A Igreja se seculariza quando reduz a fé à medida humana

Cardeal Robert Sarah adverte: a secularização entra na igreja quando deixa de propor uma fé fundada na revelação de Cristo para reduzi-la às exigências e à mentalidade do homem moderno.

Viver a difícil liberdade

Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão, de opinião, sexual, afetiva ou financeira.

Sobre os Felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga.

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado...

2010-04-30

É consolador ter a certeza de que amamos alguém

Temos saudade dos nossos amigos, da convivência, daqueles momentos que edificam mais do que palavras, mas temos que conviver com essa loucura da pressa, da ocupação e das muitas atividades. Apesar disso, saibamos nos recordar sempre que os valores vividos como semente plantada no coração daqueles que passam por nossas vidas, não são destruídos. É muito consolador ter a certeza de que amamos alguém. É gratificante e restaurador saber que somos amados por alguém, que existimos no coração de quem nos quer bem e que a maior dívida que temos uns para com os outros é a do amor. Não queiramos nos prender ao passado. As pessoas precisam seguir o curso da vida e isso não significa que elas nos esqueceram. Depois que o madeiro da cruz ligou o céu a terra não podemos mais dizer que estamos sozinhos. "Jesus tendo amado os seus, amou-os ao extremo" (Jo 13,1). “Quem ama nunca está sozinho, não vive sozinho e nem morre sozinho”, disse o Papa Bento XVI.

Antonio Marcos

Sinceramente, eu não entendo!


Usar o púlpito para atacar não é sabedoria, mas burrice, autoritarismo e desperdício de um tempo tão importante para se falar da beleza da Palavra de Deus, do próprio amor de Deus e de sua misericórdia. Parece comum encontrarmos aqui e acolá alguns dos nossos queridos sacerdotes usando púlpito para “queimar” e humilhar os nossos irmãos Espíritas, Testemunhas de Jeová, Igreja Universal e adeptos das expressões de fé afro-descendentes. Será mesmo que ainda há espaço para esse tipo de atitude, principalmente por parte de quem recebeu o ofício de aproximar as pessoas da palavra de Deus e da acolhida às diferenças? Penso que não!
Passou o tempo de “Cristandade”, ou seja, o tempo em que todos eram católicos ou, pelo menos, faziam as obrigações e tradições religiosas, embora sem compromisso de mudança interior. Evidentemente não falo da relativização da verdade e da banalização das nossas convicções de Fé. Sou católico e creio no que minha Igreja ensina, na comunhão com a Santa Tradição, no fundamento da Palavra de Deus e de todos os irmãos de fé, mas, no entanto, não tenho o direito de outorgar a mim mesmo a posse da verdade, ao ponto de ridicularizar os outros, de condená-los. Os evangélicos, há 20 anos, faziam isto no Brasil e esperavam que hoje o Brasil inteiro seria Evangélico. A imagem de Nossa Senhora Aparecida é chutada em pleno canal de televisão de rede nacional e os católicos, justamente, se sentiram ofendidos, mas nada, absolutamente nada disso pode nos fazer passar para o lado da agressão, dos ataques e da baixeza espiritual. Temos a beleza da fé católica e todos os meios de salvação, portanto, a semente do Verbo está em outras religiões e o amor, somente o amor pode nos unir.
Não ataquemos os outros, mas respeitemos suas convicções. O testemunho alegre é a melhor forma de conquistar alguém para a verdade e jamais pelo proselitismo ou pela ridicularização do outro, pelo fato de pensar e crer diferente de mim. Quando isso acontece, principalmente do púlpito de nossas igrejas, sinceramente, eu não entendo!
Antonio Marcos

O badalo do sino e o Celibato, entenda!


Parece que algumas pessoas tão críticas da Igreja, do sacerdócio e do celibato... estão tão prontos a escreverem “suas sugestões” como frutos do badalo do sino e não como uma reflexão pessoal, amadurecida e inteligente. Será mesmo que aqueles que não se casam, não têm filhos, não fazem sexo... são os mais dignos de lástimas? Por causa disso são então desprovidos de autoridade para falar, ensinar e ser referência de valores? Pensar assim acaba sendo até mesmo um desrespeito às muitas pessoas que são “mestras na escola da vida”, mesmo sem serem casadas. Quanta pobreza de argumento irrefletido quem pensa assim! Penso que o que está chegando neste ouvido é apenas o badalo do sino. Espero que estes tenham a coragem de dizer ao próprio filho ou filha que, por sua vez não se casem, que fiquem longe de ensinarem aos outros os valores. Que estes saibam que o valor é fruto de uma vida educada no amor e na verdade, e não simplesmente de se “estar transando”. O Sacramento do matrimônio tem o seu valor incalculável, daí o valor do ato conjugal, mas ele é uma vocação entre outras vocações altíssimas de dignidade. A redenção, a maturidade,a felicidade e salvação não vêm pela condição de estar casado, mas pelo estar no estado de vida que Deus quer e de se estar na verdade, na coerência e na doação de si para fazer os outros felizes.

