2010-05-20

Feministas e questões complexas

Nesses últimos 40 anos, desde quando aconteceu o Concílio Vaticano II, o mundo mudou muito e fez com que também a Igreja mudasse. Não que ela se adapte ao mundo na sua fragmentação e instabilidade de modas e pensamentos ou mesmo inversão de valores, mas porque também sofre mudanças no processo da atualização da mensagem evangélica para o homem de cada tempo. A Igreja tem de se aproximar do homem e dialogar com suas dores e alegrias, pois também elas são as da Igreja.

Quando uma minoria reclama mudanças e até um outro Concílio na Igreja, pretende, na verdade, pressioná-la para que seja mais flexível em questões que são já tidas como “valores” para uma parcela significativa de pessoas, mas longe de ser a maioria, é claro. Mas a Igreja não está escondida e omissa das frustrações e esperanças da humanidade. Infelizmente o que percebemos por trás de muitas reivindicações são manifestações de murmurações e remorsos eclesiais, frutos quase sempre de percepções e conclusões não esclarecidas.

As feministas e outros grupos fazem seus vomitórios contra a Igreja, mas o fazem por uma questão muito nítida, o poder! Reclamam da centralização de Roma, do autoritarismo da Cúria Romana e das tramas políticas para se prevalecer também os interesses de alguns cardeais e prelados. Mas, não nos enganemos, há muito interesse pelo poder nesses grupos que reclamam mudanças na hierarquia da Igreja. Daí que há muita contradição. Diz-se geralmente: “a Igreja precisa ordenar as mulheres; acabar com a lei da obrigatoriedade do Celibato para o Ocidente e aprovar leis que favoreçam os interesses de grupos diferentes, “apenas um pouco diferentes”, mas normais. Ora, a complexidade dessas questões ainda tem que contar com a ingenuidade de muitas pessoas.

Penso que parte dessas contradições se dá pela omissão desses próprios grupos nos trabalhos de defesa da dignidade humana nas suas situações desumanas. Não falo nem do aborto (que já é um absurdo), pois também parte desses grupos defendem o direito da mulher de decidir sobre sua vida e sobre a vida dos indefesos em seus ventres, inclusive, matá-los em nome da liberdade pessoal. Afinal de contas a mulher de hoje tem que estar no progresso e não sob a tutela de uma moral religiosa. É uma pena que se pense desta forma! As questões são complexas e não se resolvem simplesmente levantando a bandeira do julgar ser um direito legítimo. A legitimidade de uma lei não vem do consenso popular, mas dos valores fundamentais já existentes no mais profundo do coração e das aspirações humanas.

Todas as pessoas precisam de respeito, serem ouvidas e ajudadas em suas necessidades, mas não podemos ferí-las com aprovações de leis que vão contra seus princípios fundamentais. Não se trata apenas de avanços, mas de vida, dignidade, felicidade, vocação para a felicidade dentro de um plano amoroso e que nunca foi uma desordem, muito menos confuso e segundo as circunstâncias de um tempo ou de inversão de valores nas consciências. A Igreja não só tem consciência disto, mas abraça este ideal jamais por questão de poder, mas de vocação e missão junto do povo de Deus.

Antonio Marcos

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