2018-10-15

Teresa de Ávila: êxtases na arte



Tive a oportunidade de ler a autobiografia: “Vida de Teresa de Jesus  (1515/1582)”. Uma experiência sem igual. Lá está descrito por “Teresona” sua vida quando jovem (as estripulias e a leitura da vida dos santos, a família, a entrada para o Carmelo, o mesmismo (convento e mundo), sua real experiência com Jesus já dentro do Carmelo, a mudança de vida, o chamado para a fundação de novas casas, o impacto na vida da Igreja e da espiritualidade cristã, sobretudo mística. Tudo isso dentro do contexto de sociedade onde a mulher não era vista como protagonista e ainda mais a inquisição. 

Apesar de tudo é emocionante a sua história de vida! Teresa de Ávila deixou na vida da Igreja obras de muita relevância: “Caminho de Perfeição, Pensamentos sobre o Amor de Deus e Castelo Interior”. Na obra “Vida” descreve a experiência do “ êxtase” que viveu quando encontrou o Anjo de Deus. Segundo Teresa, ela viu um anjo atravessar seu coração com uma lança dourada, o que lhe causou uma imensa alegria e uma intensa dor. Suas experiências místicas de êxtases foram alvo de desconfiança e investigação por parte da Igreja, mas foram atestadas como verdadeiras. 

O artista Gian Lorenzo Bernini (1652 / Roma – época do Barroco Italiano) fez uma bela escultura em mármore do que descreveu Teresa. Segundo Teresa, ela viu um anjo atravessar seu coração com uma lança dourada, o que lhe causou tanto uma intensa alegria quanto uma dor intensa. 15 de outubro marca a sua memória litúrgica na Igreja. Santa Teresa, Doutora da Igreja, rogai por nós!

Por: Antonio Marcos

2018-10-11

Ensaio: "A Inimizade e a Amizade"




"Nada mais é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política"

Diante do contexto que vivemos no mundo da Política nas Redes Sociais, no qual as pessoas colocam em cheque seus relacionamentos, o ensaio de Milan Kundera fala exatamente de amizades fraturadas por divergências políticas. Um texto oportuno e de extrema riqueza e atualidade: 

“Em nosso tempo, aprendemos a submeter a amizade àquilo que chamamos de convicções. E até mesmo com orgulho de uma retidão moral. É preciso realmente uma grande maturidade para compreender que a opinião que nós defendemos não passa de nossa hipótese preferida, necessariamente imperfeita, provavelmente transitória, que apenas os muitos obtusos podem transformar numa certeza ou numa verdade. Ao contrário da fidelidade pueril a uma convicção, a fidelidade a um amigo é uma virtude, talvez única, a última. Hoje, eu sei: na hora do balanço final, a ferida mais dolorosa é a das amizades feridas; e nada é mais tolo do que sacrificar uma amizade pela política”

Milan Kundera - Escritor, Compositor e Musicólogo Pianista Checo (1891-1971) - Ensaio “A Inimizade e a Amizade”, livro UM ENCONTRO, lançado no Brasil em 2013 (pg. 112).

Por: Antonio Marcos

O ódio digital nos desfigura



Em tempos de intensa polarização política, de extremismos e de muita violência digital, em detrimento do valor da pessoa e do seu direito de escolha, eu andei pensando na “Teoria Multifocal” do médico psicanalista Augusto Cury, quando faz uso dos termos “proteção das emoções” e “gatilho da memória”. 

É, na verdade, um conteúdo riquíssimo para a nossa vida: o ressignificado do ontem, nossas ações no hoje, sobretudo a maneira como processamos essas ações, as palavras, as assimilações do “sujeito em potencial” que faz abrir em nós as janelas killers – zonas de conflito, ou seja, gente que gosta de jogar sobre nós suas ditaduras na forma de pensar, suas acusações e seus ódios disfarçados em raiva, frustrações, e desequilíbrios emocionais. Lembrei-me, inclusive, do que disse o Cardeal Ratzinger (Sal da Terra): “Hoje não temos mais os ateus inteligentes, que dão as razões pelas quais não creem, mas os ateus da revolta!”. 

Ninguém está livre da ideologia, e parece que o discurso saiu da razão para a “ideologia da revolta”. Justifique com serenidade suas razões, pois elas serão lidas e refletidas, mas não caia no equívoco de ignorar e desconsiderar as razões do outro. O ódio digital parece nos desfigurar e o que pouco fazemos é sermos pessoas politizadas e sensatas! O objetivo não deveria ser o “proselitismo político”, mas a maneira inteligente e serena de apresentar as razões. Discordar é um direito absoluto de cada um, mas a revolta nunca levará a boas ações! 

Conquiste, não agrida! Saiba aproveitar a oportunidade de fazer o outro pensar e refletir em suas razões, mas entenda que convencer o outro não é o mais importante!


