2010-05-16

O amor dentro do namoro

O namoro é uma das coisas mais importantes e belas da juventude, principalmente, pois colabora na formação da relação a dois, desenvolve a convivência, exercita muitos valores como o cuidado, a atenção, a solidariedade, o respeito pelas diferenças, o diálogo e a alegria de aprender a amar como uma escola que nos prepara para um compromisso definitivo, que é o casamento. O namoro é uma descoberta antecedida pelo olhar, pelo identificar-se com o outro, pelo sorriso, pela gentileza, pela escolha e aproximação na amizade como também fruto desse mistério da atração entre os sexos opostos, dom de Deus. O namoro é uma escola do aprendizado do próprio amor.

É triste constatar que boa parte de nossos casais de namorados não vivem dentro do namoro experiências que edificam, que dão sentido ao presente e constroem o futuro, que alimentam os sonhos, por isso se tornam cedo demais jovens marcados, feridos pela ingratidão, pela infidelidade, pelo desrespeito com os ideais do outro, pelo egoísmo, pelo descompromisso com a palavra dada, com o sentimento e com o próprio mistério de se ter dado uma parte significativa de mim ao outro e não ter sido correspondido à altura que pede a dignidade da pessoa e da própria relação do namoro.

Não precisamos falar tanto do libido enlouquecido dos nossos jovens, dessa “cultura” da banalização do sexo, desse sangue de instinto e prazer que corre nas nossas veias, mas se vê que se torna um rolo compressor que vem ao nosso encontro para nos esmagar. Namoro e sexo se tornaram a “combinação perfeita” de nossa sociedade que respira sexo em tudo, na música, na dança, nas roupas, na literatura, no mercado, na estética e até na religião. Mas tal combinação tem mostrado que os nossos jovens estão cada vez mais superficiais, carnais, desprovidos daquela maturação da convivência a dois em que o amor, a castidade, a arte do diálogo e do cuidado são exercitados. A palavra é autodomínio, não pela escolha do “sexo seguro”, mas pela escolha do aprendizado na renúncia, na espera, na descoberta maravilhosa que se faz quando se vê o outro como filho de Deus, como alguém que me foi confiado para uma missão, não para tornar objeto de meu bel prazer, e tudo em nome do amor, de uma falsa liberdade, de tempos novos e de uma felicidade sem tabus.

O amor, que já se inicia dentro do namoro não exige, não oprime e não faz do outro propriedade exclusiva dos meus interesses egoístas. O amor dentro do namoro deve ser essencialmente de cuidado, de proteção equilibrada, de construção de um relacionamento que se projeta para os seus fins, que são sempre de felicidade como fruto de um caminho, de uma espera, de um valor conquistado e maturado pelo amor provado e comprovado. O amor dentro do namoro não endeusa o corpo do outro e nem a beleza, mas evidencia o caráter, o conteúdo interior, as ações, as atitudes de quem quer viver uma única vida até o fim como família.

Deus nos ajude a acreditarmos outra vez no amor dentro do namoro, principalmente, porque aqui começa o aprendizado que prossegue na relação definitiva que é o casamento. Tudo isto parece uma utopia em tempos como os nossos e, talvez, motivos de risos e descréditos, mas é preciso dizer que este é o sonho de Deus e continua sendo confiado aos jovens porque somos imagem e semelhança de Deus e fomos criados para o amor, para a felicidade, para os valores duradouros e definitivos. Fomos criados para fazer da relação uma elevação para o bem, para o sentido do amor e da comunhão a dois e o namoro nos parece ser um dos mais importantes pontos de encontro e construção desses valores.

Antonio Marcos

0 comentários:

Postar um comentário