A fé não é amuleto, mas participação na vida divina!

Escrito Por Antonio Marcos na quinta-feira, junho 24, 2010 Sem Comentários

É fácil adquirir certa capacidade intelectual – que é característica do ser humano, ser alguém que pensa, que questiona, que pergunta, que quer aprender e crescer - e, no entanto, ao atingir a “idade da razão” passa a se sentir o “dono da verdade”. E o pior, estas pessoas veem-se no direito de massacrarem a consciência religiosa das pessoas mais simples. Esta consciência religiosa e, sobretudo a fé, não é algo inventado pela Igreja, pelas áreas do cérebro como quer “dogmatizar” a neurociência, mas faz parte intrinsecamente da vida do homem, seja ele quem for. A fé é dom de Deus que requer uma resposta livre de amor do homem, porém, resposta inteligente, pensada e amadurecida; mas que permanece simples, num coração de criança e não onde reina a soberba e o desespero.

Mesmo quando o homem faz a experiência da dor e do sofrimento e se agarra à fé, esta não é um amuleto, mas participação na vida divina. “A fé é o ato mais nobre e inteligente da vida do homem”. Ela garante-lhe aquela porção de certeza de que sua vida não tem sentido fora do ato de crer. “Cremos como cristãos, não por uma concepção social ou uma reunião ética, mas pelo encontro com a pessoa de Cristo”, diz o papa Bento XVI.

Não pensemos que no final haverá uma “anistia”, onde todos serão colocados na mesma medida da balança. Não, isso não acontecerá! A misericórdia de Deus é também justiça. Dizer que no final todos se salvarão é dizer que a redenção foi mesmo um “grande teatro”. Jesus teria brincado de morrer só para dizer: “Fiz algo aparente para dizer que vocês não tenham medo de morrer”. A idéia de que Jesus, o Filho de Deus, apenas brincou de morrer, foi sustentada pela ”heresia nestoriana”. Aqui sim, seria uma tragédia! A cruz não foi teatro, muito menos tragédia, embora Jesus verdadeiramente tenha sofrido e morrido, mas foi vitória da vida sobre a morte, libertação do jugo do pecado.

A cruz foi amor! Esta verdade não consiste numa apologia da dor e do sofrimento, isso seria loucura, como bem diz o papa João Paulo II (Memória e Identidade): “O limite do poder do mal, a potência que, em última análise, o derrota. Assim ele nos diz: “O sofrimento de Deus crucificado não é apenas uma forma de sofrimento ao lado das demais… Cristo, sofrendo por todos nós, conferiu um novo sentido ao sofrimento, introduziu-o numa nova dimensão, numa nova ordem: a do amor… A paixão de Cristo na Cruz deu um sentido radicalmente novo ao sofrimento, transformou-o a partir de dentro… É o sofrimento que arde e consome o mal com a chama do amor… Cada sofrimento humano, cada dor, cada enfermidade encerra uma promessa de salvação… O mal… existe no mundo também para despertar em nós o amor, que é dom de si… a quem é visitado pelo sofrimento… Cristo é o Redentor do mundo: “Fomos curados pelas suas chagas” (Is 53, 5)”

AntonioMarcos