Por: Antonio Marcos

2018-09-19

Caminho de desafios e alegrias



Meia Maratona do Sol 2018, especificamente 15 de setembro (sábado, 16h, Natal-RN), eu estava lá! Presente na Terra do Sol para correr pela primeira o percurso dos 21k da Meia do Sol, pude, antes de tudo, desfrutar de cada detalhe até o momento da largada: a viagem, os amigos que reencontrei, a troca de experiência, o estar junto no mesmo hotel, o recebimento do Kit e a descontração pela alegria de estar alí presente e sentir a cidade respirar a prova. Muito legal! Um clima entre os atletas muito agradável.

O palco foi a Arena Dunas e toda uma mega estrutura para a corrida recepcionar os atletas e corresponder a todas as expectativas. Assim aconteceu, sobretudo as divisões de largada por distância, a exatidão do horário, as vias de qualidade e completamente inderditadas, a hidratação, os pontos de apoio (música, ambulâncias, energético, banheiros, etc). Surpreendente, ou seja, não se trata apenas de marketing. A Meia do Sol é realmente uma grande competição, tendo entre os inscritos quase a totalidade de representantes dos Estados do Brasil.

Posso dizer que estava treinado, focado e concentrado! A largada foi em ritmo forte (04:18) e o percurso é uma prova de fogo para quem não estiver preparado e não saber trabalhar com a mente. Na ida temos o vento contra, porque descemos até a praia. A volta tem as subidas como o grande desafio. É preciso estratégia, pernas, coração e mente. Além das condições físicas usei de toda a minha experiência dentro da prova para chegar no tempo previsto. Cruzar a linha de chegada no Pace de 04:15, com sprint forte e marcar 01:30:06, levando em conta todas as dificuldades daquele percurso, foi muito emocionante! Em 2018 evoluí de 01:36 para 01:30, algo surpreendente em cada corrida! Obrigado, meu Deus! A corrida me recorda sempre o caminho de desafios e alegria no teu amor.


Arquivos: Foto e Vídeo / 2018 / Meia do Sol
 #deutudocerto #euamocorrer

Por: Antonio Marcos

Lembre-me mais uma vez


A canção YOU SAY (Você Diz) da cantora e compositora de música cristã contemporânea americana, Lauren Ashley Daigle (Lafayette, Louisiana), nós já conhecemos bem de tanto tocar , porém, com suas letras sempre muito inspiradas e que apresenta o diálogo com Deus, traz nesta canção uma tocante mensagem.

"Lembre-me mais uma vez quem eu sou porque preciso saber", diz a canção. Na teologia cristã nós entendemos isso como "memória da salvação", algo indispensável. A pessoa de fé, sobretudo quando vive determinadas etapas de sua história, suas crises e interrogações, pede exatamente isso a Deus: recorde-me quem eu sou! Fale pra mim sobre o melhor que aqui dentro existe, permita-me ouvir a sua voz e que ela se distinga de todas as demais.

Francisco de Assis fez a famosa pergunta "Quem és Tu, Senhor? E quem sou eu?", diante de um momento de grandes incertezas e inquietações acerca do projeto divino pra sua vida. E é preciso se deixar amar, escutar o Senhor de tantas formas, inclusive as que menos esperamos e imaginamos, e afirmar: "eu acredito, Senhor, eu acredito no que você diz de mim!"


Por Antonio Marcos

A incapacidade de reconhecer os próprios erros


Homilia - Meditando o Evangelho do dia: Lc 7,31-35 (19/9/2018 - Ano B)

Quando escuto o Evangelho de hoje, fico impressionado com a capacidade humana de criticar e ver problema em tudo. Todos nós temos problemas não resolvidos, mas eu digo aqueles problemas interiores que nós escondemos e achamos que somos pessoas resolvidas. Passamos a vida criticando e vendo problemas nos outros, quando, na realidade, o problema somos nós. Não enxergamos os problemas que estão em nós, mas enxergamos sempre os defeitos e problemas dos outros.

Há pessoas que não têm a capacidade humana de reconhecer o que há de bom no outro. Quando se reúne, é capaz de criticar, zombar, ver defeitos, problemas e dificuldades em tudo e em todos, entretanto, quando é para procurar algo de bom, não é capaz. Ou seja, é aquela pessoa que vê erro em tudo e em todos, mas não é capaz de reconhecer seus próprios erros. Com isso, não acolhe a verdade, a misericórdia nem a salvação.

É isso que está acontecendo com os homens da época de Jesus: “Com quem hei de comparar essa geração?”. Essa é a geração daqueles que, de fato, só vivem para reconhecer problemas, defeitos e dificuldades. Quando olhamos para as nossas igrejas, comunidades e para o mundo em que vivemos, é verdade que têm limites e até erros grotescos, diante dos quais, humanamente, nos perguntamos: “Como aconteceu isso?”.

