2010-05-25

Cem vezes mais..., e com perseguições!


Ao meditarmos o Evangelho (Mc 10, 28-31) desta terça-feira, 25 de maio, poderíamos nos perguntar: “Recebendo cem vezes mais não nos tornaríamos ricos? Não faz Jesus uma apologia à riqueza aos que tudo deixaram para segui-Lo?”. Na verdade, a lógica de Jesus não é oposição à riqueza, muito menos apologia, mas denúncia ao acúmulo e à falta de generosidade dos bens e da própria vida.

A riqueza para Jesus significa receber para dar gratuitamente. Isto, evidentemente, não menospreza o esforço de quem lutou para conseguir seus bens e sua vida bem sucedida. Os estudos, o trabalho, a preparação e a capacitação, as nossas labutas para vencer fazem parte do processo evolutivo de nossa missão nesta vida, mas não constitui o fim e o sentido último. A lógica de Jesus é a do serviço, da generosidade, do exercício do amor e da prática do bem.

Admira-nos a generosidade na vida de tantas pessoas que, de alguma forma, estão ligadas a nós. Ficamos até constrangidos em vermos e experimentarmos da bondade de tantos corações e, o mais assustador, é que muitas dessas pessoas não estão ligadas à religião, não estão no exercício assíduo das piedades cristãs e outras nem se quer têm fé ou acreditam em Deus. “O princípio do fazer o bem e evitar o mal” é de natureza inata. O homem quer o bem e a felicidade; procura-a mesmo quando o faz em caminhos tortuosos e em opções que roubam sua dignidade. A força para o bem, para o bom e para o belo em nós é maior do que para o mal. No entanto, que se saiba, isto não nos dispensa da acolhida da Salvação em Jesus Cristo. Absolutamente nada se compara ao conhecimento da fé em Jesus, da consciência de pecador e de uma vida nova nos conquistada pela graça. Pois bem, a generosidade na vida destes é um modo muito concreto de sermos questionados, nós que temos fé, que rezamos, que conhecemos a Palavra de Deus, que comungamos e nos orgulhamos em ser católicos. Uma linda canção do Pe. Zezinho diz, parafraseando São Paulo: “Se eu conhecesse todas as teologias, mas não tivesse amor, teria tudo, menos Deus a meu favor!”.

Por outro lado as perseguições não são conseqüências simplesmente do ter, embora em contextos de mundo de consumo e violência, pobreza e desigualdades sociais, isto se torna inevitável. Não é verdade que estamos todos temerosos e cada dia preocupados com a nossa segurança, nossos bens, nossos filhos, nossos tesouros? Sim, não há pessoa que diga o contrário! No entanto, esses medos e angústias por perdermos o que temos diminuem quando estamos desprendidos do que passa, quando aproveitamos o que conquistamos para fazer o bem, para ajudar, para amar e trabalharmos em nós essa loucura das posses e do egoísmo. Sabemos que quem acumula não é feliz verdadeiramente e não tem paz, pois gasta a maior parte de suas forças protegendo o que tem. Mas há uma dimensão também da perseguição e esta nos é muito familiar: a generosidade de vida, infelizmente, desperta em alguns a inveja, o ciúmes, a ganância, a raiva e a te o desejo de destruir. Quantas pessoas boas deixaram de fazer o bem por causa dos olhares dos outros, das críticas e das perseguições diversas. É uma pena!

Ser uma pessoa boa, ao contrário do que se pensa, não parece ser fácil em dias como os nossos, é preciso coragem para romper com essa indiferença e individualismo que asfixia as melhores intenções para o bem. Isto se dá porque a generosidade incomoda e questiona a forma de vida dos outros que acumulam, e estes não são necessariamente os que ricos que a sociedade nos mostra, mas os ricos de si mesmos, de quem se sente melhor do que os outros pelo fato de ter alguma coisa, de saber algo a mais e de ter este ou aquele tipo de poder. Não obstante tais perseguições, não podemos desanimar em fazer o bem, diz as Sagradas Escrituras.

A oração do dia assim reza: “Fazei, ó Deus, (...) que vossa Igreja vos possa servir, alegre e tranqüila”. Alegria e tranquilidade não significam ausência de perseguições, mas, exatamente por causa delas, não perder a alegria e a serenidade. Maiores sofrimentos são os que aprisionam o coração e a alma, ficando assim imobilizados para uma vida generosa, ofertada, entregue livremente. Viver isto, eis o nosso ideal! Viver isto, eis o que significa receber cem vezes mais!

Antonio Marcos

Um comentário:

  1. puxa...esse artigo estar mt bom!
    vc é realmente D+ e nem sobra,q nem eu!rsrs

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