"As devidas razoes de um coração que crê e espera na fé" (1 Pedro 3,15)

2017-01-04

Dicas de felicidade


Independente da situação em que sua família se enquadre, o perdão deve ser a base de tudo

1) No amor (a dois): Infelizmente muitos estão desacreditados do amor verdadeiro e perene. Uma confusão contínua se faz entre o fogo ardente e inflamado da paixão, com a chama tênue, mas contínua da cumplicidade, carinho e afeto. A felicidade e a durabilidade de um verdadeiro amor requerem algumas atitudes e posturas concretas:
- Continuamente buscar reinventar os “cortejos” da atração.
- Saber manter e respeitar o limite do outro na sua individualidade. Lembrar sempre que a carência e o ciúme são problemas de quem os sente e tais sentimentos precisam ser curados na oração e com a ajuda de bons profissionais.
- Rezar e colocar, na presença de Deus, as fases difíceis do amor, desilusões e frustrações, insucessos e conflitos.

2) Em família: O conceito de família mudou muito. Mas, independente da situação em que sua família se enquadre, o perdão deve ser a base de tudo. Sempre o desaforo de um familiar machucará mais do que o de um estranho; por isso, o perdão se torna sempre mais difícil. Nunca se espera ser ferido por alguém de quem esperamos ser amados e protegidos. Exercite o perdão, demonstre o perdão, ao menos a vontade de perdoar.
- Faça dos raros momentos em casa momentos alegres e descontraídos. Ria de seus fiascos e seja discreto quando se trata dos de outrem.
- Não tenha medo de, no diálogo, impor limites aos filhos. Quem ama educa. Quem educa também tem de dizer “não”.

3) No trabalho: por mais árdua que seja a sua jornada de trabalho ou, por vezes, desagradável, lembre-se de que a maior parte de seu dia, do seu mês e da sua vida você passará neste ambiente. Portanto, transforme-o num ambiente saudável e de paz.
- Cultive a felicidade mesmo diante da promoção de seu colega de trabalho sem permitir que a inveja o envenene. Como? Confiando em Deus que outra “porta melhor lhe será aberta”.
- Quando deparar com inimizades explícitas, proteja-se na oração e peça discernimento do Espírito Santo para tomar consciência da razão de tal inimizade. A reconciliação sempre é a melhor solução.
- Não destile os desafetos, problemas e conflitos no caminho de volta para casa.

4) Na fé: Quando se trata de enfrentar as turbulências da vida, gosto de citar um dito popular: “Viver com Deus já é difícil; sem Deus, é impossível”.
- Há muitos que dizem não acreditar em Deus, quando na verdade, não acreditam é em denominações religiosas. Não que eu concorde com esta forma de pensar, porém, pode ser uma maneira de entender o pseudoateísmo e propor um recomeço na experiência de Deus.
- Tenha tolerância para com todas as religiões, mas seja firme na sua. Quem segue muitos não vivencia nenhuma.
- Deus está muito mais perto do que você pode imaginar.

Padre Reginaldo Manzotti
aimprensa@evangelizarepreciso.com.br
Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR)

Fonte: Jornal O Povo (Opinião), ESPIRITUALIDADE,  02/01/2017 – Fortaleza-CE.

2016-12-27

Viver a difícil liberdade



Nestes nossos dias muito se fala de liberdade, seja de expressão,  de opinião,  sexual, afetiva ou financeira. Tudo respira liberdade e ai de quem a ela se opõe ou dá sinais de resistência.  Somos livres e pronto, é o grito de guerra quase que inconsciente! Não sei exatamente como refediniria Sartre, o filósofo,  quando disse que estamos condenados por sermos livres.

O paradoxo de nossa liberdade contemporânea é que, infelizmente, muitos não aceitam a forma do outro viver a tal liberdada defendida. O meu conceito de bom, de verdade e de felicidade não pode ser dogmatizado, mas expandido além da fronteira do diferente. Não prego o relativismo da verdade, porque ela continuará tendo sempre uma essência: o bem comum, o respeito, a justiça e o altruísmo. Estes valores são os pilares de uma autêntica liberdade.