Antonio Marcos

2010-04-29

O papa está fazendo enorme bem ao mundo

Alguns dizem: “este Papa não me inspira confiança, há algo de estranho naquele semblante”.Penso que o “Papa não precisa aparentar”, pois assim vale para cada homem de Deus. Os que costumam olhar as pessoas apenas nas aparências chegam, inevitavelmente, a essas trágicas conclusões. Também isto é fruto do badalo do sino e não da verdade por ela mesma! Todos nós conhecemos o abismo e o inferno de quando escolhemos viver na aparência. O Papa Bento XVI é um homem de Deus,de santidade e retidão sem igual.

Toda a Igreja é muito grata, por termos recebido este homem de Deus para o governo da Igreja em tempos tão conturbados como os atuais. Não se justifica tais acusações irrefletidas! Fiquemos longe e ignoremos tais argumentos de um sensacionalismo doentio de uma parte jornalística que, mostrando incompetência na criatividade do seu trabalho, escolhe irresponsavelmente e intencionalmente falar mal dos homens de Deus. Não podemos condenar a Igreja e os sacerdotes, de forma geral, por causa dos poucos padres pedófilos, assim como não podemos dizer que nossas “famílias são vadias” porque alguns filhos são mais pecadores do que outros. O papa está fazendo, como ninguém, um enorme bem ao mundo da fé, das religiões, da cultura, dos povos, dos pobres e da Ciência. A verdade incomoda... isto é nítido, basta olharmos para nós mesmos..., quando o pecado em nós fica evidente.... se não se tem humildade, reagimos com desdém até mesmo aos que estão para nos ajudar. Conheço isto na minha vida! Portanto, não tenham dúvidas... o papa, a Igreja e os sacerdotes..., eles também são santos, não obstante suas fraquezas!

Antonio Marcos

O que perdoa é o mais forte

Escreve, irmão Leão: Neste mundo, não há inimigos que resistam à bondade e ao amor. Não há ódio que não se desmanche, diante da força do Amor. Que é mais forte, o fogo ou a água? O mundo diz: odiar é dos fortes. Cristo responde: O que perdoa é o mais forte. O ódio é fogo, o perdão é água. Viste, alguma vez, o fogo acabando com a água? Quando os dois se enfrentam, é sempre o fogo que sucumbe.

Adianta alguma coisa lamentar-se dos males que nos rodeiam? Quando as pessoas dizem: Tudo está perdido, isto foi o fim, a esperança levanta a bandeira, dizendo: É aqui que começa tudo. Sim, a esperança é mais forte que o desânimo, o bem é superior ao mal. Escreve, irmão Leão: o estandarte da Pobreza. No alto do estandarte, estarão escritas as palavras: Paz e Amor.

Os quatro irmãos nem piscavam. Escutavam como filhos que recolhem, cuidadosamente, as últimas palavras de seu venerado pai. Francisco prosseguiu. Adianta alguma coisa atacar o erro? Em todo erro, há uma parte de verdade e muita reta intenção. Basta promover a bandeira da verdade, e o erro desaparece. Então, os que estavam sentados, à sua sombra, abrigam-se embaixo da verdade. A verdade é mais forte do que o erro.

(Inácio Larrañaga. O Irmão de Assis, cap. 6, Paz e Amor)

Um adequado anúncio de Deus para nossos contemporâneos

A nostalgia de Deus nasce do coração, do núcleo central da pessoa humana, no qual as faculdades ainda se encontram unidas. Tanto a afetividade como a liberdade desempenham importante papel no conhecimento humano. A ação de Deus como Mistério atinge a totalidade da pessoa em seu coração, mesmo que esta não consiga traduzir tal ação em conceitos que fariam de Deus mais objeto de conhecimento. Observemos, também, que nessa perspectiva a presença atuante de Deus se faz sentir em meio às experiências humanas, cotidianas ou não. Importante é saber captar tal presença escondida, vislumbrada nas entrelinhas do texto de nossa vida.

