Igreja, adaptação e inculturação

Escrito Por Antonio Marcos na sábado, junho 19, 2010 Sem Comentários

É sempre um desafio falar da inculturação e adaptação às realidades e novidades seculares no que se refere à Igreja. “A Igreja não se adapta, mas se incultura”. O que isso significa? Que ela leva uma mensagem perene, na sua centralidade, que é o Evangelho, por isso não pode mudar a mensagem para corresponder ao que é “atual”, digo, modismo, ideologia ou pressão de uma maioria. Ela trairia a sua identidade profético-escatológica e perderia o alvo do seu mandato missionário. Inculturar-se é sair de si, aproximar-se do diferente e do novo, acolher e dialogar, sem sermos configurados ao que o outro pensa, vindo a perder a identidade de cada um. A diversidade não é ruim, mas um sinal de riqueza cultural, embora não signifique que tudo esteja nivelado no campo do valor fundamental.
Bem sabemos que não estamos mais em tempos de Cristandade, de um pensamento religioso homogêneo, mas que isto não significa que a identidade do Cristianismo tenha se desfigurado ou nivelado ao relativismo de que tudo é verdade e tudo é válido. É verdade que desde a Revolução Francesa os espaços da inculturação do Evangelho têm sido mais desafiantes e, por isso mesmo, a tentação tem sido muito mais pender para a adaptação, o que evita constrangimentos, choque de idéias e até invasão da subjetividade. Isto é um engano profundo e que acarreta consequências trágicas para a vida e identidade da Igreja.  O mundo mudou, a Igreja também, mas isso é uma necessidade do Evangelho. Cabe a nós que cremos, sob a guia da Igreja, na inspiração do Espírito Santo, tornar o Evangelho atraente e não usá-lo para simplesmente criar juízo e condenação. A Verdade denuncia a mentira e cuida de reconhecer e promover o que é bom em cada realidade!
Antonio Marcos