2010-05-24

Ver a lebre...seguir os passos...

Falando de forma apaixonada do filósofo Kierkegaard (ano de nascimento, 1813) o escritor Jostein Gaarder, na sua célebre obra: o Romance da história da filosofia, “O Mundo de Sofia”, afirma: “kierkegaard observava que a Igreja e a maioria dos cristãos de seu tempo tinham uma posição extremamente evasiva em relação às questões religiosas. E ele não aceitava isto de jeito nenhum. Religião e razão eram, para ele, como fogo e água. Kierkegaard pensava que não bastava achar ‘verdadeiro’ o cristianismo. Ter uma fé cristã significava seguir os passos de Jesus”.

Veja bem, o filósofo Kierkegaard não foi contrário à razão, daí que se apaixonou pela filosofia e criticou uma forma de religião que não levava à conformidade com a pessoa de Jesus Cristo. O cristianismo está para além de simplesmente especulação racional, embora a nossa fé seja pensada e não vivida às apalpadelas. Para o filósofo “o fundamental não é saber se o cristianismo é verdadeiro, mas se é verdadeiro para mim”. O que quero chamar a atenção é exatamente acerca dessa necessidade de “vermos a lebre”, como afirma Maria Emmir, ou seja, só vale a pena se eu fizer pessoalmente a experiência com a pessoa de Jesus e me decidir por Ele. Quando ela de fato acontece não significa que estamos isentos de erros, quedas e até pecados, mas que acreditamos que a santidade é possível e ela não significa anjos de asas. Significa que fui visitado por Deus, algo parecido com o que descreve Larrañaga, na obra Irmão de Assis: “Naquela noite em Espoleto Francisco teve o que a Bíblia chama de uma visita de Deus (...) e o que a vida espiritual chama de graça infusa extraordinária (...)Essa visita de Deus parece uma revolução na pessoa que o recebe; Descobre-se que Deus é o único que vale a pena.”

Lembro que quando o Moysés (Fundador da Comunidade Católica Shalom) foi, no período inicial da Comunidade, procurar o senhor Cardeal, arcebispo de Fortaleza, Aloísio Lorscheider, para falar-lhe das inspirações de Deus e da sua percepção quanto à espiritualidade do carisma, disse-lhe este homem de Deus, sábio e inteligente: “Leia as obras de Santa Teresa de Ávila”, depois conversaremos. Começava o clareamento do contorno do que o fundador chamou de contemplação na ação. É possível e necessário rezar muito e dar-se muito na evangelização. É possível estar no mundo e não ser do mundo, e ser amigo de Deus. Assim tomaria forma a beleza da Comunidade de Vida e da Comunidade de Aliança. O segredo é o que kierkegaard defendeu: “Fazer a experiência do que Jesus significa para mim e seguir os seus passos”.

Antonio Marcos

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