2010-05-06

Fazer da caridade o dom por excelência

Ficamos mesmo muito impressionados com a nossa forma exclusivista de tratarmos as pessoas que pensam diferente de nós, que creem de outro jeito e que não temem dizer que são até mais felizes do que nós. Parece que quanto mais cremos e dizemos que amamos a Deus e ao próximo, mais construímos juízos e separações nas nossas relações e atitudes concretas. Isso não se dá somente no campo teórico, mas, sobretudo, nas ações concretas. Temos de dá as razões de nossa fé, é verdade, diz as Escrituras Sagradas, mas elas não são contrárias à lei da caridade e da liberdade em Cristo que vê além da ortodoxia.

Conto-lhes um fato que tomei conhecimento nesses dias e que me fez pensar muito na nossa forma de crer e de ver o outro que difere de nós nas convicções religiosas, éticas e morais até. Uma senhora “mãe de santo” vindo a ficar doente da psique e buscando um tratamento de um profissional na área de psicologia e psiquiatria, foi literalmente recusada na sua solicitação pelo fato de ser uma “mãe de santo”. Não se admitia se quer que ela fosse ao ambiente do consultório, por sua vez, de um profissional católico. Isto é inadmissível e um absurdo, um pecado contra a caridade, antes mesmo de ser uma atitude antiética deste profissional.

Estamos na Igreja cada Domingo, Dia do Senhor, pagamos o dízimo, damos a oferta, fazemos todas as orações conforme manda o ritual, mas tudo é apenas um programa tradicional religioso. Ao sairmos da Igreja e ao voltarmos para os nossos lares e trabalhos, para as nossas relações seculares, deixamos evidente que a religião não tem nada a ver com a vida do dia a dia. Fé e orações são bem vindas, mas negócios e relações a parte. Não falo, evidentemente, da nossa condição de pecadores e sujeitos aos maiores fracassos e escândalos, ao desamor e destrato aos outros como consequência circunstancial de nossa fragilidade humana, mas falo de uma condição de mentalidade e vivência cotidiana, e até satisfatória, de uma fé que não tem nada a ver com os reais princípios do Evangelho e da ética cristã.

É chocante saber que um profissional católico se recusa a atender uma pessoa doente pelo fato de ser ela de convicção e prática religiosa diferente da minha. O preconceito e a rejeição são um pecado que fere a nossa e a dignidade do outro. Aquela senhora “mãe de santo” “não contamina” o meu ambiente de trabalho e muito menos a minha alma e coração se deixo que a caridade vença a indiferença e a desconfiança, pois, acima de tudo, o que vale é o respeito pela dignidade humana. Não posso fazer o sinal da cruz todos os dias e deixar uma pessoa humana condenada a ficar sem um tratamento vital porque é uma pessoa do candomblé, da macumba, do espiritismo ou outra expressão religiosa semelhante.

Este fato foi real e, pelo incrível que pareça, é comum no dia a dia de nossas relações profissionais ou não. Perguntamo-nos por este tipo de fé exclusivista e que funciona muito mais como um tribunal de juízos e separações de quem está salvo e quem está condenado. Penso e creio que Jesus viveu isto de forma diferente e, exatamente por isto, não foi compreendido e aceito. Não é fácil quebrar os protocolos, fugir ao que manda a etiqueta e ir além da norma religiosa e das nossas doentias mentalidades, mas é preciso coragem, muita coragem para fazer da caridade o dom por excelência, não simplesmente no pensamento, mas na vida.

Antonio Marcos

3 comentários:

  1. assim q eu arranjar um trabalho,eu vou financiar vc antonio marcos,em um livro! li vro bem bonito!
    dos seus artigos.vai ser mt xique.Escreves muito! e muito bem!

    ResponderExcluir
  2. Rs! Muito orbigado Luciana, pelo elogio e por esta sua ideia em me patrocinar um livro. Não penso tanto assim,rs,e que apenas tento dar uma colaboração na formação e reflexão das questões existenciais, mas é claro,se Deus me pedir isto, ele saberá cuidar com Sua providência, através de pessoas generosas e tão acolhedoras como a sua. Obrigado mais uma vez pelo carinho e por me acompanhar nos artigos. Reze sempre por mim!

    ResponderExcluir
  3. ja sabe né...escrevi seu nome na bolinha do rosário!

    ResponderExcluir