2010-06-17

Amar o que se faz!



Quase sempre definimos e classificamos erroneamente os talentos. Sendo eles um dom natural, uma habilidade, aptidão para algo que se desenvolve em nós “sem grandes esforços”, muitas vezes são usados como critérios para inserir ou excluir alguém.

É bem verdade que existe, naturalmente, o “preço a pagar” para descobrir o talento, acolhê-lo e fazê-lo crescer para a nossa felicidade e sucesso humano-profissional e para que os outros sejam edificados. Tem gente que passa a fazer algo tão bem que encanta aqueles que convivem ao seu lado, seja no trabalho, na família, na Igreja ou em outro tipo de convivência humana. Somos de acordo que nos agradamos muito quando aquilo que fazemos bem é motivo de alegria, satisfação e realização aos outros.

Acontece que a nossa sociedade da produção científica e da evolução técnica ,tem instrumentalizado nossas funções e os sujeitos delas, o homem e a mulher. A exigência no processo seletivo da pessoa para o trabalho, seja qual for, e o clima competitivo entre nossos próprios colegas nos deixan,tantas vezes, desmotivados e insensíveis às coisas simples e mais importantes. Vale quem melhor sabe fazer isto ou aquilo, quem domina mais língua estrangeira, quem melhor canta, toca, dança, escreve, raciocina, domina a tecnologia, é extrovertido, etc. As pessoas mais inibidas ou que não têm dons que as deixem em destaque, ficam exclusas da convivência e das amizades. São tachadas de fechadas, sem qualidade, sem valor, sem algo que faça com que os outros se aproximem. É a velha questão dos interesses em detrimento da pessoa em si.

Na simplicidade está escondido um grande tesouro. Penso que não devemos deixar de buscar nossa qualificação pessoal, o aperfeiçoamento do que fazemos e a equilibrada intenção de dar o melhor, pois isto é vontade de Deus que tudo seja feito com responsabilidade e qualidade porque se trata de servir à humanidade, às pessoas que dependem do nosso trabalho. No entanto, tudo deve ser feito com o justo enfoque na centralidade da Pessoa e não simplesmente pensando no lucro, nos interesses pessoais, assim devemos enxergar que estamos sempre diante de pessoas e somos, de certa forma, responsáveis pela felicidade deles. Você pode estar pensando: mas isto é uma utopia! Quem vive isso? Não existe no mundo em que estamos! Não é verdade, pois existe sim e não são poucas as pessoas que vivem neste  salutar modo de vida, neste princípio. Isto não significa sermos “bobos”, ingênuos, inconsequentes e irresponsáveis, de forma alguma, mas de compreendermos que não levamos deste mundo nada de valor terreno, mas somente o amor, os laços, os valores que não passam, o que construímos na vida das pessoas. De nada adiante viver nessa loucura de passar por cima dos outros, de humilhar uns e desprezar outros em nome do ter, do poder e do possuir. Grandes conseqüências isso acarreta para a nossa vida e para a dos outros. Não chegamos à felicidade vivendo assim!

Gosto de falar da simplicidade e da generosidade no exercício do talento, seja qual for, especialmente quando ele cresceu em nós com facilidade. Quem de nós nunca se maravilhou com a forma como alguns porteiros de condomínios nos atendem, como também a secretária, a recepcionista, o cobrador de ônibus, o limpador de rua, o policial, o padre, o político, o médico, a professora que teve tanta paciência conosco ou mesmo aquele irmão de vida religiosa? Amar o que se faz é o segredo! Ainda que por algum motivo você não esteja feliz com o que faz, lembre-se, é possível “colocar amor ai onde carece e colher amor”, assim falou São João da Cruz.

É sempre possível recomeçar uma vida nova, repensar as atitudes e opções. Os outros nunca podem ser responsabilizados pelos nossos erros e nossas opções, nossas insatisfações e não realizações. Temos de tratar as pessoas com caridade, especialmente quando prestamos a elas um serviço nos confiado, primeiramente por Deus, depois pelos homens. Amar o que se faz – seja o exercício do talento natural ou aprendido – é o segredo. “Ainda que eu reparta todos os meus bens e entregue o meu corpo às chamas, senão tenho amor, não sou nada” (I Cor 13,3). Tudo há de passar, só Deus permanecerá para sempre. Assim seja!

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. É muito bom ouvir isso, pq estamos acostumados a querer fazer só oq amamos e ignorar as outras coisas, mas q Deus nos der a graça de amar oq fazemos e ñ de simplesmente fazer só oq amamos!!

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