A vida, uma procura constante de aperfeiçoamento

Escrito Por Antonio Marcos na domingo, abril 25, 2010 Sem Comentários
Luiz Alonzo Schoekel, exegeta dos mais considerados, disse, certa vez, que “os poetas eram os que conseguiam captar a realidade com maior precisão”. Através da síntese que um poema, necessariamente, exige, estes fizeram uma leitura da realidade e chegaram a compreendê-la em sua totalidade. “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”, escreveu nossa Cecília Meireles. Em sua intuição, ela captou um elemento que explica a busca de infinito, do qual a humanidade, ainda hoje, continua sedenta: “Eu canto porque o instante existe”.

Foi esse “instante” que moveu Madre Teresa de Calcutá a abandonar uma antiga escolha e optar por algo ainda mais sublime. Em seu poema “Honestidade para com Deus”, ela pede aquele “instante de honestidade” para avaliar uma escolha com critérios que não sejam dela mesma, mas de Deus. A vida, para ser verdadeiramente vivida, requer essa atitude.

A humanidade sempre buscou razões para a felicidade e para o sentido da vida. Mas o que é, afinal, a vida? Segundo alguns filósofos, é “um conjunto de fenômenos de ordem vegetativa e sensitiva” ou, na visão psicológica, seria apenas “um movimento espontâneo e imanente”. Mas há nela algo de fascinante e intenso, que gera no homem o desejo de perpetuá-la, uma atração tão forte que supera o mero instinto de conservação. Todos querem viver. Assim, a vida é uma procura constante de aperfeiçoamento.

(Cardeal Eusébio Oscar Scheid)