2010-05-16

Libertar-se do “ego supremo”

É indiscutível o que nos nossos “egos” em confronto geram dentro de nós e no ambiente da família, da sociedade e da escola. Os tempos são outros. Daí que também os comportamentos, os vícios e os costumes são modificados com frequência. Ainda temos que conviver com um progresso científico e tecnológico que anda a passos largos e que nos proporciona novidades surpreendentes e desafios concretos.

A facilidade com que os jovens têm para se adaptarem às novas tecnologias não correspondem paralelamente às condições para enfrentarem os desafios nas relações, o fracasso, as dificuldades, o imediatismo e o consumismo. É verdade que somos seres errantes, falhos, sujeitos aos condicionamentos históricos, mas estamos cada dia mais acostumados ao descartável, ao que não causa incômodo. Temos de descomplicar as situações, é óbvio, mas não podemos viver driblando e mascarando nossas fraquezas e limites. Assim as relações se tornam superficiais e instáveis. A virtude do equilíbrio se torna uma das mais desejadas e com alto preço para se adquiri-la. Aqui nós lembramos inevitavelmente da missão dos pais e educadores. Colocar sempre tudo pronto nas mãos dos filhos constitui um desastre que pode tornar as consequências irreversíveis.

O processo de ensinar os que estão confiados a nós ou que simplesmente convivem conosco, em identificar e apreender os valores, não é algo fácil, mas essencial e possível. Maturar os critérios para se refletir a realidade e tomar decisões sábias é uma questão que requer o comprometimento da própria vida, o engajamento nos ideais e nas propostas. E isto se faz isto mediante o norte que é dado por um humanismo que valorize a pessoa em todas as suas dimensões. Uma dessas dimensões é, sem dúvida, a espiritualidade. Quando autêntica nos liberta do “super ego” ou “ego supremo”, ou seja, dessa idolatria do eu, do que é meu, do que posso, do que sei e até do que sou. Somente a partir desses pressupostos podemos trefegar com liberdade e responsabilidade entre a autonomia e heteronomia.

Valorizar o particular, mas estar aberto ao outro, aos outros, ao bem comum, eis o antídoto para vencer essa visão utilitarista que predomina hoje nas relações e na apreensão dos valores.

Antonio Marcos

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