Este reino é constituído por pessoas humanas como qualquer um de nós. Queremos que os outros entendam que somos humanos, mas queremos olhar para eles como se fossem divinos; e quando não vemos o divino neles, vemos demônios. Mesmo Jesus vindo para os seus, eles O rejeitaram, viram n’Ele defeitos e problemas. “Jesus está com os publicanos. Ele come com os pecadores, então, Ele é um comilão e beberrão. João Batista, que O precedeu, que veio entre nós, não comia nem bebia, então, ele está possuído por um demônio”. Para quem quer sempre ver o lado negativo e problemático da vida, tudo é problema, em tudo há defeito, em nada há solução. A pessoa acha que somente ela é boa e merece reconhecimento.

Que Deus nos cure, salve-nos, liberte-nos das falsas pretensões e nos dê o verdadeiro olhar para enxergarmos o mundo com o olhar da misericórdia.

Fonte: Canção Nova / Liturgia Diária



2018-07-31

O poder de uma leitura




Na meditação da liturgia diária deste dia, 31 de julho, na qual a Igreja faz Memória Litúrgica de Santo Inácio de Loyola (Espanha, 1491 - Roma, 1556) fundador dos Padres Jesuítas, tive a oportunidade mais uma vez de ler algumas páginas sobre a sua vida, o que é sempre muito empolgante.

Depois de ser ferido em combate, pois era soldado e havia participado da guerra para proteger a cidade de Pamplona, vivia o seu período de recuperação (Castelo de Loyola). Lá não havia livros de cavalarias, mas uma Coleção sobre a história dos Santos. Dentre eles estava um que falava sobre “A Vida de Cristo”.

“Foi após o contato com os livros religiosos que ele percebeu, com atenção e paciência, que as ambições mundanas lhe causavam alegrias efêmeras, meros prazeres, ao passo que a entrega a Jesus Cristo lhe enchia o coração de alegria duradoura. Essa consolação foi, para Inácio, um sinal de Deus”.

Chegou a viver como eremita para que pudesse fazer suas anotações, no que viriam a ser os “Exercícios Espirituais”, uma riqueza utilizada pela vida da Igreja até os nossos dias. O retorno à missão lhe custou provas e perseguições e ele precisou estudar, ler, conhecer os mistérios da fé cristã e os dramas existenciais para ensinar melhor as pessoas

Santo Inácio de Loyola foi canonizado em 12 de março de 1622, pelo Papa Gregório XV. Fica a lição da importância de ser ler “coisas boas na nossa vida”, sobretudo nesses dias com tanta produção que tem apenas o fim lucrativo. Há leituras que não acrescentam nada de bom. As boas leituras nos ajudam a transformar a mente, o coração, as ações, a própria vida. O poder de uma leitura gera em nós uma força extraordinária de encontros e partidas.

Por Antonio Marcos

2018-07-30

Ir. Cristina: desfaçam-se das sombras e se deixem encher pela luz de Deus



Irmã Cristina Scuccia (30 anos), vencedora do The Voice Itália 2014, subiu ao Palco Principal do Festival Halleluya à noite de domingo, 29 de julho, para um show especial! Esperada pelo público, sua apresentação foi bastante acolhida e encantou a todos por seu talento, simplicidade, humildade e espírito missionário.

Mesmo tendo morado no Brasil, Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, entre 2010 e 2012, como noviça, Ir. Cristina teve dificuldade em algumas expressões em português, mas isso não a inibiu, sorriu, pediu a ajuda e todos amaram. Ela cantou músicas italianas, mas também clássicos da música cristã brasileira, como “amor eterno” da Comunidade Católica Shalom.

Segundo a Ir. Cristina, a canção “abraço eterno” expressa a sua gratidão a Deus pela chama de amor que a inflamou e a fez dar um sim definitivo a Deus para sempre. 29 de julho marca exatamente 6 anos de sua Consagração a Deus na Congregação Religiosa.

Ir. Cristina cantou com sua voz potente, assim como dançou , brincou e mostrou ao público que é uma freira feliz. Disse ela: “Estou me acostumando com essa nova missão que Deus me pediu! É muito grande e tem coisas que precisam ser trabalhadas em mim ainda, mas eu sei que Jesus fará, não devo me preocupar, mas corresponder ao seu chamado!”

“Digo a vocês ainda: Vivam na luz de Deus, pois isso é o mais importante, apesar de nossas sombras. Deixem que o Halleluya desfaça essas sombras e se deixem encher pela luz de Deus. Muito obrigado a todos! Trago sempre o Brasil no meu coração”.

Por Antonio Marcos
(Foto: Shalom / Vídeo: Arquivo do Blog 2018)