2010-06-19

A oração nos leva a perguntas fundamentais



É bastante rico de significado teológico o fato de Jesus estar rezando num lugar à parte e junto com Ele se encontrar seus discípulos, e vindo a interrogar-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9,18).  Jesus escuta com atenção a resposta dos discípulos e não sabemos o que achou delas. No entanto, o que mais lhe interessa é que os que o seguem saibam dizer a si mesmo os motivos do seguimento. Claro, isto não é fabricação humana, mas experiência de Deus, intimidade com Jesus, diálogo entre dois amigos. Os outros podem dizer o que quiserem, mas eu, como cristão, tenho que ter a clareza de quem é Jesus para a Igreja, é claro, mas  especialmente para mim. Não falo de um subjetivismo ou de que vale qualquer coisa que se pense de Jesus, desde que ele exista para mim, não, mas falo da necessidade de, exatamente, conhecer a Jesus para se ter claro a sua identidade.
O que sabemos de Jesus não nos salva. O que nos salva é que esse saber esteja unido à Cruz, ou seja, que a vida esteja numa contínua configuração ao modo de vida de Jesus, ao seu viver e morrer, ainda que sejamos tão fracos e infiéis. Há um processo de morte nos imposto pelo ato de crer. Quero dizer que a fé autêntica nos faz sair de um conhecimento cômodo e de um sentimentalismo religioso ou mesmo da “crença da achologia”, e nos leva a um modo de vida cristã consciente de que a fé é uma entrega de vida. Não precisamos carregar uma cruz para que vejam a nossa fé e renúncia, esta cruz toma forma hoje do testemunho, das renúncias necessárias, dos “não” e dos “sim” que somos chamados a dar aos homens de hoje. O convite é mesmo desafiante: rezar! Ter um momento de intimidade com Jesus neste mundo agitado e barulhento, apressado e ocupado não é fácil, mas as fundamentais perguntas que podem salvar a nossa vida vêm sempre durante ou depois da oração: quem é Jesus para mim? 
Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário