Todos são dignos do meu amor, inclusive os mais difíceis

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, junho 13, 2010 Sem Comentários

Bem sabemos que o “amor como valor humano” foi, em parte, corrompido pela crise cultural. Grandes prejuízos acarretaram a este valor sublime. Os filósofos chegam a chamar o amor, “rainha de todas as virtudes”. Amor para uns significa paixão sexual, desejo erótico, ou simples sentimento de querer bem alguém, ou mesmo de amar intensamente uma pessoa. Depois de Nietzsche, Freud e Marx (“os filósofos da suspeita”) o conceito de amor ficou ainda mais materializado. Com a chegada da psicologia moderna o amor chega ao seu calabouço, ao seu nivelamento. Tudo é amor, inclusive nas músicas, na arte, das expressões corporais, na literatura, na informação e na propaganda, pra não falar das relações.

Parece que a pós-modernidade voltou ao conceito de amor pensado pelos gregos. São eles os criadores dos conceitos: amor-eros, amor-filia e amor ágape. No entanto, a virtude mãe para os Gregos era mesmo o “amor-filia”, endossado pelo “Eros”. Amar para o grego significava uma virtude com o objeto claro, ou seja, com um destino evidente. As divisões de classe na Polis se associavam ao exercício do amor. Quem não tem “sabedoria”, quem não foi iluminado, quem não “saiu da caverna”, vive fora da virtude, não tem valor, deve ser descartado. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Jesus nos amou ao extremo, ao ponto de entregar a Sua vida livremente por nós no madeiro da cruz! Amou-nos quando ainda éramos seus carrascos! Mas será que nos justificaremos como “os céticos da gratuidade do amor”, dizendo: mas Jesus era Jesus? No entanto, Ele nos mandou dar a outra face e disse que perdoássemos setenta vezes sete e que amássemos os nossos inimigos.

Muitos acreditam que essa tal gratuidade do amor é mesmo uma falácia, algo irrealizável! Minha fé não pode concordar que essa afirmação seja positiva. SER e EXISTIR têm significados ricos para a antropologia cristã e católica. O outro “já é” pelo fato de “existir”. O valor da dignidade humana está já naquela certeza indubitável de que este SER, esta Pessoa que vive, por mais desconhecida e “insignificante” que seja para mim, já é digna do meu amor. Não amo como cristão somente porque o outro significa para mim, mas porque ele é digno de ser amado. Eis uma das verdades essenciais da ética cristã e que se choca com uma ética relativista com sua gama de questões dentro da genética atual.

É certo que o amor difere em seus graus de compromisso e responsabilidade. O Amor-Eros não é o “amor-ágape” (caridade), ensinado por Jesus através da Sua vida e no Seu Evangelho, mas o Eros é importante se faz um caminho de ascendência até o Ágape. Amar o irmão, os pais, amar dentro da relação da amizade, do namoro e do casamento são níveis diferentes do amor, mas mantém a sua essência. O importante é ter a certeza de que a gratuidade do amor diz respeito ao que o outro é por ele mesmo e não pelo que ele pode me dar ou significar. Deus nos conceda a graça dessa gratuidade e assim possamos, ao menos, chegar à compreensão de que todos são dignos do meu amor, inclusive os mais difíceis na convivência.

Antonio Marcos