2010-06-24

O homem é vocacionado à eternidade!



O mal é certamente um sofrimento na vida do homem e do mundo, é também um mistério. Mistério esse que nem mesmo os autores modernos que, ao escreverem suas considerações sobre o “Deus im-potente”, não dizem tudo. Portanto, o ateísmo que assola o mundo de hoje promove suas campanhas como consequência também de um desespero. Eles também querem encontrar a Deus, querem a Verdade que os satisfaça plenamente.

O Papa Bento XVI (Spe Salvi) fala das características de um ateísmo mudado nos nossos dias: Para o Santo Padre ”O ateísmo virou uma crítica às ações omissas de Deus. Sua existência negada se explica somente porque ele permanece passivo diante da dor e do sofrimento”. O filósofo humanista Martin Buber, nas suas considerações acerca do axioma do filósofo existencialista ateu, Sartre (”Deus está morto, ele nos falou e agora se cala;o que tocamos é apenas seu cadáver”), parece querer nos dizer que, de fato, “Deus está escondido porque o coração e a fé não o procuram mais, mas uma razão doentia, orgulhosa; uma liberdade que não quer amá-lo, mas apenas satisfazer suas especulações e sede de conhecimentos”. Diz Buber: “O Deus vivo não é apenas um Deus que se revela, mas também um Deus que se esconde”.

O homem não é uma “tábua rasa” (segundo o empirismo de Locke), onde o processo do conhecer, do saber e do agir só se desenvolve pelo aprendizado mediante a experiência. Tudo começaria e terminaria somente aqui. Mas não, o homem é projeto de Deus. Tem uma missão, uma responsabilidade e uma vocação nesta vida. O homem é vocacionado à eternidade, seja ela a salvação ou a condenação. Sua liberdade com suas escolhas o decidirão. A vida do homem foi querida por Deus e dotada de liberdade, vontade e inteligência. Esta vida é, inconfundivelmente, marcada pela necessidade de amar o seu Criador e uns aos outros. O homem é histórico, mas tem raízes e origem no Ser divino, que é Deus. Traz ele as marcas biológicas e genéticas, e precisa construir sua história, seu presente e seu futuro sem ter como assegurá-lo como definitivo porque é finito. Faz isso não só mediante a “experiência”. Há uma vida interior a se desenvolver e é ulterior ao que vemos, tocamos e experimentamos.
Antonio Marcos

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