2010-05-16

Deus é o mais fascinante horizonte do pensamento


Como é importante pensar a realidade que nos circunda e ensaiarmos uma resposta que caracterize o nosso protagonismo. Nesse sentido só podemos construir o futuro se conhecermos com clareza o que está acontecendo hoje. Não basta repetir as análises dos outros, muito menos viver de tabela, ou seja, dos impulsos que me levam a uma reação, mas que vem do que os outros pensam e decidem para mim. Isto é um assassinato da autonomia e da própria liberdade humana. O pensar remete a horizontes que significam mais do que imaginamos.

É preciso pensar sobre o que se faz e sobre o que se pretende. Deste exercício não surge simplesmente um planejamento de ações, que também não pode ser engessado, mas surgem as perspectivas de mudanças pessoais e as oportunidades para crescer no que é essencial da vida. O filósofo Martin Heidegger falou da “angústia da procura”, da contínua vida em estado filosófico, que nunca é alienação ou simples especulação, mas é o estado de quem faz perguntas que levam a ações concretas na busca de respostas que correspondam às necessidades existenciais. Sem o entusiasmo da procura, da descoberta, ficamos desprovidos do dinamismo da razão e da vida como um todo. Não há mais surpresas, novidades, tudo se torna repetição e a falta de sentido será sempre uma fronteira aproximada quando se esgota a procura.

Não basta conhecer, não basta fazer do currículo uma honra ao mérito pessoal, é preciso ser, evoluir humanamente, estar em contínuo estado de aprendizado dos valores que correspondem ao núcleo da existência. Isto não significa que haja uma desconfiguração da verdade absoluta e que essa procura contínua seria pela instabilidade do que chamamos valores universais, não, não se trata disso. O que queremos dizer é que existe uma hierarquia de valores e ela, por sua vez, não é um atentado à autonomia, à liberdade de pensamento e expressão. Quando a razão reclama sentido de vida, caridade e solidariedade, fé em Deus, vida pautada pela luz do Evangelho, comunhão fraterna e crença numa escatologia redentora, ela não está subtraindo da inteligência a sua natureza específica.

Não tenhamos medo de pensar a vida dentro da perspectiva da fé. Ela não é uma ilusão como pensou Sigmund Freud, fruto de suas análises. Ilusão é viver das conclusões erradas de quem não teve a coragem e a beleza de pensar a fé sem medo de perdê-la. A “angústia da procura” nos ajuda a compreender e a aprender a conviver com as cosmovisões pessoais, mas sem esquecer que há um núcleo que nos une, que nos faz todos necessitados uns dos outros, o amor. Este amor tem um nome: o Deus de Jesus Cristo! Sim, o pensar a existência e as vicissitudes também dizem respeito a este Deus! Este é o mais fascinante horizonte do pensamento. Portanto, é vital para nós e o sentido de uma verdadeira inteligência iluminada pela fé.

Antonio Marcos

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