Diante da atual dificuldade de um discurso sobre Deus, por causa da fragmentação cultural e filosófica, e da tentação de uma solução emotiva ou fundamentalista, nós nos perguntamos se não se impõe valorizar mais a via existencial para Deus, que não deveria ser monopólio dos místicos, mas patrimônio de todo o povo cristão. Sabemos que a verdade de Deus, na Bíblia, não se constitui tanto através de arrazoados quanto de uma experiência diuturna de felicidade, de consciência, de firmeza, mas nela acontece, se realiza e se manifesta como tal. Naturalmente tal concepção não exclui a noção grega de verdade. Levando devidamente a sério seja o que nos revela Jesus Cristo de Deus, seja a verdade última sobre o ser humano, nós nos perguntamos pelas suas consequências em relação a um adequado anúncio de Deus para nossos contemporâneos.

Sem renunciar ao que exige nossa razão para não cairmos em desvios fatais, como já aconteceu na história do Cristianismo, julgamos, entretanto, que a via existencial que valoriza a experiência pessoal do Mistério de Deus na vida de cada um deveria ser mais enfatizada. É o amor e somente o amor que leva a razão a ultrapassar a si mesma, pois ele tem razões que a própria razão desconhece. Teoricamente, nossa fé se encontra continuamente ameaçada por sempre novos “mestres da suspeita”.Existencialmente, contudo, ela nos convence, confirma, ilumina com sua própria luz e com a experiência pessoal de cada um com Deus. Uma luz e uma verdade que nos acompanham, evoluem, mudam, progridem, simplificam-se através das provações e das purificações, tornando-se mais firmes, mais livres, mais passivos diante do Mistério que nos acompanha e que é o que temos de mais íntimo.

(Teólogo Mário de França Miranda. Igreja e Sociedade, 2009)

O que Freud não explicou


“Freud teme que as doutrinas religiosas debilitem a razão. Por isso sugere que se faça a experiência da educação sem interferências de credos. Comentando estas afirmações, o pastor suíço Oscar Pfister, fundador da Sociedade Psicanalítica da Suíça, como bom psicanalista, argumenta com exemplos históricos: há filósofos geniais, inventores, poetas, músicos e cientistas que, ao mesmo tempo, foram profundamente religiosos como, entre outros, Copérnico, Galileu, Mozart, Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e Dante. Teriam eles criado algo melhor se não tivessem sido homens de fé? Não parece e nem aparentam deficiências intelectuais por terem crido em Deus.”
(Olindo A. Pegoraro. Freud, Ética e Metafísica. O que Freud não explicou, 2008).

Este livro do Prof. Pregoraro é uma maravilha! Foi publicado em 2008 pelas Vozes, e chegou nesses dias em minhas mãos. Estou apenas no início da leitura e estou apaixonado pela análise crítica que faz o professor nas duas das mais importantes obras de FREUD, relacionadas à Religião e à sociedade e a ética. Vale muito a leitura e estudo desta obra! Realmente Freud foi fascinante, mas não explicou coisas lógicas, racionais e essenciais da vida humana. Suas visões acerca de Deus e da Religião foram, na grande parte da reflexão, unilaterais porque não conheceu Freud o lado bom e essencial da religião e a vital dependência que temos de Deus para sermos felizes e salvos.

Antonio Marcos

2010-04-28

Continuava a sorrir a Deus e a todos


O tormento continuou até a morte de Madre Teresa, de modo a purificá-la sempre mais no seu amor por Deus e pelos irmãos. Passou a perceber melhor o significado dessa dolorosa experiência e a colocá-la em relação com sua vocação. Em novembro de 1958, disse a Dom Picachy que nunca soubera “que o amor pudesse fazer sofrer tanto, tanto pela ausência como pelo desejo”. No início de 1960, confidenciou ao Pe. Neuner: “Pela primeira vez, nestes onze anos, comecei a amar a escuridão. Porque agora creio que ela é uma parte, uma pequeníssima parte, da escuridão e da dor vivida por Jesus na terra”.

Ficava perturbada diante da reação das pessoas que lhe estavam próximas. Em setembro de 1962, escreveu a Dom Picachy: “As pessoas dizem que se sentem jogadas rumo a Deus vendo minha sólida fé. Isso não significa enganar o povo? Mas, a cada vez que eu queria dizer a verdade – que eu não tinha fé – as palavras não saíam, minha boca permanecia fechada e continuava a sorrir a Deus e a todos”.

