2010-06-21

Sartre e Madre Teresa: quanta diferença!



Somos felizes na vida quando damos sentido aos fatos da vida e à vida por inteiro. O que é o sentido? Sentido é direção. Direção para uma meta. Direção que dá significado à ação. Sentido capaz de responder à pergunta: “Para onde? Por que Para quê? Para onde vais?” Estás indo para uma vida significativa ou uma vida qualquer, uma vida ordenada ou uma vida Caótica, uma vida somente terrena ou uma vida terrena e eterna? Para onde este pensamento ou fato pode te levar, para onde aquele outro?

A insignificância da vida é o oposto da felicidade. Não faltam escritores que proclamam uma vida sem sentido, uma vida jogada por acaso no universo, uma vida como lata vazia sacudida e revirada pelas águas turbulentas do rio. Neste caso, alguém pode até conviver com a falta de sentido, vivendo a jornada, venha o que vier, resignado às forças caprichosas da matéria cruel. Via de regra, porém, o vazio de sentido acarreta dores psicológicas de depressão e a angústia, opostas ao otimismo alegre. Pesquisas afirmam, por exemplo, que as pessoas casadas, com exercício da carícia [sentido positivo do carinho] vivem 12% a mais que as solteiras. Alguns escritores, como Sartre, viram a vida como um esgoto repleto de animais imundos e sem saída, no qual só resta vagar e debater-se até a loucura: a vida não passaria de um aglomerado de absurdidades, egoísmos, interesses, instintos, insignificâncias. Outros, como Madre Teresa de Calcutá, viram na vida uma aventura de amor.

A plenitude feliz consiste na entrega de si a um ideal, isto é, uma ideia-guia, um projeto nobre a ser alcançado com paixão e afinco. Revolucionários e santos, inventores e gurus, filantropos, exploradores e missionários, ficaram atraídos por um ideal, que deu sentido e direção às suas vidas. Por isso, a humanidade os eleva e os relembra em monumentos e datas.
No file “Agonia e Êxtase”, Michelangelo renunciou ao amor por uma mulher e, pintou por anos o teto da Capela Sistina. No dia da inauguração, a mulher que o amava e não foi correspondida lhe diz: “Agora entendo por que você não se ligou a mim. Você colocou nesta obra um amor maior que qualquer amor entre um homem e uma mulher”. Michelangelo ficou tomado por um ideal perseguido com luta (agonia) e vibração (êxtase). “Ama, e faze o que queiras: se te calares, calar-te-ás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor: uma vez que a raiz do amor está dentro de ti, desta raiz não pode sair se não o bom” (Santo Agostinho, In Ioannem, 8).

Fonte: Antonio Marchionni. Ética, a arte do bom, 2008. 

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