quero, pois isto não é amizade, mas escravidão, egoísmo.

Poucas pessoas sabem que nossos amigos continuam falhos e dispõem da capacidade de negarem o nosso amor, de o traírem e de nos desapontar. “Uma amizade é um selo que se coloca depois de um tempo de caminhada e de amor provado”. Quando aqueles a quem considerávamos nossos amigos, não permaneceram ao nosso lado na hora da dor ou na situação em que mais precisávamos deles, pode ser um sinal de que a amizade não seja autêntica, mas pode ser também outras realidades. Precisamos conhecer as pessoas antes de emitirmos juízos delas. Nem sempre uma atitude, um erro, uma fraqueza significa que aquela pessoa não é meu amigo, mas tal ocasião pode favorecer o crescimento mútuo.

Deve-se sempre ficar claro: as pessoas devem ser responsáveis por suas histórias de vida e suas opções. Quando ficamos próximos de alguém passamos a ver, como ninguém, seus limites, porém, isso exige de nós maturidade para não sufocarmos o outro e nem sermos juízes, controladores da vida dos outros ou mesmo possessivos. As crises e provas são também ocasiões de crescimento para o relacionamento. Algumas amizades – surpreendentemente – passam nas nossas vidas. Isto é um processo normal. Algumas pessoas participam das nossas vidas por um determinado tempo e seguem seus caminhos e opções e podem, de fato, terem sido nossos amigos. Isto não significa dizer que a amizade não aconteceu!

 As pessoas podem não saber expressarem o cultivo e a presença, mas elas nunca esquecem aqueles que imprimiram nelas experiências autênticas, quem as amaram de verdade. Por outro lado, construir relacionamentos é sempre um risco necessário e vital! Mas, uma vez vivendo suas consequências desconfortáveis, não queiramos resolver os problemas da vida dos amigos ou mesmo assumi-los para nós. Podemos e devemos ser luzes na vida dos nossos amigos e irmãos, mas cada um precisa superar os seus traumas, frustrações e limites. Deixemos que as pessoas possam crescer e prosseguir na vida.

Se elas não conseguiram amar aqui e hoje, que também possamos motivá-las a não desistirem. Não fiquemos acumulando nos nossos corações frustrações, ressentimentos e culpas. Isso atinge nossa autoestima e nos prejudica nos novos relacionamentos. Faz parte da escola dos relacionamentos o fracasso e a inconsistência, o desamor e a ingratidão de alguns a quem queríamos tão bem. Jesus que o diga… a “solidão” da cruz, com exceção da presença de Sua Mãe, de algumas mulheres e de João, os outros amigos desapareceram… um deles até o entregou… Que isso não gere desconfiança em nós para com os nossos amigos, mas preocupemo-nos em amar, fazer a nossa parte na dinâmica e no mistério da reciprocidade.

O amor de Deus em nós é maior que toda mesquinhez e ingratidão que alguém possa ter dedicado a nós. “As bondades do Senhor! Elas não terminaram! As suas ternuras não se esgotaram! Renovam-se a cada manhã. Grande é o teu amor, Senhor!” (cf. Lm 3,21-23). Os teus desígnios para amizade são sempre maravilhosos. Amizade é sempre um recomeço porque Deus nunca desiste de nós. Cada dia Ele recomeça no seu amor e na sua misericórdia para conosco!

Antonio Marcos

2010-07-16

“Viver ficando” nos esteriliza do amor!



Falar da experiência do “ficar” como um modo diferente de viver a relação amorosa e até visto por alguns como preparação para o namoro, parece dividir opiniões entre jovens e até pais. Falar o contrário, discordar de que seja algo bom parece ser digno de descrédito, exatamente por ser algo tão comum em nossos dias. No entanto, o que se precisa levar em consideração é mesmo o valor da pessoa e o tipo de vínculos que se pretende para a vida. Falo de alguém que tenha ou queira os valores concernentes à pessoa que se entende criada para ser feliz, e essa felicidade não é uma mágica, mas um processo de escolhas e renúncias, perdas e ganhos. 

