2010-05-19

O amor é grande demais para ser banalizado!


Não sei se você já viveu a experiência de ter que parar e dizer a si mesmo: “Puxa, como fui ingênuo por esta ou aquela opção!” De repente aquele arrependimento ou, talvez, aquela consciência esclarecida de que até fomos livres nas opções, mas que temos que refazer nosso caminho e história. O amor e a verdade são grandes demais para serem banalizados! E aí a gente precisa rezar, pedir forças a Deus, entrar em si mesmo para recompor a estima, ouvir os amigos sensatos e fazer novos propósitos, tomar novas decisões, ainda que nos custem o sangue e outras renúncias dolorosas, mas vale a pena recomeçar. Isto lhe é familiar? Que bom!

Pelo incrível que pareça, alguns projetos precisam ser abandonados na nossa vida; algumas ideias e mentalidades precisam ser reformuladas, assim como pessoas precisam passar de nossas vidas. Entenda, não estou banalizando a mística e a perenidade de muitas de nossas convicções e opções. Muitas convicções não dependem de convenção, de momento, de estado interior em que nos encontramos, de dores e até sofrimentos, pois são frutos de uma maturação dentro do mistério da fé e da existência, e assim contornam a nossa identidade e trazem consigo uma ligação estreita com a felicidade do presente e do tempo definitivo. Há coisas que não podem passar em nossas vidas e temos de lutar por elas. Aqui nós poderíamos discorrer muito sobre a sacralidade do matrimônio, mas é outro artigo, não dá pra fazer aqui. Acredito que devemos lutar pelas pessoas que amamos e não desistirmos delas assim tão facilmente. Nesses tempos de pressa, de relacionamentos não maturados, não digeridos, não provados na convivência das virtudes e fraquezas, ficamos também vulneráveis ao processo descartável. Isto é muito ruim porque passamos a querer conquistar pelo que temos, pelo estético ou mesmo pela violência.

Não vale a pena insistir em certas situações que nem mesmo Deus suporta! Não vale a pena ser condenado à infelicidade quando fomos criados para a felicidade, para a vida em abundância, não sem dificuldades e cruz, evidentemente. Não é fácil refazer os planos quando amamos a pessoa errada, quando as lágrimas parecem nosso destino. Muito mais avassaladora é a paixão que nos cega de tal forma que pensamos que tudo está sem caminho de solução. Na paixão parece que nem sequer queremos acreditar que se possa viver sem esse objeto que me causa sofrimento, mas que o quero tanto. O certo é que a vida continua, sempre deve continuar. Lembremos que é muito importante continuar procurando a felicidade. Ela não está distante de nós, mas tem seu ponto de saída e encontro dentro de nós.

O amor é essencialmente comunicação, diálogo, intimidade, reconciliação e doação. Este amor pode nos fazer ver por outro ângulo nossas frustrações e aproveitá-las no processo do recomeço. São João da Cruz falou maravilhosamente da capacidade que tem o amor de se reinventar. As Sagradas Escrituras são a grande e fundamental escola de como fazer esse amor se reinventar cada dia nas nossas vidas: “O amor de Deus não se esgotou; renova-se cada manhã, grande é a sua fidelidade!” (cf. Lm 3,22-23).

Antonio Marcos


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