O olhar e o sorriso de Madre Teresa: viveu buscando a Deus e sempre encontrando os pobres. Mas, em 5 de setembro de 1997, encontrou-se com seu Amado, para sempre. Seus lábios pronunciavam as últimas palavras: “Jesus, eu te quero bem; Jesus, confio em ti”. Sua vida e santidade foram aprovadas pela Igreja. Tanto assim que, em 19 de outubro de 2003, apenas seis anos após a morte, foi beatificada pelo papa João Paulo II, seu grande amigo.

(Pe. José Besen)

2010-04-27

Aprender com o erro não é um desastre, mas salvação!

Estamos a caminho porque fomos conquistados por um amor que não se iguala a nenhum outro e por isso queremos comunicar a sua novidade. Isso não nos isenta das possíveis penúrias e até dos fracassos, pois somos “postos à morte o dia todo” (Rm 8,36), mas nos faz viver tudo isto numa perspectiva diferente, com um coração e uma alma plasmados pela graça, vida da nossa vida. Necessitamos renovar o amor a Deus diariamente através dos meios indispensáveis que a Igreja nos oferece.

Não fiquemos sozinhos na vivência da fé porque ela não separa, não desintegra, não deforma, não embrutece o coração e a alma, mas nos lança para olharmos este mundo com esperança e um “sadio sofrimento” por causa do homem que sofre por não conhecer a Deus. Dá-lo aos homens, a começar com as pessoas que convivem conosco na família, no trabalho, na faculdade, nos relacionamentos diversos constituem a missão nobre da nossa experiência de fé.

Agindo assim sinalizamos que de fato a nossa fé não é alienante, romântica, mas concreta, palpável, prova de recebemos algo real quando a acolhemos. Isto explica a resposta de Jesus toda vez que o rejeitavam: “Preciso caminhar hoje, amanhã e depois de amanhã” (Lc 13,33). Não obstante nossos fracassos e quedas, dores e humilhações, temos de prosseguir o caminho. De nada adianta ficar a lamentar e se debruçar sobre os erros. Quando erramos as consequências podem até serem desastrosas, mas a oportunidade que Deus nos dá de aprendermos com o erro não é desastrosa, mas salvífica. É preciso coragem, muita coragem. É preciso seguir caminho hoje, amanhã e depois de amanhã.

Antonio Marcos

Apesar de tudo, a vida é bela e digna de ser vivida


A linda música de Roberto Benigni do filme A Vida é Bela (1997), conta a saga do livreiro Guido que foi levado para o campo de concentração nazista, na Itália dos anos 40. Mesmo ciente da gravidade da situação, o pai conseguiu com muita imaginação transformar os horrores da rotina do campo de concentração em regras de uma gincana divertida, pelos menos aos olhos do filho de 6 anos. O intuito era proteger o filho do terror e da violência que os cercavam.

O filme traz o contraste entre as pedras e as flores, entre a vontade de ser feliz e a monstruosidade da guerra, entre o desejo do amanhecer e as agruras da noite longuíssima. Com espírito leve, porém crítico, comoveu platéias ao falar de um dos maiores dramas do século XX: o Holocausto. Benigni se disse influenciado, além de Charles Chaplin, por Leon Trótski, um dos artífices do socialismo russo. Em seu exílio no México, foragido de seu país, ameaçado de ser morto a qualquer momento, Trótski foi capaz de contemplar a mulher no jardim e escrever que, apesar de tudo, a vida é bela e digna de ser vivida.

O pai ia para a morte e se preocupava com a vida do filho. (...) É este otimismo incansável que impregna a história de Guido e de sua família, do começo ao fim, e a torna, como seu diretor disse, “um hino ao fato de sermos condenados a amar poeticamente a vida porque ela é bela.”

(Cartas entre Amigos, Chalita e Pe. Fábio,2009)

2010-04-26

A felicidade de encontrar um amigo

Diz o filósofo Cícero: "Pode-se 'viver a vida' sem conhecer a felicidade de encontrar num amigo os mesmos sentimentos? Que haverá de mais doce que poder falar a alguém como falarias a ti mesmo? De que nos valeria a felicidade se não tivéssemos quem com ela se alegrasse tanto quanto nós próprios? Bem difícil seria suportar adversidades sem um amigo que as sofresse mais ainda. Enfim, todos os bens desejados pelo amigo, apresentam, cada qual, uma vantagem específica: as riquezas são para serem usadas; os recursos, para alcançar consideração; as honras, para obter louvor; os prazeres, para serem gozados; a saúde, para não se sofrerem dores e para satisfazer às necessidades da vida física. Ora, a amizade encerra em si inumeráveis utilidades. Para onde quer que te voltes, lá está ela a teu alcance; não há lugar onde ela não esteja; nunca é intempestiva, nunca é molesta. Por isso, nem o fogo nem a água, como se diz, são usados em tantos lugares quanto a amizade. E aqui não falo da amizade vulgar e medíocre, que no entanto, ela própria, deleita e é útil: falo da amizade verdadeira e perfeita. A amizade faz a felicidade mais esplêndida e, pela partilha e comunicação, ameniza a adversidade."