Não entendo a violência em nome da liberdade. Não entendo a agressão ao outro simplesmente pela sua forma de ser e viver, ainda que isto se choque com o que chamamos de "nossa verdade, nossa liberdade". Quem não se deixa lapidar nas suas prisões de ideias e conceitos, padrões engessados de comportamentos e de relacionamentos jamais se encaixará no ambiente saudável de convívio social. O "outro diferente" lhe será sempre ameaça, o que se faz lamentável. Mas não percamos a coragem na luta pacífica pela liberdade sonhada e conquistada com tanto afinco. Desejemos, com todas as nossas forças,  viver a difícil liberdade de nossos dias.

Antonio Marcos

2016-12-26

Chegou Natal!


Esperado pelo coração o Natal chega, não como mais um ato a ser celebrado pelos que creem ou festejado pelos que trocam presentes, comem e bebem, mas como oportunidade para uma reflexão sobre a vida. Sim, a vida, porque Deus se fez "gente como a gente" para nos ensinar como viver esta vida de forma livre, não escrava, como assim decorria em seu tempo.

A vida do Menino Deus foi uma aposta do Deus que é Pai e que correu risco ao colocar a vida do seu filho nas mãos dos homens. Porém, Deus conduz a história e sabe fazer do seu desígnio sempre oportunidades para que os homens escolham a vida. Agradecemos a coragem de Maria e de José pela aposta que fizeram pelo Filho de Deus, ainda que não tivessem a exata noção do mistério que os envolviam.

Chegou o Natal mais uma vez, mas absolutamente este mistério nunca será mesmismo para quem aposta no bem, na fraternidade e na justiça. A força deste Menino está oculta, contemplada e desfrutada apenas pelos "fracos", porque o Natal não é poder e nem força, mas fraqueza de um Deus que nos escolheu como morada para nos ensinar a consquistar a morada eterna com a força do seu amor e de sua morada. Chegou o Natal!

Antonio Marcos

2016-07-15

Sobre os felizes

Olá, amigos e amigas leitoras, estamos de volta! Partilho com vocês esta Coluna me enviada no WhatsApp por uma amiga. Achei o texto muito interessante e agora disponibilizo pra você, no desejo de que sejamos pessoas felizes. #boaleitura


Existem pessoas admiráveis andando em passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, sujeitos exemplares que superam toda desesperança. Tenho a sorte de conhecer vários deles, de ter muitos como amigos e costumo observar suas ações com dedicada atenção. Tento compreender como conseguem levar a vida de maneira tão superior à maioria, busco onde está o mistério, tento ler seus gestos e aprendo muito com eles.

De tanto observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todos e o que mais me impressiona é que são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte deles, está intrínseco. Vivem um dia após o outro desfrutando de uma alegria genuína, leve, discreta, plantada na alma como uma árvore de raízes que força nenhuma consegue arrancar.

Dos felizes que conheço, nenhum leva uma vida perfeita. Não são famosos. Nenhum é milionário, alguns vivem com muito pouco, inclusive. Nenhum tem saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam e enfrentaram dissabores de várias ordens. Mas continuam discretamente felizes.

O primeiro hábito que eles tem em comum é a generosidade. Mais que isso: eles tem prazer em ajudar, dividir, doar. Ajudam com um sorriso imenso no rosto, com desejo verdadeiro e sentem-se bem o suficiente para nunca relembrar ou cobrar o que foi feito e jamais pedir algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com a dor do outro, querem colaborar de alguma maneira. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, doam o próprio tempo, suas horas de vida, às vezes dividem o que tem, mesmo quando é muito pouco.

Eu também observo os infelizes e já fiz a contraprova: eles costumam ser egoístas. Negam qualquer pequeno favor. Reagem com irritação ao mínimo pedido. Quando fazem, não perdem a oportunidade de relembrar, quase cobram medalhas e passam o recibo. Não gostam de ter a rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem uma bondade qualquer, calculam o benefício próprio e seguem assim, infelizes. Cada vez mais.

O segundo hábito notável dos felizes é a capacidade de explodir de alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo de felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir. E seguem infelizes.

O terceiro hábito dos felizes é saber aceitar. Principalmente aceitar o outro, com todas as suas imperfeições. Sabem ouvir sem julgar. Sabem opinar sem diminuir e sabem a hora de calar. Sobretudo, sabem rir do jeito de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: amo você e todas as suas pequenas loucuras.

