2010-06-07

Temos necessidade de belas notícias!


“Onde se multiplicou o pecado, transbordou a graça” (Rm 5, 20). Maria é Mãe Imaculada que repete aos homens do nosso tempo: não tenhais medo, Jesus venceu o mal; venceu seu domínio desde a raiz. Quanta necessidade temos desta bela notícia! Todo dia, de fato, através dos jornais, da televisão, do rádio, o mal é narrado, repetido, amplificado, acostumando-nos às coisas mais horríveis, fazendo-nos insensíveis, em certo sentido, intoxicando-nos, pois o negativo não se digere plenamente e dia após dia se acumula. O coração endurece e os pensamentos se tornam sombrios (...).

Na cidade vivem – ou sobrevivem – pessoas invisíveis, que de vez em quando saltam às primeiras páginas ou às telas da televisão, e são aproveitadas até o fim, enquanto a notícia e sua imagem chamam a atenção. É um mecanismo perverso, perante o qual infelizmente é difícil opor resistência. A cidade primeiro esconde e logo expõe ao público. Sem piedade ou com falsa piedade. No entanto, em todo homem se dá o desejo de ser acolhido como pessoa e considerado como uma realidade sagrada, pois cada história humana é uma história sagrada e exige o maior respeito.

A cidade somos todos nós! Cada um contribui para a sua vida e seu clima moral, para o bem ou para o mal. No coração de cada um de nós passa a fronteira entre o bem e o mal, e nenhum de nós deve sentir-se com o direito de julgar os demais, mas cada um deve sentir o dever de melhorar a si mesmo. Os meios de comunicação tendem a fazer que sempre nos sintamos “espectadores”, como se o mal só afetasse os demais, certos eventos que a nós não poderia nunca acontecer. No entanto, todos somos “atores” e, tanto no mal como no bem, nosso comportamento tem uma influência sobre os demais.

Com frequência, nos queixamos da contaminação do ar, que em certos lugares da cidade é irrespirável. É verdade: requer-se o compromisso de todos para tornar a cidade mais limpa. E, no entanto, há outra contaminação, menos perceptível pelos sentidos, mas igualmente perigosa. É a contaminação do espírito, que faz que nossos rostos sorriam menos, sejam mais tristes, que nos leva a não nos saudar, a não nos olhar nos olhos... A cidade está cheia de rostos, mas infelizmente as dinâmicas coletivas podem nos fazer perder a percepção de sua profundidade. Tudo o vemos superficialmente. As pessoas convertem-se em corpos e estes corpos perdem a alma, convertem-se em coisas, objetos sem rostos, intercambiáveis, objetos de consumo.

Maria Imaculada nos ajuda a redescobrir e defender a profundidade das pessoas, pois nela se dá uma perfeita transparência da alma no corpo. É a pureza em pessoa, no sentido de que espírito, alma e corpo são nela plenamente coerentes entre si e com a vontade de Deus. A Virgem nos ensina a nos abrir à ação de Deus para ver os demais como Ele os vê: a partir do coração. E ao vê-los com misericórdia, com amor, com ternura infinita, especialmente os mais sós, depreciados, os que sofrem abusos. “Onde se multiplicou o pecado, transbordou a graça”.

Papa Bento XVI. Solenidade da Imaculada Conceição, dez. de 2009, Vaticano.

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