Do Tratado sobre a Amizade, Marco Túlio Cícero, 106 a. C - Ed. Martins Fontes, 2001, SP.

2010-04-25

Que tudo passe, Senhor, mas que eu não te perca!

“Ninguém é maduro de verdade até que tenha enfrentado sua própria solidão!” (Papa Bento XVI). Quando essas palavras se tornam experiência concreta, vemos que não se trata de poesia..., portanto, ajuda-me Senhor, a viver este tempo. Como não lembrar daquela conversa de Clara com o seu amigo Francisco de Assis, enquanto se sentia angustiado por não conseguir ter em mãos todas as situações: "Francisco, desapega-te da obra de Deus e permanece unicamente com Deus". Que tudo passe, Senhor, se esta é a tua vontade, mas que por nada eu te perca. Ainda que fique somente nós dois, Senhor, terei tudo, terei o essencial, serei feliz! Ajuda-me a viver este tempo sem esquecer que muitos sofrem e necessitam da minha ajuda e da minha oração. Desapega-te dos teus planos, filho, e permanece na escolha de Deus, ainda que a solidão seja dilacerante e te dê a companhia das lágrimas e da dor. Coragem filho! Não percais a esperança, pois Deus é a tua felicidade!

Antonio Marcos

A vida, uma procura constante de aperfeiçoamento

Luiz Alonzo Schoekel, exegeta dos mais considerados, disse, certa vez, que “os poetas eram os que conseguiam captar a realidade com maior precisão”. Através da síntese que um poema, necessariamente, exige, estes fizeram uma leitura da realidade e chegaram a compreendê-la em sua totalidade. “Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta”, escreveu nossa Cecília Meireles. Em sua intuição, ela captou um elemento que explica a busca de infinito, do qual a humanidade, ainda hoje, continua sedenta: “Eu canto porque o instante existe”.

Foi esse “instante” que moveu Madre Teresa de Calcutá a abandonar uma antiga escolha e optar por algo ainda mais sublime. Em seu poema “Honestidade para com Deus”, ela pede aquele “instante de honestidade” para avaliar uma escolha com critérios que não sejam dela mesma, mas de Deus. A vida, para ser verdadeiramente vivida, requer essa atitude.

A humanidade sempre buscou razões para a felicidade e para o sentido da vida. Mas o que é, afinal, a vida? Segundo alguns filósofos, é “um conjunto de fenômenos de ordem vegetativa e sensitiva” ou, na visão psicológica, seria apenas “um movimento espontâneo e imanente”. Mas há nela algo de fascinante e intenso, que gera no homem o desejo de perpetuá-la, uma atração tão forte que supera o mero instinto de conservação. Todos querem viver. Assim, a vida é uma procura constante de aperfeiçoamento.

(Cardeal Eusébio Oscar Scheid)

2010-04-24

O amor envia, compromete...

É muito bom provar do consolo e do cuidado de Deus, especialmente quando as decisões precisam ser tomadas e as nuvens tornam a visão sombria. O amor, somente o amor, sua luz divina pode iluminar o caminho e as decisões. É maravilhoso viver aquela verdade de que disse Bento XVI: “Quem ama nunca está sozinho!” Quem ama não teme as decisões na verdade, ainda que partes se percam e se atinja a sensibilidade dos que nos são próximos e queridos. Quem ama não vive o sofrimento pelo egoísmo de se querer os outros para si, mas porque ama, sofre pelo fato de que o amor nos dá uma missão, comporta também as despedidas e as partidas. O amor envia, compromete... o amor deixa que o outro siga o caminho do bem, ainda que seja não decifrado por nós; o amor sabe se encher de esperança com o outro e reconhece que a felicidade foge dos nossos parâmetros e das nossas fronteiras limitadas. O amor, onde habita o amor? Eu não sei exatamente... eu só sei que quem ama nunca está sozinho. As decisões por amor e no amor, elas levam a novas surpresas e novidades do próprio amor.

Antonio Marcos