2010-05-05

A urgência de leituras que edificam

É grande a responsabilidade atual de buscarmos uma boa formação, sobretudo da consciência, não obstante nossas condições de tempo e de coração e ainda nossa condição de pecabilidade. Os estudos ainda permanecem vitais para este processo de maturação intelectual e humana. No entanto, sabemos que nem sempre a prática do estudo está subjugada paralelamente ao aprender, ao apreender de fato. A leitura nos aprimora, nos refina, nos faz ter uma visão mais objetiva e esclarecida da realidade. A leitura nos arranca do anonimato, faz-nos ter uma opinião própria acerca dos fatos e nos posicionar ante os desafios existenciais.

Infelizmente estamos cada dia mais distantes da leitura. Se a buscamos é por obrigação, assim acontece com a maioria das pessoas. A literatura já não nos causa sabor, já não faz mais com que exultemos diante de uma leitura maravilhosa, do universo de novos conhecimentos e de novos horizontes. Infelizmente estamos navegando em demasia, mas não quer dizer que estamos aproveitando bem este tempo no universo globalizado da internet. Dizem os especialistas que as redes de relações causam uma necessidade desesperadora em nós de estarmos continuamente conectados com quem visita o nosso perfil, que nos deixa um recado, que partilha conosco as fotos, as informações, quem nos solicita participar de sua rede de amigos. Quanto mais amigos, mais queremos conhecer outros, e assim parece que permanece o vazio. Temos cada vez mais um medo da solidão e da monotonia. O que está acontecendo conosco afinal?

Temos necessidade de uma leitura que nos faça juntar os contextos despedaçados e aparentemente sem mais sentido para então captarmos uma orientação de vida. Temos de crescer, de progredir. A tentação de nos deixarmos esmagar pelos condicionalismos da nossa história, como pelos limites, pecados e fracassos é mesmo esmagadora, mas não podemos nos entregar. Temos de voltar ao sabor de uma literatura que nos edifique, de uma leitura que nos faça adentrar no universo do saber e da feliz experiência de vermos o mundo com suas sombras a partir de outro ângulo. Não podemos nos conformar com uma leitura simplesmente carregada de ficção, de um romance entre vampiros e humanos, ou mesmo de uma literatura que vomita a fé e faz da razão a deusa soberana. É tempo de nos debruçamos na paixão pela leitura que edifica, que forma a consciência para o bem, que nos insere na arte de ser presença que pensa e age na certeza de que as experiências existenciais, quando carregadas de sentido de vida, são mais fortes e nos lançam na esperança e na beleza da vida.

Antonio Marcos

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