2010-05-20

Somos os primeiros a necessitarmos de conversão e unidade

Estamos celebrando como Igreja a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Embora esta questão pareça ser descconhecida e até sem nenhum interesse para muitos católicos e irmãos evangélicos, ela tem relevância ímpar para a Igreja Católica. São louváveis os trabalhos feitos pela unidade dos cristãos desde a conclusão do Concílio Vaticano II, em 1965. Fruto claro deste evento foi o DECRETO "UNITATIS REDINTEGRATIO", sobre o Ecumenismo. Este Documento é de beleza e profecia extraordinárias, mas ainda muito desconhecido e não valorizado por tantos Católicos e Evangélicos que desejam a unidade dos Cristãos.

A Unidade não é uma opção ou mesmo uma maneira de reagir, muito menos anulação da nossa identidade de católico ou evangélico. A unidade é um dom de Deus, uma graça que deve ser pedida e um caminho de conversão do coração, da mente e das atitudes. Não temos como sermos cristãos sem que seja na unidade, na escuta e acolhimento das diferenças dos outros. Claro, isto não é poesia, muito menos uma cartilha pronta e fácil de exercer, mas, como dissemos, conversão. O certo é que todos nós temos que repensar nossas atitudes prepotentes de nos considerarmos donos da verdade. O período da Cristandade passou e agora temos que conviver com as formas diferentes de crer, rezar e celebrar. Não se sustenta mais nossas atitudes separatistas. Por outro lado é doloroso contemplar que muitas de nossas divisões como católicos partem de dentro de nossas comunidades e paróquias. Gostamos muito de falar de unidade para os outros, mas entre nós criticamos esta e aquela comunidade, este e aquele padre, esta e aquela paróquia.

Penso que isto reflete na omissão com que agimos frente aos problemas que machucam a Igreja, nossa casa, nossa Mãe. Muita gente de boa fé diz: “Não tenho nada a ver com as chagas da Igreja. Ela que se vire e cuide de se converter!” Estes até se envergonham de serem católicos. Ora, isto não é contraditório? Quem é a Igreja afinal, os padres, a hierarquia ou todos os batizados, povo de Deus? O Documento Gaudium et Spes, Concílio Vaticano II, começa dizendo: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, especialmente os pobres e aflitos, são as alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo”. Portanto, a unidade diz respeito a cada um de nós.

Não se tem condições em tempos como os nossos de viver a fé de forma isolada e individualista, embora seja esta uma tendência crescente em nossos dias. Mas quem opta em viver a fé sempre na postura de que os outros é que estão errados e que devem se converter, que se saiba, esta é uma das piores formas de divisão. O velho Agostinho de Hipona dizia aos Donatistas: “A Igreja será sempre lugar de santos e pecadores”. Temos pecados talvez maiores do que os dos outros. Somos os primeiros a necessitarmos de conversaõ e unidade. Rezemos pela Unidade dos Cristãos, mas saibamos dar passos concretos no escondimento cotidiano rumo à unidade.

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. É O QUE sempre digo quando alguem chega p mim,e falando mal da minha Igreja Católica,eu sempre digo antes de qualquer coisa: Amo a minha Igreja,e nos erramos pq somo pecadores.Irei sempre defende-lá!
    se nós que somos Igreja,nao a defendermos,entao quem a defenderá?

    artigo maravilhoso.

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