Escrevo essa crônica, grata e emocionada, relembrando o rosto dos homens e mulheres sublimes que passaram e que estão na minha vida, entoando seus nomes com a devoção de quem reza. Ainda não sou um dos felizes, mas sigo tentando. Sigo buscando aprender com eles a acender a luz genuína e perene de alegria na alma. Sigamos os felizes, pois eles sabem o caminho.

Fonte: Jornal O Povo (Colunas) – Fortaleza, 15/09/2015.

2016-02-12

Quaresma: retorno para Deus!






Chega a Quaresma e na homilia (03/2 – Quarta-feira de Cinzas) o padre dizia: “A Quaresma é retorno. Seu sinônimo é volta para Deus”. E complementou: “Quaresma é retorno para a convivência fraterna, para a luz da fé, pra vida sacramental. Nada disso deve ser formalismo, nem farisaísmo, mas mergulho humilde na intimidade com Deus”.

Fiquei pensando nessas palavras e elas não me saíram da mente e do coração. Não sei a sua distância ou aproximação de Deus, como anda o seu coração, suas motivações, suas esperanças, sua alegria em ser de Deus e de servir a Deus. Eu só sei do que se passa comigo nesses aspectos e isso, eu diria, já é uma Quaresma, ou, já é fruto do desejo de viver a Quaresma. Olhar para si mesmo, bater no próprio peito e se reconhecer pecador e necessitado de retorno, ah, isso já é ação de Deus nesta quaresma.

Seu simbolismo e sua mensagem concreta vão além da dimensão mais pessoal e íntima, mas o  centro da quaresma é mesmo a volta para Deus. A meta é a Páscoa do Senhor, a atualização do mistério e da memória da nossa salvação. Portanto, resgatar a memória da nossa história, do que somos e do caminho a percorrer dentro da vontade de Deus são os maiores frutos da Quaresma como tempo de conversão. Esta conversão levará, consequentemente, ao compromisso com o outro, com os contextos nos quais estamos inseridos como missionários batizados, porém, isto só será possível se o nosso coração estiver em permanente retorno para Deus. Ele nos dê a sua graça. Feliz Quaresma!


Ant. Marcos

2016-01-31

Uma vida a dois...



Uma vida a dois não fica mais fácil e nem mais difícil em nossos dias, assim decorre o meu pensar. O fato é que o valor que damos a quem conosco partilha a própria vida exige amor, decisão, comprometimento, criatividade no cultivo, respeito e leveza consciente com os limites. Exige ainda a necessária percepção que possibilita refletir e criar diálogo, que deve gerar correção, acolhida e recomeço.


Num contexto oposto dizemos que nada justifica “matar por amor”. A violência é fruto da covardia e vazio, desespero e banalidade com a vida. O vínculo assediado, invadido e destruído é dor dilacerante, quase sempre irreconstituível, porque o amor exposto aos olhos da humilhação e da mentira já não consegue mais o aconchego da confiança. 


Não quero assim colocar a graça de Deus e o perdão numa caixa de fósforos, só quero dizer que há vidas irretornáveis, mas sempre dispostas a continuar a busca pela felicidade. Ninguém, absolutamente ninguém nasceu para sofrer, mas para ser feliz, apesar de todas as vicissitudes humanas. Que cada um construa a sua história de começos e recomeços corajosos!

Antonio Marcos

2015-07-15

Beleza é fundamental?

Vitral quebrado da Catedral de Angelopolitana
 Vivemos na sociedade do espetáculo, e nela costumamos valorizar mais o que aparece do que o que realmente se é. Assim, identificamos e reduzimos a beleza a uma determinada estética corporal, baseada num padrão, num modelo ao qual se deve aspirar e consumir. A imposição desse modelo gera uma obsessão para quem nele deseja enquadrar-se, e uma fonte de lucros para quem o proporciona. Há um joguete de mercado, de consumo, subjacente a essa proposta de beleza. Os interesses não são da ordem da preocupação com o bem-estar e a felicidade da pessoa. A indústria da malhação, da dieta, dos cosméticos, das cirurgias plásticas, investe fundo, na ânsia humana de tornar-se desejável, por meio do visual.

São muitas as promessas que fazem, de eternização da juventude, notadamente para o corpo feminino. Nessa (des)medida do mercado, não somos nós que decidimos se somos belas, como seremos belas, mas as pessoas, aquelas que nos observam ou nos devoram com o olhar, ou o mercado, sempre de olho no lucro.

