2010-05-05

A dor do amor mal vivido

Uma amiga muito cara me ligou nesses dias e me confidenciou estar insatisfeita com a relação de namoro porque as crises de ciúmes estão levando a relação ao desgaste e às desconfianças. Dizia-me então: “Marcos, isto me entristece. Já conversei com meu namorado, que muito o amo e pedi que confiasse em mim, pois apesar das sombras da minha história sou outra mulher, tenho valores e quero casar, construir uma família, ser feliz para sempre. Não quero casar para ver se vai dar certo, mas não espero que meu namorado seja um príncipe encantado. Ele tem as suas fraquezas e limites, mas temos de ser fiel um ao outro e, sobretudo, confiar um no outro por causa do amor. No entanto, estou com medo de fazer a opção pelo casamento e vir a fracassar”. Minha amiga concluiu dizendo, por favor amigo, reze por mim!

Senti que minha amiga não queria, necessariamente, orientações, conselhos ou que eu tomasse partido. Não podia fazer isso, visto que eles se dizem amar um ao outro e devem aprender a superar, trabalhar hoje essa situação, visto que já desejam fazer a opção pelo casamento. Mesmo assim disse-lhe algumas poucas palavras e me parece que ela ficou melhor, mais motivada e esperançosa na relação, mas, decidida a tomar algumas atitudes e decisões acerca dessa situação, no caso, o ciúmes e a desconfiança dentro da relação quando não está acontecendo motivos e muito menos provocação.

Estamos todos sofridos com o “amor mal vivido”. O amor, a amizade, a juventude, a castidade, o namoro... são valores nobres, mas estamos tornando-os relativos e machucando-os dentro de nós. É fato verídico e valor inalienável de que queremos a felicidade, custe o que custar, mas não estamos sabendo superar essa tentação da superficialidade, do prazer momentâneo, da necessidade da dominação do outro ou mesmo de tratá-lo como objeto. Ninguém quer se machucar, ninguém quer errar no amor, ninguém quer chorar as conseqüências de decisões imaturas e irresponsáveis, fruto do prazer pelo prazer, da aventura de brincar com os sentimentos do outro e com o corpo que é expressão da comunicação do amor. Quando o relacionamento não tem perspectiva de futuro, permanecer nele é mesmo correr o risco da desilusão, mas sabemos que não é fácil a ruptura quando se gosta, quando se ama, quando se está envolvido pela paixão.

Eu só sei que todos nós, pelos menos a maioria, sabemos o preço de chorar decisões mal feitas e de termos um dia machucado o amor em nós, a pureza na relação, a capacidade de escolher o bom, o certo, a certeza de nossas convicções e valores. Sabemos o preço de uma solidão não preenchida quando o sexo não estava no seu devido lugar, quando a confiança não se sobrepôs sobre os limites do outro. Mas o amor é aprendizado, é também e, sobretudo, recomeço com esperança e responsabilidade, este é o melhor caminho. A vida não termina quando nos vem o fracasso, mas em tudo precisamos do risco prudente do amor, sempre na verdade e na transparência. Sofrer a dor do amor quando se está na mesma comunhão edifica, mas quando rompemos a confiança e a lealdade, então essa dor é esmagadora, mas ainda assim não pode impor em nós a desesperança. É próprio do amor recriar-se cada dia e fazer novas todas as coisas.

Antonio Marcos

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