2010-06-13

Não somos filhos do determinismo de Freud


A Pessoa é dom gratuito do amor de Deus. A palavra “gratuidade” tem suas raízes gregas e decorre de “gratidão” (ação de graças / eucaristia). Portanto, o “dar de graça”, exatamente porque tudo “começa no existir”, não é roubar o que a pessoa tem de especial, mas é reconhecer que ela é digna do respeito e do amor, inclusive do meu dar a vida por ela. Pensar o contrário é colaborar com a “cultura utilitarista” que diz que uma “vida só é digna de ser amada” quando chegar o “sistema nervoso” ou “chegar a idade da razão”. Enquanto isso não chega, o aborto deve ser favorável porque essa existência nada vale.

Penso sempre na gratuidade do amor quando penso na vida dos Santos. O que os movia a dizer em plena fila das câmaras de gás nos campos de concentração: “deixe eu morrer no seu lugar!” Assim aconteceu com Edith Stein, Maximiliano Kolbe, Madre Teresa de Calcutá, Diana Beretta Molla... o que significava para eles a gratuidade do amor?

A caridade não é cega! Significa dar as devidas razões das minhas atitudes e das minhas esperanças. É claro que não amo às apalpadelas. Sei exatamente a quem estou amando. Muitas vezes se trata até de alguém que nos machuca, embora esse amor, em muitos, chegue à fadiga. Não é fácil para uma esposa que sofre o adultério do esposo, não é fácil para a mãe o sofrimento causado pelas sucessivas dores morais, físicas e afetivas do filho ou do próprio cônjuge, não é fácil amar as pessoas difíceis na convivência. Dar as devidas razões da nossa fé e do nosso amor é o que tornará autêntico a gratuidade desse amor dispensado ao outro. A referência do amor” não é o “nosso amor” frágil, mesquinho, interesseiro, marcado pela concupiscência. A referência do nosso amor deve ser o de Jesus Cristo. Somente neste amor podemos dá sentido ao nosso amar gratuito. “O amor a Deus e o amor ao próximo são inseparáveis”.

Todos nós temos a necessidade de sermos amados e de amar. Mas, ainda que alguém nos negue esse amor, é possível amar. Não sou filho do “determinismo de Freud”, mas do “sentido da vida” (como pensa a Logoterapia de Viktor Frankl). Este sentido de vida para a fé cristã se chama Deus, o Deus de Jesus Cristo. Somente o Seu amor torna pleno o meu amor, inclusive quando marcado pelas desgraças da história pessoal. O amor não é somente sentimento. “O sentimento é uma maravilhosa centelha inicial, mas não é a totalidade do amor” (Bento XVI. Deus Caritas Est).

Antonio Marcos

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