2010-06-01

Emancipar-se de Deus é a opção menos inteligente que se possa fazer


A autonomia e o progresso da Ciência com suas surpreendentes descobertas em todas as dimensões da vida humana, não garantiram a tal felicidade prometida e esperada para todos os homens, por ocasião do seu amadurecimento previsto para os dias nos quais nos encontramos. Não se nega os avanços da Ciência e os seus benefícios para a humanidade, seja na área da tecnologia, da economia, das ciências médicas e de diversas outras realidades.

Sim, hoje se vive melhor e de maneira mais confortável, pelo menos para uma parte da humanidade, visto que ainda é grande o flagelo da exclusão social, da fome e da pobreza, pra não falar do submundo da crise de valores éticos e morais. Gerações que nos precederam cuidaram de tornar a nossa vida mais moderna, globalizada e conectada com o mundo digital. Cada dia uma novidade nos surpreende. A psicologia e a psicanálise nos introduziram no universo das explicações das nossas infantis crenças e prisões por acreditarmos nas divindades como regentes dos comportamentos humanos. A Ciência nos modernizou! Temos tudo o que queremos ao nosso alcance, ou melhor, se podemos, temos tudo! E quem não pode se arroga do direito de possuí-lo de alguma forma, ainda que ilicitamente, sustentado pelo voto do cidadão, na sombra da corrupção e do “jeitinho brasileiro”, ou da cruel realidade da violência e da criminalidade. 

Dentro das promessas mais importantes da Ciência (diz-se por parte de alguns de seus expoentes ateus da história e de um ramo da ciência hoje que se opõe à fé) está, sem dúvida, a garantia da felicidade sem Deus. O homem acreditou que se emancipar de Deus era o segredo para o progresso da razão, livrando-se assim dos velhos mitos e dos dogmas, saindo dos contos de fadas e da ilusão religiosa, não completamente da Religião, como diria Freud, pois ela está simplesmente no campo dos desejos e não seria necessariamente um erro pelo fato de estar no mundo subjetivo, portanto, uma imaginação nunca realizada. O segredo seria mesmo apostar no processo da civilização. O cientista americano Richards Dawkins (Deus, Um Delírio)  um dos maiores expoentes do ateísmo moderno, afirma que a concepção metafísica é insustentável em nossos dias e que a única luz de esperança para o homem é livrar-se da concepção de uma felicidade garantida por Deus e acreditar que a Ciência é mesmo a única “cosmovisão” capaz de integrar progresso, razão, subjetividade e felicidade.
   
A Igreja tem deixado claro que não há oposição entre fé e razão, Ciência e Religião, não obstante se reconhecer os ditames de cada uma delas e o seu objeto de reflexão e ação. É insustentável a tentativa de separar essas duas asas da vida humana. O nó da questão está nos extremistas ateus que querem não só promover a ciência, mas combater a fé, a religião e as outras cosmovisões. O Cristianismo não apenas oferece uma visão de mundo, por mais coerente que ela seja, pois está na base da “razão criadora” (Bento XVI), mas dá ao homem a possibilidade de encontrar as respostas às perguntas fundamentais no tocante ao mistério da criação do mundo e do homem, da sua missão; no tocante ao necessário encontro do sentido de vida que tanto reclama o seu coração, e a perspectiva escatológica que responde ao seu anseio pela beatitude, pela vida beata, feliz, como afirmava Santo Agostinho. 

Tendo acreditado e passado a viver como se Deus estivesse morto, o homem também, na verdade, começou a morrer. Deus não é apenas uma referência, mas é Deus mesmo, amor operante, razão e sentido da nossa existência, ainda que não o reconheçamos ou creiamos. A emancipação de Deus por parte do homem conduziu-o ao “ateísmo de revolta”, como diz o Cardeal Raztinger (Sal da Terra), ou seja, passou-se a reclamar a inexistência de Deus não mais promovido por um “ateísmo inteligente”, mas movido pela revolta de que “este Deus está calado, não faz nada diante do mal no mundo”. A emancipação de Deus por parte do homem levou-o ao “tempo da pobreza, mesmo com tanto progresso”; Levou-o à noite do mundo, como afirma o filósofo Heidegger, ou seja, “trata-se não da noite da ausência de Deus, e sim aquela bem mais dramática da incapacidade de sofrer por essa ausência”. 

Livrar-se de Deus, como pretende uma parcela de cientistas e intelectuais, familiarizados com uma filosofia analítica, empírica e eugênica, é a opção menos inteligente que se possa fazer, visto que nEle está o objeto mais procurado pela nossa razão e fé, a felicidade. “É tua face, Senhor, que eu procuro!” (Sl 27,8). “Fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso coração não é feliz enquanto não repousar em Ti”, afirmou um dos homens mais inteligentes que a humanidade já conheceu em todos os tempos (Santo Agostinho, confissões).
 
Antonio Marcos

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