2010-05-29

Conquistar os outros para o bem, para o bom e para o belo

Fala-se muito da falta de referenciais em nossos dias como da inversão de valores. Diz-se que não se trata de uma destruição dos valores, mas de uma não hierarquização dos mesmos, ou seja, o não considerar uns mais essenciais, portanto, imutáveis, absolutos, outros menos importantes e por isso, mais sujeitos à mudanças, desde que não negue a dignidade da pessoa, não contrarie a verdade e não seja empecilho para o bem comum.

Sempre que tocamos na questão dos valores, deve-se levar em conta também a subjetividade e a consciência, a cultura e o contexto em que fomos modelados na nossa maneira de pensar e agir. Quero dizer que não estamos isentos da influência dos condicionamentos históricos, educacionais e culturais. Obviamente isto não significa dizer que os valores estejam sujeitos à autonomia, ou seja, que sejam definidos, vividos e justificados pelo que simplesmente entendo por valores, independente do dano que cause aos outros, a mim mesmo e ao bem comum. Isto é o que a Moral chama de relativismo dos valores ou uma ética relativista. Em nome da autonomia se quer justificar o individualismo e até a barbaridade. O papa Bento XVI chamou de “Ditadura do relativismo” essa forma errônea de viver os valores.

É grande a nossa responsabilidade diante deste cenário confuso e tortuoso que atinge as melhores consciências dos que convivem conosco ou mesmo os que contemplamos no cenário político, no trabalho, na empresa, nas relações cotidianas, das pessoas simples às mais bem preparadas. Outra vez uma pessoa falava mal do seu patrão dentro do ônibus, enquanto conversava com um amigo. Dizia ela ironicamente: “Tenho certeza que meu chefe rouba a sua empresa, mas só me incomoda o fato de que não estou sendo beneficiada com este roubo. Quero dizer que ele poderia me dar um aumento, já que é ladrão!”. Ela falava sério, e isto me intrigou profundamente. Quando a olhei e vi sua boa aparência, seu jeito de falar, fiquei me perguntando: o que faz com que nossas consciências estejam tão ofuscadas da verdade? Por que o que é bem se julga ser mal, e o mal, passa a ser um bem? E o fator contornável parece mesmo ser o interesse, o poder, o dinheiro, o conforto. Se sou beneficiado também com essa injustiça, então está tudo bem, é verdade, é valor, é justo!

Acredito que uma das formas que podemos questionar a nós mesmos e aos outros e provocar mudanças, ainda que sejam poucas, mas que não deixam de ser significativas, é mesmo o testemunho de vida, a maneira como vivemos os valores, como pensamos e nos expressamos, onde quer que estejamos, sempre na prudência e na caridade. Nunca se teve tanta necessidade de referenciais em nossa sociedade como nos nossos dias. E para isto não se precisa fazer barulho, chamar a atenção, querer estar em evidência, fazer discursos moralistas e condenativos, ser a bola da vez! O que se precisa primeiramente é da nossa consciência iluminada pela verdade e disposta a viver como tal. É grande o choque numa consciência relaxada e deturpada quando tem contato com uma pessoa que expressa pela vida a limpidez dos valores, a liberdade de ser e pensar diferente, contra a corrente, mas que serenamente sabe contagiar e despertar essas consciências adormecidas para o bem, para o bom, para o belo, para Deus, para os outros e para elas mesmas.

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. Belo texto, meu querido irmão!
    Clamo ao Espírito Santo de Deus que Ele me dê a graça de ser
    "uma pessoa que expressa pela vida a limpidez dos valores, a liberdade de ser e pensar diferente, contra a corrente, mas que serenamente sabe contagiar e despertar essas consciências adormecidas para o bem, para o bom, para o belo, para Deus, para os outros e para elas mesmas."

    Um forte abraço!
    Bianca (Manaus-AM)

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