O “ficar”, ou seja, essa relação amorosa, se é que podemos associá-la ao amor, quando completamente sem compromissos pode acarretar muitos problemas, se não a curto, mas em longo prazo para a vida dos jovens. Sabemos que o namoro é uma das coisas mais bonitas e importantes da juventude, principalmente. Portanto, o namoro é um compromisso que exige etapas responsáveis para que o processo do amadurecimento do vínculo leve a uma meta. A relação necessita de respeito e responsabilidade pela sacralidade da pessoa, do corpo, dos gestos de carinho e do próprio namoro. O “ficar” nos descompromete dessa responsabilidade pelo outro e pode tornar a relação uma ocasião de instrumentalização do outro. 
 
O “ficar” não permite o compromisso porque “este amor” não se compromete. Infelizmente boa parte das relações de hoje acaba sendo fruto de uma “ação predatória” dos rapazes principalmente, mas também das mulheres. A atitude de “caçar” alguém nos faz perder o foco e a consciência de quem nós somos e do que Deus designou para nós. Por outro lado, é preciso se dizer que a estética simplesmente, o corpo, o exterior de uma pessoa não é suficiente para sustentar um relacionamento, como também rosto bonito não é garantia de namoro e casamento feliz. O mais importante é desenvolver a convivência, a amizade, o amor, pois somente o amor purificado e equilibrado nos leva ao sentido real de uma relação, que é a espera, o cuidado, a promoção do outro, a capacidade de ser alguém para com quem queremos construir uma relação duradoura. Os jovens esquecem que o mais importante é o caráter e o conteúdo de vida.  

Evidentemente somos atraídos pela beleza, e quem não é? Um rapaz ou uma moça bonita é sempre agradável aos sentidos, mas isto não diz tudo da natureza de uma relação. Quando convivemos de perto com uma pessoa podemos até não desfrutar dos padrões de estética nos proposto pelos contextos culturais, no entanto, passamos a ter mais capacidade e sensibilidade de captarmos uma beleza exterior e interior segundo o valor que a relação toma no despertar da amizade e do amor, da escolha e da identificação do coração com o outro. Ora, “viver ficando” nos esteriliza do amor e de tudo isto porque não promete uma continuidade, uma convivência, mas simplesmente um experimentar o outro, o beijo, o corpo, o cheiro, depois tudo passa e espera-se outra pessoa. Isto nos esvazia e empobrece a nossa capacidade de construir uma relação frutuosa, que vocacione a um compromisso.  
Os homens vivem as mesmas aventuras que as mulheres, mas, necessário é dizer a vocês mulheres: não queiram ser mais uma na vida de um rapaz! Vocês são chamadas a amar, a construir o amor, a marcar a vida de alguém e não simplesmente ser mais uma que ficou com este ou aquele rapaz. Valorizem-se! Nós, os homens, precisamos muito redescobrir essa dimensão da conquista paciente e tranquila, sem forçar, sem apressar, sem exigir, sem acharmos que tudo é tão fácil. Infelizmente cada dia vemos um número crescente de jovens feridos, marcados muito cedo pelas feridas de escolhas apressadas e de um amor errado, impaciente e até desesperador. 

Bem sabemos que não é fácil estar sozinho. Muitos jovens ficam desesperados com a solidão e sentem vergonha de si mesmos diante dos outros pelo fato de estarem sozinhos. Estar sozinho não é sinônimo de infelicidade, solidão e desespero. Não fomos criados para nos vendermos, mas para colaborar com o desígnio de Deus em nossas vidas. “Ficar” fará com que coloquemos em risco o plano de Deus para nós e acabará nos expondo aos riscos de vivermos uma amizade e uma relação superficiais, sem contar com os riscos à nossa afetividade, ao corpo e à alma. Deus precisa ser o valor sublime de nossas vidas também quando pensamos nos nossos desejos e sonhos. A fé não torna as coisas mais fáceis, mas nos ensina o valor altíssimo do sacrifício e da renúncia, sobretudo, do sentido de nossas ações e esperanças. A razão nos foi dada para nos diferenciar dos que não podem esperar, os animais, ainda assim eles esperam, e a graça de Deus está à nossa disposição para que as nossas esperas sejam possíveis e dignas de um encontro que nos fale daquilo para o qual fomos criados, a felicidade. 

Antonio Marcos