2010-05-19

Não os tires do mundo

A oração de consagração que faz Jesus por seus discípulos atualiza sempre a nossa missão como batizados no mundo. É bonito e tocante ver Jesus rezando desta forma ao Pai: “Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo. Consagro-os na verdade; a tua palavra é a verdade. Como tu me enviaste ao mundo, assim também eu os enviei ao mundo. Eu me consagro por eles, a fim de que eles também sejam consagrados na verdade” (Jo 17,15-19).

Jesus pede ao Pai para que não nos tire do mundo. Tal pedido significa muito além do sentido biológico do viver, mas expressa e confere a missão de sermos destinatários imediatos da Boa Nova do Evangelho. Esta Palavra salta ao coração a responsabilidade de não vivermos como os outros vivem. É certo que não é fácil estar mundo e não ser do mundo. Não é fácil não se deixar esmagar por este rolo compressor do viver por viver, segundo as normas de uma vida puramente sensitiva ou materialista. Boa parte do medo que temos de assumir tal missão é mesmo de sermos intransigentes, não termos amigos, não ter alguém que nos esquente nos dias de frio ou que sejamos tachados de navegadores do mundo da ilusão. Alguns dizem: “Puxa, amigo, é tão difícil ser cristão em nossos dias! É tão difícil sustentar convicções em meio a ambientes e contextos que parecem mundos distantes de nossa forma de pensar!” É verdade, costumo dizer a eles! E quem disse que está mais fácil? Exatamente por isto é que não podemos nos furtar de quem somos, do que pensamos, de como vemos as coisas, da coragem de opinar e de agir simplesmente diferente.

“Não te peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.” Quando contemplamos a descrença do mundo acerca do Maligno, do Inferno, da Religião, de Deus e do Céu, podemos achar ingênuo o pedido de Jesus, mas não o é, pois a realidade da personificação do Mal não é uma ilusão criada pelo homem, como afirmou Freud. Não podemos satanizar todas as coisas, é óbvio, mas também não podemos ignorar que as raízes do Mal tem alcance largo. Quando se perde o referencial de Deus também se perde a noção de que o Mal tem várias facetas. Os valores do bem, do belo e do verdadeiro serão sempre buscados nas pessoas que assumem a missão de batizados, ainda que sejam pecadores e fracos. As cisões do coração do homem infeliz só serão unidas pela força do amor de quem entende que pode fazer diferença, ainda que mínima, no seu ambiente de trabalho, na faculdade, entre os amigos, na festa, no namoro, na relação matrimonial e na família. Senhor, Tua Palavra é verdade! Eu creio!

Antonio Marcos

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