2010-05-08

Quando o filho nasce a “mãe começa a morrer!”

Quando nos debruçamos sobre as Sagradas Escrituras, especialmente no Antigo Testamento, encontramos ali uma das imagens de Deus que muito nos impressiona. Ele leva o seu povo nas suas entranhas (cf. Is 46,3). Ama-o com ciúmes e o defende dos inimigos. Deus parece amar como uma mãe, mas o Seu amor vai além: “Ainda que uma mãe esqueça do seu filho, eu não o esquecerei” (cf. Is 49,15) Como não nos maravilhar pelo fato de termos sido gerados pelas “entranhas de misericórdia” de Deus?

Uma linda canção da Comunidade Católica Shalom diz: “Quem é esse Deus que chora a nossa dor como uma mãe (…) quem é esse Deus pra nos amar assim?”. É vivendo este mistério do amor e da misericórdia de Deus que contemplamos e nos maravilhamos com o mistério da maternidade humana e espiritual de nossas mães. Elas hoje são lembradas no calendário civil, mas o são cada dia e cada hora pelo coração do filho que reconhece, com gratidão, que sua mamãe se distingue de qualquer outra, independente das suas fraquezas e limitações.

O que seria de muitos de nós se a nossa mamãe não tivesse sido “salvação”, âncora, bússola, força, estímulo, esperança? Elas compreendem cedo que precisam sustentar do filho, que precisam das mínimas condições humanas para educá-los, que precisam da paternidade do pai, mas, por natureza, sabem que somente o amor dignifica plenamente a vida do filho. Quando lhes falta tudo, apostam no amor e se lançam na aventura sublime de educarem seus filhos até as últimas consequências. São fortes, são heroínas, são santas, são mártires. Trazem consigo uma força e um instinto extraordinários. Choram, sofrem, cuidam, perdem, riem, recomeçam, perdoam, são mães!

“Amar até doer”, dizia Madre Teresa de Calcutá! Mas também diz isso a vida de quem se recusa a abortar ou de quem corre todos os riscos pela defesa da vida do filho. Amar altruistamente! Talvez seja a única palavra que mais defina a vocação sublime de ser mãe! A mãe é ponte por onde se “passa do nada (ex nihilo) para a claridade desta vida, dom de Deus”. Já na claridade desta vida, Deus concede a face e a ternura da mãe como ponte para encontrar a Dele. A maternidade e presença da mãe são cheias da autoridade divina. A vocação da mãe remete sempre à saudade que o coração tem do amor de Deus. Por isso, quem ridiculariza sua mãe cai num abismo de dor e de separação com Deus.

A maternidade biológica é sinal de doação, morte pra si mesmo e desprendimento do dom do filho. Quando o filho nasce a “mãe começa a morrer” porque fará da sua vida uma plena doação, esquecimento de si, renúncia, heroísmo e altruísmo. Deus nos ama como uma mãe! Por isso nos trouxe ao mundo pelo dom da paternidade e da maternidade. Gera-nos para a vida da graça na fé da Mãe Igreja. Confia-nos aos cuidados da proteção e intercessão de uma Mãe, a Virgem Maria.

Antonio Marcos

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