Para tornar-se “desejável” para atrair o olhar do outro desejante, investe-se muito, consome muito tempo e dinheiro. Consome, em larga escala, os produtos dessa indústria estética programada, pensada, que pode produzir efeitos interessantes, mas muitas vezes sem alma e até inconsequentes. Muitas pessoas anoréxicas e bulímicas são filhas de processos tirânicos do “tornar-se bonita”.

São, às vezes, projetos de beleza que atingem a saúde, fazem adoecer. Sem dúvida, há um gozo feminino no seduzir pelo corpo, como há um gozo masculino no olhar, no ver, no consumir a estética que um corpo revela. Há uma espécie de convergência nesse “gozo perverso” da mulher mostrar e do homem ver. Contudo, a verdadeira atração se dá quando a aparência estética revela a pessoa interior que se é; quando a beleza externa é uma confirmação da identidade interna, da experiência subjetiva de sentir-se belo.

Como outras dimensões do humano, a beleza não é algo meramente externo, colado ao real do corpo, inscrição, forma ou detalhe. A beleza reúne aspectos de fora e de dentro do sujeito. É conjunto, e é detalhe imperceptível. É visual, e é aura que se sobrepõe ao corpo. É algo que procede de um ponto, e trafega por interações relacionais. A estética que encanta, tem alma, não é casca, não é periferia, pedaço ou padrão. Ela reúne alma e corpo, na experiência do sentir-se bem consigo e diante do outro. Blaise de Pascal nos faz refletir: “Quem ama alguém por causa de sua beleza o amará? Não, pois a varíola, que matará a beleza sem matar a pessoa, fará que o deixe de amar... Portanto, nunca se ama ninguém, mas somente qualidades”.

Se construirmos uma beleza interna, o outro pode nos amar por essa porção indestrutível que transborda de nosso ser. Nessa dimensão, poderíamos começar também a viver a ventura de sermos homens e mulheres, ambos objetos consentidos do desejo e do prazer um do outro, numa reciprocidade de encantamentos e permissões, onde simplicidade, estética e ética fazem a alegria das relações.

Dra. Zenilce Vieira Bruno, Psicóloga, sexóloga e pedagoga 

Fonte: Publicado no Jornal O Povo (Opinião), Domingo, 12 de julho de 2015.

2015-02-23

Namoro: escola de aprendizados felizes, apesar dos desafios

Partilhar a vida a dois é um anseio do coração humano, uma vocação, uma vivência que passa por muitas experiências de aprendizado e chega à maturidade.  Um caminho de altos e baixos porque, infelizmente, além das virtudes, talentos e habilidades trazemos também as nossas experiências negativas, nossas ausências e debilidades na arte da convivência, na construção e cultivo de valores que fazem a vida a dois possível e feliz, vocacionada a uma continuidade sempre frutífera. 

Essa partilha em forma de convivência começa com os graus da relação, tais como a amizade e o namoro até os níveis mais compromissados. Sempre escutamos os outros falarem de respeito, confiança, diálogo, acolhida do jeito de ser do outro, correção fraterna capaz de “ganhar o outro”, não de humilhá-lo e isolá-lo do anseio conjunto pela concórdia e pela felicidade, e tudo isso é verdade, mas esse processo tem um preço. O que fazemos com nossas descobertas? Como lhe damos com nossas mazelas? Como construímos juntos o namoro que deve nos preparar para uma convivência afetiva duradoura? A resposta não é tão simples, é pessoal e dos enamorados.

O namoro como experiência de encontro mútuo que leva à simbiose natural do enamoramento, não ignora os defeitos um do outro, mas os inclui no processo que deve ajudar a ambos se conhecerem, refletirem e mudarem. Essa mudança não pode ser imposição, mas um movimento do amor. Não deixamos de ser quem somos, apenas vivenciamos o feliz desafio da convivência humana e afetiva. O outro a quem amo não me anula, mas me promove, e toda promoção gera uma mutação no coração e na mente, nas ações e nas omissões. O namoro já é assim uma escola de aprendizados felizes, apesar dos novos desafios que hoje vemos.

Eu rezo a Deus para que o namoro redima mais do que “condene”. A felicidade tem a sua escola, não é aprendizado finalizado, mas sempre em construção. Antes de sermos cônjuges e família, que sejamos pessoas que fazem da convivência do namoro uma forma de dar crédito ao amor e ao respeito pelo outro.

Ant. Marcos